Correio de Carajás

Morre em Marabá o investigador de polícia aposentado Haroldo Pereira

Ele foi testemunha e sobrevivente do atentado que matou o delegado "Robocop"

✏️ Atualizado em 11/07/2026 12h29

Haroldo Duarte Pereira, 63 anos, investigador aposentado da Polícia Civil do Pará, faleceu na tarde desta sexta-feira (10) em leito do Hospital Municipal de Marabá (HMM). A causa da morte foi câncer de próstata, doença com a qual travava uma longa batalha havia vários anos. A notícia provocou comoção entre familiares, amigos e ex-colegas de corporação, que lamentaram a perda de um policial que marcou a história da segurança pública no sudeste do Pará.

Segundo pessoas próximas, Haroldo passou mal em casa na quinta-feira (9) e foi levado ao Hospital Municipal, onde permaneceu internado por menos de 24 horas antes de sucumbir às complicações da doença.

O atentado que ficou na história

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Haroldo Duarte Pereira construiu uma carreira dedicada à investigação policial na região de Marabá, mas foi um episódio de extrema violência que marcaria para sempre seu nome na memória da Polícia Civil paraense. Em 7 de dezembro de 2004, ele integrava uma equipe que atuava em uma operação na zona rural de Itupiranga, na área conhecida como Região do Rio Preto, a cerca de 180 quilômetros de Marabá, dentro da Fazenda Rio Bonito (à época invadida por sem terra).

A equipe foi surpreendida por uma emboscada. O delegado Aldo Gomes de Castro, 48 anos, titular da Delegacia de Itupiranga e conhecido em toda a região como “Robocop” — apelido que ganhou pela semelhança física com o personagem do filme americano e pela postura imponente e temida —, foi atingido com um tiro no tórax e morreu no local.

Haroldo Pereira foi baleado durante a troca de tiros, mas sobreviveu, assim como outros dois policiais civis e dois policiais militares que também foram feridos no ataque.

O crime chocou o sudeste do Pará. Aldo de Castro era visto como um policial de linha de frente, cuja atuação firme havia ajudado a pacificar Marabá. Seu corpo foi trasladado e sepultado em São Paulo.

As investigações sobre o atentado se estenderam por anos: em 2010, foi preso Antônio Silva de Jesus, o “Tota”, que confessou participação no crime; em 2015, um segundo suspeito, Osmar Ferreira Bezerra, foi capturado em Jacundá. Haroldo Pereira, que sobreviveu àquela tarde de 2004, carregou consigo por duas décadas a memória daquele dia.

Despedida

Ao longo dos anos seguintes ao atentado, Haroldo seguiu na ativa até a aposentadoria, sendo lembrado por colegas como um profissional dedicado e comprometido com o trabalho de investigação. Sua morte gerou manifestações de pesar de amigos, familiares e ex-companheiros de farda, que destacaram sua trajetória e sua contribuição à segurança pública regional.