Correio de Carajás

Marabá cai de categoria no selo de alfabetização do MEC e perde para 11 municípios do sul e sudeste do Pará

Essa disparidade levanta questionamentos sobre os rumos da educação em Marabá sob a atual administração

Foco na mão de uma criança escrevendo com lápis em um caderno de caligrafia.
A comparação expõe fragilidade na gestão educacional no município
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 06/03/2026 16h28

Um balde de água fria para a maior e mais importante cidade do sudeste paraense. O resultado da 2ª Edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) em fevereiro de 2026, revelou um retrocesso para Marabá: o município caiu da categoria Ouro, conquistada na primeira edição (2024), para a categoria Prata. A queda acende um alerta sobre a qualidade da educação básica e a eficácia das políticas públicas de alfabetização, especialmente por ocorrer no primeiro ano da gestão do prefeito Toni Cunha (2025).

O selo, que avalia o desempenho dos municípios na alfabetização de crianças na idade certa, serve como um termômetro da gestão educacional. A primeira edição, cujos resultados foram referentes ao ano de 2024, colocou Marabá no seleto grupo de municípios com desempenho de excelência, garantindo-lhe o Selo Ouro. A conquista, à época, foi celebrada como um marco da administração anterior.

Contudo, os dados mais recentes, referentes ao ano de 2025, mostram uma realidade diferente. Enquanto Marabá regredia para a categoria Prata, 11 municípios vizinhos, com orçamentos e populações significativamente menores, não apenas alcançaram a categoria Ouro, como alguns a mantiveram pela segunda vez consecutiva.

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A comparação expõe uma fragilidade na gestão educacional do gigante do sul e sudeste do Pará, que se viu superado por cidades como Curionópolis, Tucuruí, Brejo Grande do Araguaia, Breu Branco, Canaã dos Carajás, Conceição do Araguaia, Floresta do Araguaia, Palestina do Pará, Rio Maria, Rondon do Pará e São Geraldo do Araguaia.

Essa disparidade levanta questionamentos sobre os rumos da educação em Marabá sob a nova administração. A perda do Selo Ouro no primeiro ano de governo de Toni Cunha sugere uma possível descontinuidade nas políticas que levaram ao sucesso anterior ou uma falta de eficácia na implementação de novas estratégias.

Enquanto a prefeitura, em março de 2025, chegou a divulgar que havia conquistado o Selo Ouro, os dados oficiais do MEC, consolidados nos PDFs da 2ª edição, confirmam a classificação como Prata, indicando uma desconexão entre a comunicação oficial e o resultado final.

O exemplo que vem de perto

Em um contraste direto com a situação de Marabá, o município de Curionópolis, com uma população quase dez vezes menor, consolida-se como uma referência de excelência em alfabetização no Pará e na região Norte.

Pela segunda vez consecutiva, Curionópolis não apenas conquistou o Selo Ouro, como também alcançou o 1º lugar no programa Alfabetiza Pará, com a impressionante nota 8,7. Este índice significa que 87 de cada 100 alunos da rede municipal apresentam desempenho excelente em leitura e escrita.

O sucesso de Curionópolis não é um acaso, mas sim o resultado de uma política educacional consistente e bem estruturada, que sobreviveu à transição de gestões e se fortaleceu. A Prefeitura credita a conquista a um trabalho contínuo e coletivo, que envolve investimentos na formação de professores, acompanhamento pedagógico rigoroso, melhoria da infraestrutura escolar e um compromisso claro com a alfabetização na idade certa.

O desafio de Marabá

Marabá, com seu vasto orçamento impulsionado pela mineração, comércio, indústria e pelo agronegócio, tem a obrigação de oferecer uma educação de ponta. A queda para a categoria Prata no Selo do MEC é mais do que uma simples perda de status; é um indicativo de que os recursos disponíveis podem não estar sendo convertidos em resultados efetivos na sala de aula.

Os dados da 2ª edição do Selo, embora não detalhem a pontuação final de cada município nos documentos de ampla divulgação, revelam em notas técnicas indicadores preocupantes para Marabá.

Em um dos documentos, o município aparece com uma pontuação de 51,5 em um indicador de desigualdade na alfabetização, um número que, embora não represente a nota final, sugere desafios a serem superados.

Para a comunidade escolar e para os pais de alunos, o resultado é uma fonte de frustração. A expectativa é de que a maior potência econômica da região seja também uma liderança em serviços públicos essenciais, como a educação. A comparação com municípios menores e mais eficientes serve como um chamado à ação para a gestão do prefeito Toni Cunha.

O desafio para Marabá é claro: reavaliar suas estratégias, entender as razões da queda e aprender com os exemplos de sucesso que florescem em seu próprio quintal. A reconquista do Selo Ouro não deve ser vista apenas como uma meta burocrática, mas como um compromisso fundamental com o futuro de milhares de crianças que dependem da rede pública para serem devidamente alfabetizadas e terem uma chance real de desenvolvimento.