Correio de Carajás

Marabá celebra mais um Dia da Consciência Negra

Marabá celebra mais um Dia da Consciência Negra
Eric ressalta que evento reúne participantes de Marabá, Tucuruí, Itupiranga e Parauapebas/ Foto: Chagas Filho
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Nesta quarta-feira (20) é feriado municipal em Marabá, devido ao dia do padroeiro da cidade (São Félix de Valois), mas uma outra data também merece celebração e vem tendo uma programação cada vez maior. Trata-se do Dia da Consciência Negra, uma efeméride nacional que em Marabá é festejada sempre à luz das raízes do município, o Bairro Cabelo Seco, berço do município.

Organizada pelo Coletivo Consciência Negra em Movimento e o Grupo de Mulheres do Cabelo Seco Raízes de Marabá, a festa este ano tem como tema “Apesar da ignorância e do ódio, floresceremos”. E a programação começa às 14h com leitura de um manifesto e logo em seguida haverá exposições fotográficas de alunos da escola “Irmã Teodora” e também de indígenas pertencentes à etnia Gavião Akrãtikatêjê.

No mesmo ambiente – orla do Cabelo Seco – acontece a Feira Afro indígena com a exposição e comercialização de produtos afro indígenas; a Estética Afro, que se caracteriza pela realização de penteados e turbantes pelo Grupo de Mulheres Dandara e Salão de beleza Afrosil.

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Também serão feitas pinturas corporais indígenas (etnia Gavião Akrãtikatêjê), assim como pintura de camisas da IX edição em celebração ao dia da Consciência Negra.

De acordo com Eric de Belém, do Coletivo Consciência Negra em Movimento, a partir das 17h30 haverá apresentação do grupo Conexão Afro da escola da rede pública municipal “Irmã Teodora”, em parceria com o Coletivo Afro Raiz do projeto “Rios de Encontro” bairro Cabelo Seco.

Em seguida, ás 18h acontece a apresentação do Grupo de Tradição Popular Mayrabá, na celebração dos seus 25 anos de resistência. Depois disso, o público poderá acompanhar a dança tradicional dos indígenas pertencentes à etnia Gavião Akrãtikatêjê.

Um dos momentos mais aguardados está agendado para as 19h: a apresentação dos documentários: “As lavadeiras” e “Povo Gavião Akrãtikatêjê”; seguido pelo Arrastão Consciência Negra em Movimento; apresentação do Boi Bumbá “Flor do Campo” do bairro Liberdade; e o projeto Arte sem Fronteiras com a coreografia “Filhos da Senzala”.

Finalizando a programação cultural, acontece a Batalha de Rap B-Boys e MC Café, seguido por uma apresentação de reggae do DJ Japa Pedra e apresentação cultural da Banda Negra Melodia em parceria Carol e Rodrigues do grupo Baobá, como ápice da festa.

“O evento se propõe a promover reflexões acerca da situação racial não só em nível nacional, mas também as particularidades do município de Marabá”, observa Eric de Belém, durante entrevista ao CORREIO. Ele observa que o bairro Cabelo Seco é emblemático, a começar pelo próprio nome, que remete às mulheres do cabelo seco, que eram negras e foram as primeiras habitantes do local que fica no encontro dos rios Itacaiúnas e Tocantins.

O ativista observa que primeiramente é preciso reconhecer a invisibilidade que se tinha sobre a negritude de Marabá, embora o negro tenha contribuído fortemente na historicidade, na formação social e identitária do município.

Expressão “consciência humana” nasceu da “ignorância”, diz Eric

Ao falar sobre a “consciência humana”, que sempre pipoca nas redes sociais quando se aproxima o Dia da Consciência Negra, Eric de Belém diz que lamentavelmente se trata de um processo de ignorância, pois toda situação do negro no Brasil é fruto justamente da ausência de políticas públicas para fomentar essa parcela da sociedade.

“A gente percebe que por mais de três séculos os negros foram explorados e com o advento da abolição da escravatura o que se fez foi justamente relegar esses indivíduos a sua própria sorte. Aí quando se fala da consciência humana se desconsidera toda uma política que foi desenvolvida para impedir a ascensão desse povo”, explica.

Ele vai mais longe: “O povo negro não teve acesso à terra, não teve acesso a estudo, não teve acesso a um conjunto de políticas que poderia dignificar a sua vida. Assim, quando alguém fala em consciência humana se quer diminuir justamente as reivindicações por todas essas mazelas que foram ocasionadas por mais de três séculos para essa população”. Eric chama atenção para o fato de que passados mais de 130 anos de abolição da escravidão no Brasil até hoje não ocorreu a ascensão dessa parte da sociedade e até mesmo as poucas políticas públicas que começaram a promover um conjunto de benefícios a essa parcela do povo brasileiro estão sendo agora combatidas e esvaziadas. (Chagas Filho)

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