Correio de Carajás

MPPA de Marabá ganha destaque nacional em evento do CNMP

A iniciativa do Ministério Público do Pará foi reconhecida na 6ª edição do programa Diálogos Ambientais por seu impacto positivo na vida de centenas de indígenas.

Reunião de membros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em mesa de conferência.
Diálogos Ambientais, do CNMP, reconhece e valoriza práticas exitosas do Ministério Público brasileiro/ Fotos: Leonardo Prado (Secom/CNMP)
✏️ Atualizado em 02/03/2026 09h18

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) foi um dos destaques da 6ª edição do programa Diálogos Ambientais, promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público. A participação ocorreu na quinta-feira, 26 de fevereiro, durante o primeiro episódio de 2026 da iniciativa da Comissão do Meio Ambiente (CMA), realizada na sede do CNMP, em Brasília, com transmissão ao vivo pelo YouTube.

Desde 2021, o Diálogos Ambientais reconhece e valoriza práticas exitosas do Ministério Público brasileiro na defesa do meio ambiente, dando visibilidade a experiências transformadoras. Nesta edição, o MPPA destacou seu papel na proteção socioambiental ao apresentar uma iniciativa concreta de impacto direto na vida de comunidades indígenas do Pará.

Representando a instituição, o promotor de Justiça de São Geraldo do Araguaia, Erick Ricardo de Souza, e a promotora de Justiça do Meio Ambiente e Urbanismo de Marabá, Josélia Barros, apresentaram o Projeto Reviver, desenvolvido pelo MPPA com foco na recomposição florestal da comunidade Suruí, na Terra Indígena Sororó. A promotora de Justiça Agrária Alexssandra Muniz, que também lidera a iniciativa, não pôde comparecer ao evento.

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Implantado em 2018, o projeto nasceu a partir da escuta ativa da comunidade indígena, respeitando seus saberes, cultura e modos de vida. A atuação do MPPA foi fundamental no enfrentamento de graves ameaças ambientais, como queimadas e dispersão aérea de agrotóxicos, que colocavam em risco a saúde da população e a produção da castanha-do-pará, base econômica da comunidade.

Entre os resultados alcançados, destacam-se a entrega e o plantio de mais de 7 mil mudas entre 2018 e 2025, incluindo espécies como açaí, castanha-do-pará, cupuaçu e bacaba. Também foram plantadas 1.500 mudas de castanheiras e cerca de 700 pés de jenipapo, fruto essencial para a pintura corporal tradicional indígena, reforçando o compromisso do MPPA não apenas com a preservação ambiental, mas com a valorização cultural.

Atualmente, 702 indígenas — entre eles 162 crianças — são diretamente beneficiados pelo projeto. Segundo o promotor Erick Ricardo, “os próprios indígenas participam de todo o ciclo do Reviver. Eles são os atores principais”. Ele destacou ainda que a iniciativa fortalece a soberania alimentar, a cultura, a economia e o legado do povo Aikewara para as novas gerações.

A promotora Josélia Barros ressaltou o papel institucional do MPPA como articulador junto ao poder público e instituições parceiras, sempre respeitando a autonomia da comunidade: “O MP faz a interlocução, mas sempre ouvindo o que os indígenas querem. Eles apontam os caminhos, e nós viabilizamos essa parceria por meio do nosso poder de articulação institucional”.

Também foram apresentados na sessão os projetos Vira-Amigo e Libertas, desenvolvidos, respectivamente, pelos do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e de Minas Gerais (MPMG). Ao final, os membros dos Ministérios Públicos participantes receberam o Selo de Excelência Ambiental, iniciativa criada pelo CNMP em 2024 para reconhecer projetos inovadores em defesa do meio ambiente. (Fonte: Lívia Leoni/ Ascom MPPA)