📅 Publicado em 19/05/2026 08h44
A cidade de Marabá se prepara para sediar, no dia 23 de maio, uma agenda histórica voltada à humanização da saúde e ao fortalecimento da medicina paliativa na região. A cidade receberá a enfermeira alemã Karin Schmid, pioneira e facilitadora do Curso de Últimos Socorros (Last Aid) no Brasil, para uma série de formações voltadas tanto para profissionais da área quanto para a comunidade em geral. A iniciativa é liderada pela médica marabaense Dra. Lorena Agrizzi, especialista reconhecida nacionalmente em Medicina Paliativa.
A programação começa já na sexta-feira (22), com um evento de abertura promovido pela LADOR — Liga Acadêmica de Dor e Cuidados Paliativos. O encontro “Entre Cuidados e Territórios: Experiências Paliativas no Pará” acontecerá na Faculdade Afya, na sala invertida 01, a partir das 18h, com credenciamento a partir das 17h30.
A proposta é reunir, em uma mesma noite, profissionais de diferentes territórios — incluindo paliativistas vindos de Belém —, além de gestores, estudantes, docentes e membros da comunidade, para compartilhar experiências reais de cuidado que já estão transformando a assistência em diferentes contextos do Pará.
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O evento dialoga diretamente com a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) e também com o conceito de Comunidades Compassivas, onde as pessoas se auxiliam mutuamente em tempos difíceis. As inscrições garantem certificado de horas.
Formação
O ponto alto da programação ocorrerá no sábado, 23 de maio, das 9h às 17h, no prédio do curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Neste dia, será realizada a “Formação de Facilitadores do Curso de Últimos Socorros”, voltada exclusivamente para profissionais com vivência em cuidados paliativos. Até o momento, cerca de 10 especialistas já confirmaram presença, incluindo profissionais que se deslocarão de Belém especialmente para o evento.
Além da capacitação técnica, a passagem de Karin Schmid por Marabá terá um forte viés comunitário. Na terça-feira, dia 26 de maio, ela e a Drª Lorena vão ofertar um curso para pessoas surdas e intérpretes de Libras. Na ocasião, público reduzido: entre 10 e 15 pessoas.
O que é o Curso?
Assim como a sociedade é amplamente treinada em “Primeiros Socorros” para salvar vidas em emergências, o movimento internacional Last Aid (Últimos Socorros) defende que as pessoas também precisam ser preparadas para lidar com o fim da vida. O curso tem como objetivo oferecer informações e técnicas básicas para que qualquer pessoa saiba como acolher, aliviar o sofrimento e acompanhar com dignidade um familiar ou ente querido que enfrenta uma doença grave e incurável ou que está em processo de terminalidade.
Karin Schmid é uma das maiores autoridades no assunto no país. Formada em Enfermagem pela Schule für Pflegeberufe Helfenstein Klinik Geislingen e com especialização em Cuidados Paliativos pelo Pflege-Bildungszentrum an der Filderklinik, ambas na Alemanha, ela é representante do Last Aid Research Group International (LARGI) e já conduziu mais de 100 cursos sobre o tema em diversas realidades brasileiras.
O movimento nacional
A realização do evento em Marabá ganha ainda mais relevância diante do atual cenário da saúde pública no Brasil. Os cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e de seus familiares diante de uma doença que ameace a continuidade da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual.
Apesar de sua importância vital, o acesso a esse tipo de cuidado ainda é um desafio no país. Estima-se que centenas de milhares de brasileiros necessitem de cuidados paliativos anualmente, mas a oferta de serviços especializados ainda é insuficiente para cobrir a demanda nacional.
Recentemente, o tema ganhou força com a consolidação da Política Nacional de Cuidados Paliativos pelo Ministério da Saúde, que busca integrar essa assistência em todos os níveis de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS).
A formação de novos facilitadores e a conscientização da comunidade, como as que ocorrerão em Marabá, são passos fundamentais para que o cuidado paliativo deixe de ser um privilégio e se torne um direito acessível a todos, garantindo que o fim da vida seja tratado com a mesma dignidade e respeito que o seu início.
