Correio de Carajás

Moradores protestam contra fechamento de agência dos Correios no Liberdade

A unidade é considerada essencial para a região e seu encerramento pode causar transtornos à população e impactos negativos no comércio local.

Agência dos Correios com van amarela e jovem de bicicleta na rua.
Agência dos Correios na Liberdade deve funcionar só até amanhã, sexta-feira (15)/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Milla Andrade
✏️ Atualizado em 14/05/2026 13h17

Na manhã desta quinta-feira (13), moradores do Bairro Liberdade realizaram uma manifestação em frente à agência dos Correios da comunidade, em Marabá, após a informação de que a unidade poderá ser fechada nesta sexta-feira (15). Insatisfeito, o grupo esteve no local como forma de repúdio, visto que a comunidade não foi comunicada sobre o motivo da decisão, cobrando a permanência da unidade no bairro.

A agência é considerada uma das principais estruturas de atendimento da região e atende moradores de diversos bairros próximos, além de movimentar o comércio local.

Ao Correio de Carajás, a representante da Associação dos Moradores do Bairro Liberdade e, também, do Instituto Cultural Osana Lopes de Abreu, Lara Borges, destaca que ela e a população foram surpreendidas pela notícia do fechamento. “Fomos surpreendidos ontem à tarde com o fechamento dessa agência. É a única desse complexo da Cidade Nova, e a única que atende essa região. Isso nos deixa aborrecidos”, afirma Lara.

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Lara Borges diz que a comunidade foi surpreendia com a notícia do fechamento da agência

Segundo a moradora, a instalação da unidade foi resultado de uma longa mobilização da comunidade. “Foi uma luta da associação, dos movimentos culturais, dos movimentos sociais e da comunidade de forma geral. Inclusive, a presidente da associação foi uma que levantou essa bandeira para que essa agência fosse instalada aqui”, diz.

Em sua fala, ela também destacou os impactos que o fechamento pode causar no dia a dia da população. “As pessoas vêm do Novo Horizonte, da Cidade Nova, resolver várias situações aqui na agência dos Correios. Às vezes, a pessoa tem só o dinheiro para pagar aquela conta e fazer aquela ação que veio resolver aqui. E aí ter que se deslocar para Nova Marabá gera um transtorno”, pontua.

IMPACTOS NA ECONOMIA LOCAL

À frente da manifestação, Raimundo Neto Alves, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Marabá, ressaltou que a possível desativação da agência representa um retrocesso para a região. “Nós não aceitamos, porque é a única agência que nós temos nesse núcleo. Ela serve muito a comunidade e, ainda, o comércio, que depende da movimentação das pessoas e das compras aqui no comércio do Liberdade”, destaca.

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Raimundo Neto destaca que a desativação deve causar impactos no comércio local

O presidente lembra ainda que o bairro já perdeu outros serviços importantes ao longo dos anos. “Nós brigamos tanto para que essa agência estivesse aqui no Bairro Liberdade, como a Casa Lotérica, que foi desativada. Isso vai causar um grande impacto”, avalia.

O sindicalista ainda informou que seguirá para Belém para tentar impedir o fechamento da unidade. “Mais tarde vou a Belém para reunir com a diretoria regional dos Correios para que a gente possa tomar uma decisão de não fechamento. Nós não aceitamos”, pontua Raimundo.

PURA INDIGNAÇÃO

Da porta de casa, a moradora Lia Almeida acompanhou a manifestação e relembrou a luta da comunidade, da qual ela esteve à frente, para garantir a implantação da agência no bairro. Dependente de cadeira de rodas, ela pediu apoio para impedir o fechamento. “É muito difícil ver que o governo federal está querendo conter gastos fechando a única agência que nós temos aqui no nosso bairro. Não podemos deixar de jeito nenhum”.

Líder comunitária por vários anos, Lia relembra a luta da comunidade para garantir a implantação da unidade

Lia também clamou para que as lideranças representem os moradores na reunião marcada em Belém e pontuou que a decisão pode prejudicar todos. Insatisfeita, ela relembrou o esforço coletivo para levar a unidade ao bairro. “Foi muita luta, muita luta. Tivemos muitas pessoas importantes, não podemos deixar isso acontecer”, encerra.

Também moradora do núcleo, Rosa Maria Lima criticou a possibilidade de fechamento e declarou que a população ficará desassistida. “Na realidade, eu fico indignada porque é um serviço bom, de valor acessível para a população”.

Segundo ela, o problema vem se agravando há anos. “É uma empresa que está mal administrada. Isso há muito tempo, então eu não concordo que fechem”, completa.

A reportagem apurou que a decisão é judicial e que o fechamento não é uma determinação do governo federal. Segundo as informações obtidas, a empresa não tinha interesse em encerrar as atividades da unidade.

O Correio de Carajás solicitou um posicionamento da assessoria dos Correios sobre o possível fechamento da agência, mas, até a publicação desta matéria, não havia obtido resposta.