Correio de Carajás

Moradores do sudeste do Pará relatam vitória sobre a covid-19

Rafaela confessa ter sentido medo e insegurança durante a contaminação/ Fotos: Divulgação
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O novo coronavírus traz com ele aspectos sociais que o diferenciam de outras doenças, em particular, o período da quarentena, que pode abalar emocionalmente quem recebe o diagnóstico positivo. Ao Portal Correio de Carajás, três paraenses que vivem na região sudeste do estado e superaram a doença contam detalhes do que viveram.

A advogada Rafaela Amoedo mora em Altamira e relata ter sentido os primeiros sintomas no dia 28 de abril. “Tive contato com o vírus pelo meu marido, ele trabalha na área da saúde e acabou sendo contaminado no ambiente hospitalar”, relembra.

Rafaela conta que os sintomas dela foram considerados de leves a moderados. “Não precisei de atendimento hospitalar, mas fiquei em isolamento durante o período do vírus. No começo, a gente achava que era uma gripe, porque meu marido teve sintomas mais leves do que os meus, como coriza e irritação nos olhos”.

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Porém, dois dias após o marido da Rafaela ter o mal-estar, foi a vez dela começar a sentir o início de sintomas como dor no corpo, moleza, coriza e tosse, “mas parecia gripe”, diz. As dores, entretanto, foram se intensificando com o passar dos dias. “A dor no corpo era muito grande”.

Atividades comuns do dia a dia a deixavam fadigada. “Era um cansaço maior do que eu teria com uma simples gripe”. Outo sintoma foi a perda do paladar. A descoberta da doença veio quando o marido, que foi afastado das funções durante os sintomas gripais, fez o teste para retornar ao trabalho, atestando positivo para a Covid-19.

A advogada confessa que sentiu medo e insegurança durante o período da doença. “O desconhecido traz medo, esse medo acaba trazendo bastante sofrimento no momento de isolamento. Mas como eu fiquei isolada com o meu marido, isso me ajudou bastante”, revela.

Rafaela também destaca que há preconceito das pessoas por quem está com o coronavírus. O tratamento feito em casa seguiu orientação médica. Sob prescrição, ela fez uso da cloroquina e da azitromicina. A advogada de 27 anos não apresentava comorbidade antes da Covid-19, mas cita ter desenvolvido uma bronquite, mesmo com alta médica após sintomas do vírus.

O médico Marciano Almeida, de 38 anos, atua na rede municipal de Rondon do Pará e Dom Eliseu. Ele também atestou positivo para a Covid-19. O resultado do primeiro teste rápido ao qual foi submetido, entretanto, sinalizou negativo, mesmo com todos os sintomas sugestivos.  

Marciano só teve certeza no segundo teste e viu colegas morrerem pela doença

“Tive os primeiros sintomas no dia 22 de abril, estava de plantão, era uma quarta-feira, iniciou com espirros”, relata, acrescentando que por rinite não associou o problema ao vírus inicialmente. Dois dias depois, ao fazer um trabalho manual em casa, começou a sentir muitas dores nas costas, que persistiram até o dia seguinte. Outros sintomas começaram a se manifestar: perda do olfato, indisposição, diarreia, calafrio e uma “sensação de febre”, que não chegou a mantê-lo febril, além de leve dor de cabeça e tosse. 

O médico não sabe como ocorreu a contaminação, já que usava os itens de proteção. O alerta de que poderia ser Covid-19 soou quando uma colega de trabalho, uma enfermeira que posteriormente morreu vítima do coronavírus, pediu para ele ter cuidado com os sintomas.

Marciano também fez uso da cloroquina e azitromicina. Na terceira dose da medicação já não apresentava mais os sintomas. A confirmação da doença aconteceu quando ele e um grupo de amigos compraram testes e ao fazer um novo exame foi positivado, quando já na fase tardia da infecção, na fase de cura.     

O médico cita que é preciso estar atento à questão psicológica. “Na recuperação tem a questão do distanciamento, do isolamento, isso faz com que as pessoas sejam afetas emocionalmente”. Marciano acrescenta ter presenciado que todos os pacientes acabam impactados psicologicamente por causa da doença, assim como ele, que presenciou colegas de trabalho serem hospitalizados e alguns morrendo. 

“As pessoas precisam ficar atentas aos primeiros sinais dos sintomas, toda síndrome gripal, mesmo o paciente com problemas de rinite, especialmente quem tem problemas respiratórios”, alerta. 

O empresário Eriwelton Silva, de Parauapebas, também foi diagnosticado com a Covid-19. “Comecei a sentir fortes dores de cabeça e febre, no quinto dia com os sintomas fui buscar ajuda médica, fiz alguns exames, sendo constatado que eu estava com a Covid”, detalha.

Eriwelton Silva só levou o vírus a sério após se contaminar

Ele conta que a partir do resultado adotou novos hábitos, mais saudáveis. “Iniciei o tratamento, comecei a ingerir bastante líquido, frutas e muito chá, o que foi muito bom para mim”.  Eriwelton revela que chegou a pensar que morreria com o agravamento dos sintomas. “Passei duas semanas difíceis, sofri bastante”.

Ele assume que antes de atestar positivo não dava tanta atenção à gravidade da pandemia. “Eu não levei tão a sério até contrair o vírus. Quero fazer um apelo para as pessoas que não estão acreditando, que não estão levando a sério, quero dizer que esse vírus é mortal, um perigo real, e não respeita ninguém, não respeita classe social ou cor, se puder fique em casa”. (Theíza Cristhine – Colaboração TV Correio Parauapebas)

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