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Uma das grandes estrelas do cinema independente, Michelle Williams estreia agora a primeira superprodução da carreira, “Venom“, e fora das telas ressalta que ainda há muito a ser melhorado sobre igualdade salarial entre homens e mulheres.

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Em entrevista à Agência Efe, ela disse que ficou “intimidada e entusiasmada” quando aceitou o desafio de fazer “Venom”, um filme baseado no popular personagem das histórias em quadrinhos da Marvel.

“Queria verificar se podia sobreviver nesse enorme tanque com outras espécies nadando comigo, em vez de estar no meu mundinho, onde estão meus amigos e eu estou sempre confortável e segura”, explicou a atriz, de 38 anos.

O filme, dirigido por Ruben Fleischer, narra a história do jornalista Eddie Brock (Tom Hardy), que investiga um cientista suspeito de usar pessoas como cobaias em experiências mortais. Mas, após virar hospedeiro de um simbionte alienígena, ele se transforma em Venom, uma máquina de matar.

No longa, Michelle Williams interpreta Anne Weying, noiva do protagonista, que acaba o deixando.

“Vivemos em um momento no qual você liga o rádio e escuta artistas cantando sobre sua importância, sobre reivindicar aos homens o que é seu. Queria basear minha personagem nisso. Anne Weying (a personagem) sabe o seu valor e quer que isso seja refletido. Ela ama o Eddie, mas o deixa por sua indiscrição”, afirmou.

Para Michelle, era importante que a história corresse em um contexto atual, em tempos de “Me Too”, e aceitou o papel sem nem mesmo conhecer o universo dos super-heróis da Marvel.

“Todo esse mundo continua sendo um mistério para mim”, admitiu.

Com uma carreira repleta de títulos na indústria independente, Michelle passou aos poucos a aceitar propostas de grandes estúdios para longas como “O Rei do Show”, “Sexy por Acidente” e “Todo o Dinheiro do Mundo”, filme que a colocou em polêmica sobre a disparidade salarial entre homens e mulheres. Em janeiro, o jornal “USA Today” denunciou que Mark Wahlberg ganhou US$ 1,5 milhão para gravar novas cenas do filme, enquanto Michelle recebeu menos de US$ 1 mil pelo mesmo período.

“Ouço mulheres de outros setores e elas agradecem por eu abrir o assunto. Aquilo fez com que o tema fosse debatido em vários ambientes corporativos. É maravilhoso ter começado esta conversa, mas temos muito o que melhorar”, manifestou.

Para ela, isto é parte de uma conversa muito maior, o movimento “Me Too”, que chega a todos os níveis da sociedade, como é o caso do juiz Brett Kavanaugh, indicado à Suprema Corte dos Estados Unidos e acusado de abusos sexuais por três mulheres, entre elas Christine Blasey Ford, que na semana passada foi ao Senado para dar sua versão sobre o caso em uma audiência pública e exibida na TV.

“O depoimento de Christine está claramente cheio de verdades, e fico com o coração partido ao ver que não acreditam nela. Todas as mulheres ficam assim”, afirmou.

A atriz, que não conseguiu segurar uma lágrima lembrar do caso, se refez rapidamente ao falar do futuro.

“Gosto de sentir que continuo crescendo, mas estou ciente das minhas limitações. Quero melhorar e tento aceitar papéis que vão me permitir evoluir. A verdade é que gosto mais de gravar com gente de fora do que com americanos. Meus filmes favoritos são os estrangeiros” afirmou. (EFE)

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