Correio de Carajás

Marabaense mira o céu e conquista vaga em seletiva Internacional de Astronomia

Do Pará para as estrelas: a qualificação de Andreilson veio do excelente desempenho do aluno na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica

Andreilson é um dos 150 estudantes do país que vão para a fase presencial da seletiva Internacional de Astronomia - Fotos: Emilly Coelho e Alex Ribeiro

Andreilson Leite da Silva, de 17 anos, da Escola Estadual de Ensino Médio “Anísio Teixeira”, localizada em Marabá, está entre os 150 estudantes do país designados para participar da fase presencial da seletiva Internacional de Astronomia, que acontece em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, de 9 a 12 de março, próximos. O aluno se destacou passando com bom desempenho nas três fases da 28ª edição da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), com nota 8.

Ele demonstrou não apenas domínio sobre conteúdos de física e astronomia, mas também um enorme potencial para representar o estado em competições científicas de alto nível. Se conseguir ser o top 5 do processo seletivo vai para a 19ª International Olympiad on Astronomy and Astrophysics (IOAA) – Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, que será em Hanói, Vietnã e se alcançar do 6º ao 10º lugar vai para Olimpíada Latino-Americana de Astronomia (OLAA).

Desde o ensino fundamental, Andreilson se interessou por assuntos de astronomia, por influência de professores. Ele conta que nessa época, construiu um foguete à base de pressão e água, participando da MOBFOG (Mostra Brasileira de Foguetes), o feito o fez ganhar medalha de bronze na competição. De lá para cá, participou três vezes da OBA, faturando medalhas de prata. “Com a experiência do ensino fundamental eu fui estudando, me dedicando cada vez mais e vi que era possível participar da Olimpíada Internacional, através do meu destaque. A escola pública tem um papel importante na minha formação, pois recebi incentivo dos meus professores, em especial professores Iranilde Reis, Emília Miranda e Cláudio Bertolino, e também o material didático da de qualidade da escola me despertou o interesse na astronomia”, resume o aluno, que atualmente está no terceiro ano do Ensino Médio e pretende cursar medicina ou astronomia.

Leia mais:

 

Arley Sandra Oliveira Ferreira está na gestão da Escola Anísio. Ela é servidora efetiva estadual há 14 anos e há cinco anos atua como gestora. “A nossa escola hoje tem um orgulho muito grande porque todos os feitos e projetos que desenvolvemos temos um resultado positivo e de excelência. Esse torneio de astronomia não seria diferente, temos um aluno muito empenhado e dedicado que iniciou na fase OBA, no ensino fundamental e hoje concluinte do ensino médio, já está às portas para entrar do seletivo para ir para fase internacional. Nossa escola procura desenvolver projetos práticos da OBA e recebemos destaque como medalhistas. Contamos com a colaboração de todos pois sabemos que ele vai para a fase internacional”, conta a diretora.

Cláudio Santos Bertolino, professor de Física da rede estadual há 20 anos, coordenou a participação de Andreilson nas fases da pré-seleção para IOAA. “É uma satisfação muito grande ter um aluno em destaque, pois geralmente os discentes do interior não se interessam muito pela área da ciência e da pesquisa, da prática em geral. É muito gratificante ter um aluno que chegou tão distante e pode chegar mais longe ainda. Na nossa prática tentamos mostrar no dia a dia como a ciência é aplicada e quão importante ela é. A escola pública é essencial nesse processo, trabalhamos de forma enfática a prática para atrai-los para o lado da ciência, trabalhando para além do Enem e Saeb, com trabalhos experimentais de lançamento de foguetes em locais mais amplos e até universidades. Gostaria que esse aluno fosse olhado com carinho, pois ele chegou muito longe”, explica o docente.

A jornada de estudos do adolescente na Escola Anísio Teixeira é um dos motivos para o sucesso acadêmico

GOVERNO

“É com grande orgulho que destacamos a brilhante atuação do nosso aluno da rede pública estadual para seletiva da Olimpíada Internacional de Astronomia. Esse feito não representa apenas o talento individual, mas também o compromisso da educação paraense com a excelência e a ciência. O governo do estado está honrado em apoiar iniciativas que despertam vocações, valorizam o conhecimento e mostram que nossos jovens têm potencial para alcançar o mundo. Parabéns a todos os envolvidos nessa conquista que enche de esperança o nosso Pará”, destaca     João Chamon Neto, secretário regional de governo do sul e sudeste do Pará.

“A classificação de um aluno da rede pública estadual para uma seletiva internacional é motivo de muito orgulho para todo o estado do Pará. Isso reflete o resultado de investimos em educação de qualidade, professores comprometidos e em oportunidades para que o talento de nossos estudantes apareça e ultrapasse fronteiras, podendo competir em alto nível, em qualquer área do conhecimento, inclusive na ciência, que é estratégica para o desenvolvimento do país. Parabenizo o estudante, sua família, os professores e a escola, que juntos constroem esse caminho de excelência”, ressaltou o secretário de educação, Ricardo Sefer.

REMEMORAR

A Escola Estadual Anísio Teixeira é uma das mais requisitadas em Marabá e segue fazendo história na qualidade do ensino

Não é a primeira vez que a Escola Estadual Anísio Teixeira se destaca em um projeto. A instituição, durante dois anos consecutivos, alcançou a marca com maior número de estudantes do Pará com notas acima de 900 no Enem. Cento e cinquenta alunos tiveram nota acima de 800 e mais 85 acima de 900 pontos, o que configura o maior resultado do Pará no Enem 2024 Escola Estadual de Marabá ganha destaque com 85 notas acima de 900 na Redação do Enem | Agência Pará e no Enem 2025 foram 103 alunos com notas acima de 800 e 35 alunos acima de 900 na Redação do Enem.  A escola também se destacou no último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) com 4,9.

A instituição de ensino está ligada à 4ª Diretoria Regional de Ensino (DRE) que é subordinada à Seduc (Secretaria de Estado de Educação). A conquista é resultado de uma jornada de estudo, dedicação e incentivo à ciência dentro da escola pública. (Texto: Emilly Coelho)