Correio de Carajás

Marabá recebe grandes e pequenas doações na guerra contra o coronavírus

ACIM, Conjove e Sindicom fizeram a mais recente doação para a Prefeitura / Foto: Josseli Carvalho
ACIM, Conjove e Sindicom fizeram a mais recente doação para a Prefeitura / Foto: Josseli Carvalho
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A pandemia do coronavírus, que já contabiliza 61 mortes em Marabá, chegou sem aviso prévio, o que desestabilizou não só o cotidiano das pessoas, que hoje vivem em isolamento domiciliar para não se infectar, mas também o sistema público de saúde. Devido à surpresa, muitos municípios não se encontravam prontos para enfrentar o vírus letal, que até o momento não possui uma vacina para combatê-lo.

No entanto, em Marabá, diversas empresas, entidades e instituições – grandes e pequenas – se mobilizaram para enfrentar a covid-19, dando munição à Prefeitura Municipal para conseguir regredir as estatísticas que insistem em crescer nos boletins epidemiológicos. Desde itens simples como Equipamentos de Proteção Individual (EPI), até os mais complexos como respiradores e cilindros de oxigênio foram arrecadados pela gestão municipal desde o começo da pandemia.

A primeira remessa de insumos foi doada pela mineradora Vale, que dividiu suas doações em três etapas, sendo que a primeira, realizada dia 18 de abril, foi mais abrangente, com 700 mil máscaras e 268 mil luvas cirúrgicas descartáveis destinadas a profissionais de saúde que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela rede privada.

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Mineradora Vale foi a primeira a realizar doações para o Município / Foto: Ascom Vale

Da primeira doação, o município recebeu 124 mil máscaras cirúrgicas, 18 mil luvas e 100 óculos de proteção. Além de Marabá, foram incluídos nessa primeira grande etapa os municípios de Curionópolis, Parauapebas, Canaã dos Carajás, Ourilândia do Norte, Tucumã e Redenção.

A segunda etapa foi logo depois, no dia 27 de abril, com 57.600 luvas e 9.600 aventais, produto conhecido pelos profissionais de saúde como “capote”, que ajuda a proteger a pele durante os procedimentos hospitalares.

Mas a mais aguardada foi a terceira etapa, pois nela a Prefeitura recebeu 19.200 testes rápidos para detectar pacientes que estejam com covid-19. Esses testes já eram esperados desde a segunda etapa, pois é importante encontrar e isolar os pacientes assintomáticos, que são vetores na disseminação do vírus.

Junto com os testes rápidos entregues no último dia 14 de maio, também vieram 10 mil aventais, 100 mil luvas e 4 mil máscaras N-95. Os recursos somam-se em quase R$ 2 milhões em EPI’s e itens de testagem rápida.

Ainda no dia da terceira doação da Vale, foram entregues 10 cilindros de oxigênio pela Sinobras e mais 10 cilindros pela Correias Mercúrio. O reabastecimento do gás utilizado nos cilindros ficou a cargo da VitaGás, responsável pela distribuição na cidade.

A JBS, maior empresa do ramo de alimentação no País e com duas empresas em Marabá, se dispôs a doar o que o município precisasse, e na conta devem entrar, nos próximos dias, 10 respiradores e EPI’s.

ACIM, CONJOVE E SINDICOM

As três instituições ligadas ao comércio marabaense, Associação Comercial e Industrial de Marabá (ACIM), Conselho de Jovens Empresários (Conjove) e o Sindicato do Comércio de Marabá (Sindicom), realizaram uma grande ação para arrecadar fundos para adquirir e doar, para a Prefeitura, os medicamentos utilizados no tratamento da covid-19.

As arrecadações foram recebidas de mais de 60 empresas ligadas às três entidades, que totalizou 200 mil reais, segundo a vice-presidente da ACIM, Cláudia Aparecida Felipe. Esse valor será utilizado na compra de azitromicina, corticoide, vitaminas C e D, remédios para febre e dores, além da polêmica hidroxocloroquina, que foi liberada até mesmo para casos leves, por imposição do presidente Jair Bolsonaro, na quarta-feira, 20.

Segundo a ACIM, a estimativa de custo de um kit com medicamentos mais recomendados por médicos para combater a doença é de R$ 60,00. Com isso, as entidades já conseguiram arrecadar o valor referente a 2.500 kits, mas a meta é de 5 mil kits para doação à rede pública.

Na manhã da quinta-feira, 21, foi entregue o primeiro lote de medicamentos, com 400 kits, para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), sendo que o restante dos kits deve chegar até a próxima quarta-feira, 27.

Para Emerson Alves Rocha, membro da ACIM, a contribuição com o município ajudará a acelerar o processo de tratamento dos pacientes com covid-19. “Esperamos que com essa ajuda a situação possa voltar ao normal mais rápido”, comentou Emerson.

O secretário de saúde, Luciano Lopes Dias, informou que ainda na quinta-feira os kits começariam a ser distribuídos para as Unidades de Saúde. “Vamos comunicar em massa sobre essa doação, com clareza para que a população não se desespere e corra para as unidades formando filas e aglomerações. Agradecemos a relevante doação das entidades, pois vai ser de grande valia no tratamento dos pacientes confirmados”, agradeceu Luciano.

DIFICULDADE SUPERADA

A doação será de grande ajuda, pois segundo o prefeito Tião Miranda, a necessidade da rede municipal de saúde atualmente é de medicamentos para tratar a covid-19. Ele diz que atualmente em Marabá há vários casos confirmados da doença que estão apresentando sintomas leves ou mesmo assintomáticos.

A ideia é que o uso dos medicamentos seja utilizado para os pacientes que apresentam esse quadro mais brando de saúde e, com as doações, cada um que for confirmado receberá um kit de medicamentos, de acordo com a gestão.

O secretário municipal de Mineração, Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, Ricardo Pugliese, explica que para as empresas é mais fácil adquirir os produtos, pois não há o processo de licitação que ocorre no setor público.

“Um processo de licitação começa em uma fase interna, diante da necessidade da instituição de aquisição, venda, cessão, locação ou contratação de produtos ou serviços. Em seguida, deve ser publicado um edital com as regras da licitação para que todas as empresas aptas a concorrer possam tomar conhecimento”, explica o secretário.

Todo esse processo leva tempo, além da burocracia que é exigida para transparência de tudo. Desse modo, Ricardo reforça que a Prefeitura fica feliz com as doações, pois estão dispostas para uso imediato, o que é crucial em meio à pandemia que se alastra pelo Brasil.

Ricardo revelou exclusivamente para o Correio de Carajás que nessa semana foram feitos novos contatos para solicitar mais doações de insumos para o Município. Entre as empresas contatadas estão a Raizen Distribuidora de Combustíveis, Eletronorte, Equatorial Energia e os Supermercados Mateus, Líder e Atacadão.

A Sinobras e a Correias Mercúrio também foram novamente contatadas para mais doações. Todas essas empresas ficaram de se reunir com suas direções internas para fazer um levantamento do que poderão oferecer à luta contra o coronavírus.

Além disso, o secretário também espera que cheguem recursos da JBS, que anunciou a doação de R$ 700 milhões para medidas de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Deste montante, R$ 400 milhões serão distribuídos para ações no Brasil, especialmente em localidades em que a empresa possua alguma área de atuação, como é o caso de Marabá.

Vale ressaltar que Tião Miranda não aceita repasses de dinheiro para a Prefeitura como doação, apenas aquilo que é de uso já conhecido para combater o coronavírus. (Zeus Bandeira)

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