Foto: Josseli Carvalho
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Com base em dados de 2017 analisados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, Marabá figura mais uma vez dentre as cidades mais violentas do país, desta vez na 14ª posição. O Estado do Pará tem, ainda, mais três cidades dentre as 20 mais violentas.

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Altamira, que sofreu boom de violência após a instalação da usina de Belo Monte, aparece em segundo lugar na lista, atrás apenas do município cearense Maracanaú. O ranking trás, ainda, os paraenses Marituba, em oitavo, e Ananindeua, em décimo quinto, uma posição atrás de Marabá.

Conforme o levantamento, a população estimada pelo IBGE em 2017, em Marabá, era de 271.594 pessoas e foram registrados 239 homicídios no mesmo ano, mais três considerados ocultos, resultando em uma taxa de 89,0. Para efeito de comparação, Belém, a capital do estado, tinha população estimada em 1.452.275 pessoas, tendo registrado 1.072 homicídios e mais 8 ocultos, atingindo taxa menor, de 74,3. Altamira, por sua vez, a segunda colocada, com população de 111.435 habitantes registrou 149 homicídios, uma taxa de 133,7.

O Atlas da Violência – Retrato dos Municípios Brasileiros 2019 é elaborado anualmente em parceria pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A análise divulgada nesta segunda-feira (5) mostra crescimento do número de mortes nas regiões Norte e Nordeste, em cidades pequenas e médias. Dentre as 20 cidades mais violentas, 18 estão nessas duas regiões.

O levantamento destaca que nesses locais o perfil socioeconômico é mais parecido com o de países latino-americanos ou africanos, faltando, em geral, acesso à educação, desenvolvimento infantil e mercado de trabalho. As taxas apresentadas demonstram que nas duas regiões também estão os maiores índices de jovens entre 15 e 24 anos que não estudam, não trabalham e são vulneráveis à pobreza.

De 1997 a 2017, a alta foi de 113% nos municípios com até 100 mil habitantes, e de 12,5% nos municípios entre 100 mil e 500 mil habitantes. Já nas cidades acima de 500 mil habitantes, houve queda de 4,5%.

Conforme o IPEA, o número de homicídios estimados foi obtido pela soma do número de homicídios com o de homicídios ocultos. O conceito de taxa de homicídio estimada por 100 mil habitantes para cada município considera o número de número de homicídios ocultos, ou seja, o número de óbitos classificados como indeterminados, mas que seriam, na verdade, homicídios mal classificados pelos estados.

A análise conclui que o forte crescimento das mortes no Norte e no Nordeste do país está ligado ao acirramento da guerra do narcotráfico pelo domínio das rotas internacionais e pelo controle dos mercados varejistas locais de drogas ilícitas. (Luciana Marschall)

Acesse o estudo na íntegra.

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