Correio de Carajás

Mais de 10 mil artefatos arqueológicos encontrados na Serra das Andorinhas

Pesquisadores fizeram escavações no sítio arqueológico da Vila Santa Cruz, localizada no Parque Estadual Serra das Andorinhas

Na Vila Santa Cruz, pesquisadores fizeram minucioso trabalho de escavação para encontrar material arqueológico valioso

No dia 18 de julho último foi dada a largada para as aulas práticas do curso de Especialização em Cultura Material e Arqueologia, uma parceria da Fundação Casa da Cultura de Marabá e a Universidade de Passo Fundo, do Rio Grande do Sul.

A primeira etapa das aulas iniciou na Vila Santa Cruz, localizada no Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas, no município de São Geraldo do Araguaia, onde foram encontrados 10.200 artefatos. Com um grande potencial, o sítio arqueológico possui uma vasta quantidade de material para ser estudado.

Ao longo de cinco dias, 22 alunos estiveram em campo colocando, literalmente, a mão na massa. Supervisionados por quatro professores, os alunos aprenderam todas as etapas do processo, principalmente a ter responsabilidade com os materiais de prospecção de campo, responsabilizando-se pela higienização, catalogação e estudos das peças.

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Professores do curso de Especialização em Cultura Material e Arqueologia com alunos durante aula prática

Para a coordenadora do curso, Jacqueline Ahlert, a primeira semana de aulas práticas foram de construção de conhecimento. “Todos os alunos estavam conectados e engajados em conhecer essas metodologias arqueológicas, teorias de escavação, vários procedimentos, documentação, e também a convivência com os colegas. Aqui tem alunos de vários lugares do Brasil, que criaram vínculo afetivo muito legal, e com certeza vai ter continuidade. E a partir de agora estamos em aulas laboratoriais. Fizemos um trabalho impressionante na Vila Santa Cruz, a turma toda estava comprometida.”

“Os alunos estão encantados. Pudemos presenciar eles vibrando com cada artefato encontrado no sítio arqueológico da Vila Santa Cruz. Proporcionar essa experiência é gratificante. Teremos, a partir de agora, profissionais altamente capacitados para atuar no município e na região”, adiantou a presidente da FCCM, Vanda Américo.

A segunda etapa das aulas práticas aconteceu nos laboratórios da FCMM.

Museu Municipal Francisco Coelho

A visita ao Museu Municipal Francisco Coelho foi incluída no cronograma das aulas, em especial a sala de arqueologia. Os alunos puderam conhecer e analisar as peças que fazem parte do acervo municipal.

Durante as aulas os alunos aprenderam sobre prospecção de materiais em campo, responsabilidade pela higienização e catalogação.

Daiane Pereira, arqueóloga e professora do Instituto de Pesquisa Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, no Núcleo de Arqueologia, é responsável pelo setor de curadoria arqueológica e foi convidada pela UPF para participar do curso de especialização.

“Estou acompanhando essa turma desde o início do ano através das aulas remotas, e agora estamos nas aulas práticas de curadoria arqueológica. Adorei o conhecer o museu. Na verdade, fiquei encantada com o trabalhado da Casa da Cultura. Foi enriquecedora essa oportunidade de vir à Marabá, ministrar essas aulas, conhecer todos esses espaços.

Pesquisadores também conheceram artefatos arqueológicos localizados no Museu de Marabá

A sala de arqueologia do MMFC possui duas contribuições de dois alunos da turma e isso emocionou a professora. “Percebo o envolvimento do trabalho com a comunidade, que é fundamental. Vejo essas pesquisas bem fundamentadas, peças bem conservadas, com equipamentos atualizados, gostei bastante. Quem vem de fora consegue conhecer e entender o que é Marabá através do museu”, diz Daiane.

De Parauapebas, Sandra dos Santos é aluna do curso de especialização em arqueologia. Ela, que atua com o Projeto Centro Mulheres de Barro, decidiu fazer a pós-graduação porque já desenvolve um trabalho com cerâmica. “Ela leva os vestígios arqueológicas, e uma especialização nessa área fortalece ainda mais o meu trabalho”.

Visitando o museu pela primeira vez, a aluna achou muito interessante a forma como a história de Marabá é contada, através da antiguidade e modernidade.
“Nossas aulas, tanto na Vila Santa Cruz como agora no laboratório, estão sendo muito interessantes. Nunca imaginei que fossemos participar de um trabalho tão importante em apenas uma semana, que foi a aula de campo. Foi muito intenso”, fala.

Durante o passeio pelo Francisco Coelho, a presidente da FCCM, Vanda Américo, adiantou aos alunos presentes que em breve haverá uma exposição do Centro Mulheres de Barro, no salão temporário. “Fiquei feliz com essa oportunidade”, agradeceu o convite.

Com um contexto histórico e que retrata várias etapas da história de Marabá, o Museu Francisco Coelho preserva o acervo regional. Alunos e professores conheceram todas as salas do local acompanhados de uma educadora museau e de Vanda Américo.

“Temos alunos e professores de várias partes do Brasil e todo mundo ficou encantado. Pra gente, que faz parte desse sonho de ter um museu em Marabá, é muito gratificante ver que as pessoas entenderam a concepção do museu e ficam emocionadas. Museu moderno, contemporâneo e com muita história”, finaliza Vanda.

Na parte externa do Museu, músicos da FCCM embalaram o bate papo entre alunos e professores com o ritmo paraense.

Em breve, o Correio de Carajás irá divulgar uma reportagem especial sobre as aulas práticas na Vila Santa Cruz, no município de São Geraldo do Araguaia. (Ana Mangas)

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