Correio de Carajás

Militares do 52º BIS, em Marabá, são chamados às pressas após ataque na Venezuela

Comando da 23ª Brigada de Infantaria de Selva argumenta que se trata apenas de coincidência de datas e que mobilização da tropa é uma rotina

Tropa do quartel de Marabá foi colocada em alerta no mesmo dia em que os EUA invadiram a vizinha Venezuela
Por: Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 06/01/2026 15h32

No último sábado, 3 de janeiro, militares do 52º Batalhão de Infantaria de Selva, conhecido por ser a força de ação rápida na Amazônia, foram convocados às pressas para o quartel, independente de situações de folgas de final de ano, férias ou outra bonificação.

No mesmo dia, os militares das mais variadas patentes já estavam no quartel para “cautelar” material bélico. Em outras palavras, ainda no sábado, o comando do 52º BIS definiu o que cada militar precisaria levar; cada item foi conferido por número de série e estado; foi registrado quem recebeu, o que recebeu; quem está com o material deve zelar pelo uso correto, apresentar sempre que solicitado e não pode repassar a terceiros sem ordem. Por fim, precisa comunicar imediatamente qualquer anomalia.

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Os militares do 52º passaram o domingo inteiro de prontidão e permanecem assim nesta segunda-feira (5), só indo para casa dormir, à noite, conforme informações obtidas junto a alguns “convocados”.

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A reportagem do CORREIO entrou em contato com a Assessoria de Comunicação do próprio 52º BIS para saber detalhes sobre a mobilização e possível viagem. A Ascom do Batalhão disse que o ideal era procurar a Assessoria da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, responsável por todas as Organizações Militares de Marabá e região.

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Em resposta, a Brigada enviou a seguinte nota:

“A 23ª Brigada de Infantaria de Selva integra a Força de Prontidão do Comando Militar do Norte, devendo manter-se em permanente condição de emprego. Nesse sentido, são realizadas, periodicamente, verificações de efetivos e do aprestamento de materiais e equipamentos das Organizações Militares subordinadas. A atividade conduzida no 52º BIS insere-se nesse contexto”.

Apesar das explicações da Brigada, há vários fatores que descontroem essa narrativa. A primeira, é que foi só após a invasão e prisão de Nicolás Maduro que a tropa local foi mobilizada, inclusive informação de que, possivelmente, viajariam para Belém e, de lá, para Roraima, na divisa do Brasil com a Venezuela.

Em segundo lugar, nunca houve, na história da Brigada, uma “convocação” dessa natureza logo após as festas de Natal e Ano Novo. Como o 52º BIS é o batalhão mais operacional e de força rápida da Amazônia, certamente foi logo convocado para ficar de prontidão para caso seja necessário fortalecer a segurança na área de fronteira.

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É bem verdade que o novo comandante do 52º Batalhão de Infantaria de Selva assumiu o posto no dia 22 de dezembro último, após passagem de comando do coronel de Infantaria Luís Henrique Cetrangolo Dórea para o tenente-coronel de Infantaria Lucas Tiago Moreira.
A cerimônia fora presidida pelo general de Brigada Enio Barbosa Fett de Magalhães, também novo no comando por aqui, tendo assumido o cargo em agosto do ano passado.