Correio de Carajás

‘Médico das estrelas’ está em liberdade após ser preso por descumprir medida protetiva em Marabá

O médico foi preso na sexta, mas neste domingo já está em liberdade/Foto: Divulgação
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 25/10/2026 17h24

O médico Francisco Miranda Cruz Filho, conhecido como ‘médico das estrelas’, foi preso na noite de sexta-feira (23), em Marabá, suspeito de descumprir uma medida protetiva de urgência concedida em favor da ex-mulher. No sábado (24), durante audiência de custódia, o Ministério Público do Estado do Pará se manifestou pela concessão de liberdade provisória, que foi acatada pelo Poder Judiciário.

Francisco, que chegou a ser encaminhado ao sistema prisional, publicou vídeo nesse  domingo (25), no Instagram, demostrando que  já foi colocado em liberdade.

O caso foi registrado na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) após a vítima acionar a Polícia Militar. Em depoimento, a mulher informou que estava em um restaurante da cidade quando percebeu que o ex-marido passou diversas vezes de carro em frente ao estabelecimento, com os vidros abertos. Segundo ela, o homem chegou a entrar no restaurante acompanhado da atual esposa.

Leia mais:

A vítima informou que possui medida protetiva contra o ex-marido desde junho de 2026, em razão de ameaças e injúrias. A determinação judicial estabelece, entre outras restrições, uma distância mínima de 100 metros entre ambos.

Ainda conforme o relato, a filha do ex-casal percebeu a presença do pai e avisou a mãe. A mulher, que estava de costas para a entrada do restaurante, afirmou que foi vista pelo ex-marido quando ele entrou no estabelecimento.

Diante da situação, ela acionou a Polícia Militar pelo telefone 190 e também entrou em contato com a Deam. Os policiais foram ao local e conversaram com o médico. Segundo o depoimento, ele foi informado de que seria conduzido à delegacia, mas deixou o estabelecimento em seu próprio carro, acompanhado da atual esposa e sob acompanhamento policial.

Na delegacia, a mulher ratificou a representação criminal contra o ex-marido e pediu a adoção das medidas legais cabíveis pelo descumprimento da ordem judicial.

O caso foi registrado com base no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, que trata do descumprimento de medidas protetivas de urgência. O Correio de Carajás tentou contato com o médico e com o advogado dele, mas sem retorno até essa publicação.

Pedido do MP

O Ministério Público do Estado do Pará esclareceu ao Correio de Carajás que a existência de indícios de um crime não significa, automaticamente, que a pessoa deva permanecer presa preventivamente. Conforme o órgão, a prisão preventiva é uma medida excepcional e exige a demonstração de risco concreto decorrente da liberdade do investigado, além da insuficiência de outras medidas cautelares para proteger a vítima.

No caso em questão, o investigado teria visualizado a ex-companheira e retornado ao estabelecimento comercial onde ela se encontrava. A circunstância é considerada relevante pelo MP e deverá ser devidamente investigada, especialmente quanto à distância entre as partes e à intenção de descumprir a ordem judicial.

Entretanto, informa o órgão, no episódio não houve notícia de ameaça verbal, agressão física ou tentativa de contato direto com a vítima. Esses elementos, embora não afastem a possibilidade de configuração do crime, foram considerados na avaliação da necessidade da prisão preventiva.

As medidas protetivas em favor da vítima continuam integralmente em vigor e o investigado permanece proibido de se aproximar da vítima a menos de 100 metros e deve observar todas as demais restrições impostas judicialmente. O Ministério Público requereu que a vítima fosse comunicada da decisão e que o investigado fosse expressamente advertido de que novos descumprimentos poderão justificar a reavaliação da necessidade de prisão preventiva, desde que presentes os requisitos legais.