Correio de Carajás

Mortes de pai e filha podem ter sido motivadas por tráfico de drogas

Pai e filha grávida foram assassinados, na Folha 1, no dia 19 de maio deste ano/ Foto: Divulgação
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A prisão de Rodrigo Pereira Nunes, réu confesso do assassinato de Carlindo de Souza Gonçalves, o “Cabeludo”, de 43 anos, e da filha deste, identificada até hoje apenas como Caroline, ou “Carol” (grávida na época), pode revelar o verdadeiro motivo do crime, ocorrido no dia 19 de maio, nas margens do Rio Tocantins, na ocupação denominada Folha 1, periferia da Nova Marabá. Ao que tudo indica, não foi a disputa de um lote, mas sim o tráfico de drogas que motivou o duplo homicídio e o aborto.

A informação foi repassada na manhã desta segunda-feira (1º) pela delegada Raissa Beleboni, do Departamento de Homicídios. A delegada contou que Rodrigo, também conhecido como “Piolho”, foi preso na noite de sábado (29) escondido nos fundos do bar e residência da mãe dele, na Folha 29.

Segundo a delegada, desde a época do crime, a polícia já sabia da autoria, até porque a morte ocorreu em plena luz do dia (uma manhã de sábado) e havia pessoas perto do local onde aconteceu a matança. Desde então, a polícia conseguiu mandado de prisão e vinha monitorando os possíveis locais onde “Piolho” poderia aparecer.

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Ainda de acordo com a delegada, o acusado fugiu para a cidade de Xinguara, mas passou a vir a Marabá com relativa frequência. A Beleboni conta que chegou a conversar com familiares de “Piolho” para convence-lo a entregar, mas isso nunca aconteceu. Só que agora ele foi preso.

A policial conta que o acusado foi interrogado na mesma noite em que foi preso e confessou ser o autor dos assassinatos, mas alegou legítima defesa. Disse que ele e “Cabeludo” tinham uma rixa antiga porque a vítima queria invadir um terreno dele na ocupação da Folha 1.

No dia do ocorrido, segundo depoimento do homicida, “Cabeludo” estava armado com um martelo e alguém emprestou um revólver para “Piolho”. Foi com essa arma que ele cometeu o crime depois de entrar em luta corporal com Cabeludo e posteriormente com Carol, que o teria agredido.

O acusado disse ainda que não sabia que a vítima estava grávida, mas a polícia diz ter elementos que põem as alegações do acusado em xeque. “Apesar de ter sido demonstrado ao longo da investigação que era uma gravidez evidente, ele diz que não sabia e alega estar arrependido do que fez”, relata a delegada.

Perguntada se há mais depoimentos que contradizem a versão de “Piolho”, a delegada observou que a tese de legítima defesa tem sido muito recorrente nesse tipo de situação e, neste caso específico, foi intensificada. Mas há outra linha de investigação. “Havia informação, sim, de que existia essa discussão por causa do terreno, mas que outros motivos estavam relacionados, como tráfico e uso de entorpecentes”, afirmou a autoridade policial.

Corrobora com essa linha de investigação o fato de que algum tempo antes da ocorrência do assassinato, Rodrigo havia sido preso portando algo em torno de 1,5 quilo de maconha.

Ainda segundo Raissa Beleboni, realmente um martelo foi encontrado ao lado do corpo de Cabeludo, mas não isso não é suficiente para indicar que a vítima queria agredi-lo, pois quando foi morto, “Cabeludo” estava justamente erguendo uma casa de madeira na ocupação.

Ainda sobre a tese de legítima defesa do acusado, a delegada conta que testemunhas descreveram que houve uma dupla execução, sem nenhuma forma de luta corporal e sem chance de defesa para as vítimas.

Sobre a forma como a arma foi parar nas mãos de “Piolho”, a versão do acusado não foi bem digerida pela autoridade policial. “Parece uma versão um tanto quanto milagrosa, de repente alguém aparece e entrega uma arma e ele consegue praticar o homicídio”, comenta a policial.

Rodrigo Pereira Nunes foi transferido ainda no domingo (30) para os cuidados do Sistema Penal e agora Raissa Beleboni tem 10 dias para concluir o inquérito policial e remetê-lo à Justiça, dando início à ação penal.

Testemunhas relataram a barbárie

Populares que vivem a li e que acompanharam o desenrolar da tragédia, ouvidos na época do crime pela reportagem do Jornal CORREIO, disseram que por no mínimo duas vezes Rodrigo e Carlindo já haviam discutido por razão de um barraco que a vítima estaria construindo na beira do rio em frente a um bar de propriedade de Rodrigo.

As primeiras informações, naquele momento, já indicavam que Rodrigo matou primeiro Carlindo, o “Cabeludo”, e quando a filha da vítima esboçou uma reação teria recebido um tiro também. Mas outras pessoas comentaram que, na verdade, Carol levantou os braços pedindo para que Rodrigo não matasse o pai dela.

Quem confirmou que Carol estava grávida na época foi a delegada Raissa Beleboni, do Departamento de Homicídios. A polícia explicou que a gravidez ficou constatado durante a necropsia realizada no Instituto Médico Legal (IML).

Dois dias depois do crime, foi realmente ventilada a informação de que Rodrigo iria se entregar, mas o advogado por ele procurado na época não garantiu que Rodrigo iria responder ao crime em liberdade, mesmo tendo passado o período do flagrante, por isso ele se tornou foragido, mas acabou preso 133 dias depois do bárbaro crime que cometeu.

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A delegada explicou à Imprensa que a mãe do acusado, que lhe deu guarida, e a esposa, que não o denunciou para a polícia, mesmo ele sendo considerado foragido,

não vão responder criminalmente porque a lei não obriga ninguém a entregar um parente á polícia.

(Chagas Filho)

 

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