Correio de Carajás

Marabá: serviços, comércio e setor público respondem por 72,77% dos empregos

Doutor da Unifesspa avalia importância estratégica, força econômico e empregos no município

Setor de serviços é o que mais emprega em Marabá atualmente/ Foto: Freepik

As áreas de serviços, comércio e setor público, nesta ordem, respondem sozinhas por 72,77% dos empregos formais em Marabá. Os números e o diagnóstico foram revelados ao CORREIO pelo professor doutor Lucas Rodrigues, da Faculdade de Ciências Econômicas (FACE), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Por ocasião do aniversário do Município, o jornal convidou o estudioso a falar sobre alguns aspectos da economia local.

Da população de pouco mais de 266 mil habitantes em idade ativa, 59.530 estão encaixados em empregos formais. Desse contingente, a maior parte está no setor de prestação de serviços, com 27,99%. Já o comércio, que sempre foi uma locomotiva, neste sentido, vem em segundo lugar com 26,59%.

A administração pública vem na terceira colocação, empregando 18,19% e nesse contingente estão os servidores da Prefeitura Municipal, maior empregadora; também o Exército Brasileiro, este com 2.215 militares; além de universidades federal e estadual, Instituto Federal, órgãos do Judiciário e do Estado.

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A quarta posição está com a Indústria de Transformação, com 10,23%, seguida da construção civil, com 8,77%.

“Marabá tem uma economia muito diversificada e, algo muito característico do Brasil, a maior parte dos empregos está concentrada no setor de serviços e comércio. Marabá não é exceção. Estas três atividades são as que mais empregam. Temos também uma boa participação da indústria, da construção civil”, comenta o professor.

E complementa sobre os fatores que contribuem para isso: “Essa condição de Marabá, de ser um importante centro de abastecimento regional e do Estado, facilita muito ao comércio local, que não está restrito ao município, mas tem de atender uma imensa região no Pará”. Neste ponto, ele destaca o surgimento de vários galpões, que devem servir de centros logísticos de distribuição de empresas em breve.

“Saindo de Marabá em todos os sentidos, nós percebemos um trânsito pesado de caminhões levando mercadorias a partir de Marabá”, complementa. “De outro lado, as guseiras, no Distrito Industrial, que também têm um papel importante, juntamente com a construção civil, um setor dinâmico da economia marabaense, ainda mais agora com a construção da nova ponte sobre o rio Tocantins. São setores que têm um grande encadeamento e que à medida que crescem vão fomentando outras atividades econômicas”.

Censo

O professor Lucas Rodrigues falou sobre a importância do Censo populacional para a estratificação de dados e entendimento sobre o desenvolvimento dos municípios. Ele comenta que quando se fala de Brasil e dos estados, os dados sempre são mais fartos, mas sobre os municípios são escassos e dependem em muito do panorama apresentado pelo Censo do IBGE.

“É por ele que sabemos as condições de habitação, de saneamento, a renda, a composição da população, crescimento populacional. Várias informações que não conseguimos ter periodicamente e o Censo nos traz. São dados essenciais para o planejamento das políticas públicas”, pondera.

Nesse ponto, o professor também lança um questionamento sobre como se deu o crescimento de Marabá nos últimos anos. “Como foi esse aumento do espaço urbano de Marabá? Ele se deu com a criação de uma infraestrutura básica? Então, sem o Censo, temos um conhecimento impreciso”.

LIDERANÇA REGIONAL

O CORREIO quis saber do professor Lucas Rodrigues sobre como é possível perceber de forma mais clara, a sempre aludida liderança regional de Marabá. A isso ele respondeu citando o Produto Interno Bruto (PIB), índice pelo qual Marabá está na quarta posição. Quando o assunto é PIB per capita, somos o 9º no Pará.

“Em PIB, ocupa a quarta posição. Primeiro vem Parauapebas, Canaã dos Carajás, Belém e logo em seguida Marabá. A força da mineração aqui no Estado produz essa característica, de que esses municípios com a exploração mineral tenham PIB elevado, maior que o da capital, que tem maior população”, destaca.

Professor Lucas Rodrigues analisou cenário econômico de Marabá

ECONOMIA DIVERSIFICADA

A reportagem pontuou ao professor que embora Canaã e Parauapebas seja, hoje municípios mais ricos que Marabá, seus desempenhos estão atrelados ao extrativismo mineral, enquanto Marabá parece mais preparada para um futuro sem esse fator, por ter outras fontes de renda.

Lucas Rodrigues respondeu que sim, pois Marabá tem uma economia mais diversificada. “Aqui temos indústria, comércio forte, construção civil forte. Oferece uma série de serviços, que muitas vezes a população de outros municípios têm de vir até aqui para contratar. Essa diversidade da economia marabaense com certeza é um fator de sustentação. Na economia nós falamos muito isso: que se você quer diminuir o risco, tem de aumentar a diversificação”.

DEPENDÊNCIA

O professor doutor também revela ao CORREIO, que a Faculdade de Economia promoveu um levantamento recente, por meio de dados de registros fiscais, conseguiu estabelecer a relação de dependência entres os municípios do Pará.

“A gente conseguiu verificar que a relação de dependência dos demais municípios para com Marabá é muito forte nesta porção do Estado (sul e sudeste). A maior parte de tudo o que esses municípios compram no Pará, vem de Marabá. Este mercado consumidor de Marabá transcende muito os limites do Município. Ele vai de Tucuruí, até Santana do Araguaia, na fronteira com o Mato Grosso; e de Leste-Oeste, vai da fronteira com o Maranhão até a divisa com Altamira. São cidades que também acabam tendo uma dependência grande de Marabá, devido a essa posição logística privilegiada”, avalia.

(Da Redação)