A Meta e o Google enfrentarão um julgamento no Tribunal Superior da Califórnia, nos Estados Unidos, sob a alegação de que suas plataformas Instagram e YouTube estão alimentando uma crise de saúde mental entre os jovens.
O julgamento, que começa nesta semana, representa um teste para milhares de outras ações buscando indenizações por danos causados pelas redes sociais, em uma ofensiva legal que pode enfraquecer a longa defesa jurídica das grandes empresas de tecnologia.
No processo, KGM diz que o dano ocorreu por meio de escolhas de design deliberadas feitas por empresas que buscavam tornar suas plataformas mais viciantes para crianças, visando aumentar os lucros.
A ação é o primeira de vários casos que devem ir a julgamento neste ano, focados no que os autores chamam de “vício em mídia social” entre as crianças.
A seleção do júri começa esta semana. Segundo a agência Associated Press, o processo de seleção deve levar alguns dias.
Esta será a primeira vez que os gigantes da tecnologia terão que se defender em um julgamento sobre supostos danos causados por seus produtos, disse o advogado da autora da ação, Matthew Bergman.
“Elas estarão sob um nível de escrutínio que não existe quando você depõe perante o Congresso”, disse ele à Reuters.
Segundo Bergman, o assunto provavelmente chegará à Suprema Corte dos EUA, seja pelo caso de K.G.M. ou por outro processo.
O júri decidirá se as empresas foram negligentes ao fornecer produtos que prejudicaram a saúde mental de K.G.M. e se o uso dos aplicativos foi substancial para sua depressão, em comparação com fatores como o conteúdo de terceiros que ela visualizou nos apps ou aspectos de sua vida off-line.
Um elemento importante no processo é uma lei federal que isenta amplamente plataformas como o Instagram e o TikTok de responsabilidade legal pelo conteúdo postado por seus usuários. As empresas de tecnologia argumentam que essa lei as protege no caso de K.G.M.
“Este é realmente um caso de teste.Vamos ver o que acontece com essas teorias”, disse Clay Calvert, advogado de mídia do American Enterprise Institute, em referência à argumentação de que as plataformas podem prejudicar a saúde mental de usuários.
Plataformas se isentam de responsabilidade
Uma decisão contra as redes sociais abriria uma brecha nessa defesa, que as tem protegido de processos há décadas, e mostraria que os jurados estão dispostos a responsabilizar as plataformas.
Executivos, incluindo o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, devem depor no julgamento, que pode durar de seis a oito semanas, segundo a Associated Press.
Especialistas traçaram paralelos com os julgamentos das grandes empresas de tabaco que levaram a um acordo em 1998, no qual as empresas de cigarro pagaram bilhões em custos de saúde e restringiram o marketing direcionado a menores.
“Os autores não são meramente danos colaterais dos produtos dos réus”, afirma o processo.
“Eles são as vítimas diretas das escolhas intencionais de design de produto feitas por cada réu. Eles são os alvos pretendidos dos recursos prejudiciais que os levaram a ciclos de feedback autodestrutivos”, acrescenta a ação.
A Meta argumentará no tribunal que seus produtos não causaram os problemas de saúde mental de K.G.M., disseram os advogados da empresa à Reuters antes do julgamento.
No caso do Google, o processo envolve o YouTube. A empresa diz que a plataforma de vídeos é fundamentalmente diferente de redes sociais como o Instagram e o TikTok e não deve ser classificada dessa maneira, segundo afirmou um executivo do YouTube antes do julgamento.
TikTok e Snapchat fecharam acordo
Outras duas plataformas que faziam parte do processo, TikTok e Snapchat, fecharam um acordo extrajudicial e ficaram fora da ação.
A ByteDance, controladora do TikTok, chegou a um acordo extrajudicial na segunda-feira (26), informou a equipe jurídica da autora da ação.
“As partes estão satisfeitas por terem chegado a uma resolução amigável desta disputa”, disse o Social Media Victims Law Center, observando que os termos do acordo são confidenciais.
O Snapchat fechou acordo em 20 de janeiro para resolver a ação judicial. Questionada, a plataforma não comentou os detalhes do acordo, mas afirmou à agência AFP que “está satisfeita por ter podido resolver este assunto de forma amistosa”.
(Fonte: G1)

