Correio de Carajás

Marabá: Caminhada pelo Autismo mobiliza famílias e cobra políticas públicas

Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 11/04/2026 11h10

A manhã deste sábado, 11 de abril, foi marcada por um forte movimento de conscientização e luta por direitos em Marabá. Dezenas de pessoas, a maioria vestindo azul — cor símbolo da causa —, participaram da 4ª Caminhada pelo Autismo. A ação, realizada anualmente pela Rede de Apoio a Mães e Pais Atípicos (Rampa), teve como lema este ano: “Autonomia se constrói com apoio”.

A concentração teve início às 8 horas, em frente à Secretaria de Saúde, localizada à margem da rodovia BR-230, no Complexo Cidade Nova. Pouco antes das 9 horas, o grupo iniciou o trajeto pela rodovia em direção ao centro da Cidade Nova, passando em frente à Câmara Municipal e a diversas empresas do comércio local. O ponto de culminância, como já é tradição desde a primeira edição, foi a Praça São Francisco.

Durante todo o percurso, os participantes empunhavam cartazes e faixas com frases alusivas ao movimento. Um carro de som acompanhava a multidão, transmitindo mensagens ao público em geral sobre as motivações da caminhada, bem como as lutas diárias e as demandas urgentes das famílias atípicas.

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Para garantir a segurança dos manifestantes, equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Municipal de Trânsito e Transporte (DMTU) balizaram o trânsito e acompanharam a caminhada até o destino final. Apesar do esquema de segurança, o fluxo na rodovia gerou reflexos no trânsito pesado da cidade, que apresentou tráfego lento durante a manhã.

Vozes da mobilização

A caminhada reuniu tanto veteranos da causa quanto pessoas que participavam pela primeira vez. É o caso de Fátima Souza, mãe de um autista, que fez questão de marcar presença. “Olha, essa turma está de parabéns, pois pouca gente é por nós. Precisamos de todo o apoio e, principalmente, avançar com políticas voltadas para esse atendimento. Não podemos nos calar”, declarou.

O sentimento de urgência por mais inclusão também foi compartilhado por Augusto Ferreira. “Conheci esse trabalho da Rampa já tem algum tempo e esse pessoal é guerreiro. Eles vão atrás das coisas e estão conseguindo fazer um barulho bom. Temos muito caminho pela frente pra chegar a um mundo mais inclusivo”, comentou.

“O nosso evento é uma forma simbólica de mostrar pra sociedade marabaense a nossa força, a nossa luta, que estamos juntos reivindicando as nossas pautas de sempre. Entre elas o apoio na escola, questões que envolvem medicação, apoio especializado. A Rampa hoje é uma associação que luta por isso”, destaca Jane Nascimento Bezerra, psicopedagoga.

A Rampa conta com quase 100 associados, mas o movimento tem mais de 700 famílias cadastradas, segundo explica Jane.

Vanessa Matos Frazão tem filha autista e estava presente à caminhada. Ela lamentou, em entrevista ao Correio, que Marabá ainda esteja atrasada no apoio às famílias atípicas.

Evolução do movimento

A mobilização em Marabá vem ganhando força a cada ano. Na primeira edição, realizada em 2 de abril de 2023 (Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo), o evento reuniu mais de 300 pessoas sob o lema “Mais informação, menos preconceito”. Naquela ocasião, a organização já destacava a importância de mostrar à sociedade que “lugar de autista é em todo lugar”.

O que é o TEA

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição caracterizada por comprometimento na comunicação e interação social, associado a padrões de comportamento restritivos e repetitivos. Os sinais começam na primeira infância e persistem por toda a vida.

A condição acomete cerca de 1 a 2% da população mundial, com maior prevalência no sexo masculino. As causas são multifatoriais, com grande influência genética e participação de aspectos ambientais. O TEA pode vir acompanhado de outras condições, como TDAH, depressão, epilepsia e deficiência intelectual.

O tratamento é baseado em terapias de reabilitação direcionadas às necessidades de cada indivíduo, envolvendo uma equipe multidisciplinar. O objetivo principal é melhorar a funcionalidade social, as habilidades de comunicação e proporcionar maior qualidade de vida e autonomia.  (Com informações de Josseli Carvalho)

No clique: Adriana Araújo e filha Maria Cecília, mais Adriana Vitoriano e pequena Maria Cibele | Fotos: Josseli Carvalho