Correio de Carajás

MÃE E PADRASTO: 102 anos de solidão na cadeia

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Chagas Filho

 

Exatamente um ano e sete meses depois do assassinato da pequena Maria Eduarda Félix Lourenço, de apenas 11 anos de idade, em São Domingos do Araguaia, os acusados do brutal assassinato sentaram no banco dos réus e foram condenados. Por quatro votos a três, a mãe da vítima, Maria Rodrigues Félix, foi condenada a 52 anos de prisão, e o padrasto José Soares de Oliveira pegou 50 anos de cadeia. A defesa já antecipou que vai recorrer da decisão.

Leia mais:

A pena foi alta por causa das chamadas qualificadoras, que no caso se constituíram na crueldade com a vítima (que teve parte do corpo queimada) e ainda na ocultação do cadáver.

Presidido pelo juiz Luciano Mendes Scaliza, o julgamento durou dois dias. Num primeiro momento – na terça-feira (20) – foram ouvidas nada menos de 15 testemunhas, entre populares que tinham alguma ligação com a vítima e os acusados. Peritos que participaram das buscas ao corpo da criança também foram ouvidos. Já num segundo momento – ontem (21) – foram tomados os depoimentos dos réus.

Defendidos pelos advogados Wandergleisson Fernandes, Arnaldo Ramos, Marcel Affonso e Plínio Turiel, os acusados negaram a autoria do crime. Mas não conseguiram convencer a maioria dos jurados. Quatro deles confiaram nos argumentos dos promotores Samuel Furtado Sobral e Francisca Suênia Fernandes Sá, de que José Soares matou a criança, depois de ter abusado sexualmente dela, e a mãe da vítima acobertou o companheiro.

Amigos e familiares da vítima e dos acusados lotaram o plenário da Câmara Municipal de São Domingos do Araguaia, onde aconteceu o julgamento. Até mesmo crianças que estudavam com a vítima compareceram ao julgamento, levando uma faixa na qual diziam que os estudantes da escola sentirão saudades eternas de Maria Eduarda. Uma parenta da menina chegou a passar mal durante o depoimento de Maria Félix e teve de ser amparada por outros familiares e amigos que a retiraram do prédio.

Enfim, o clima durante o julgamento não era de revolta, mas de extrema comoção, até porque a morte de Maria Eduarda foi bárbara. Ela foi encontrada seminua com parte do corpo queimado e apresentava cortes pelo corpo.

Na época, as fotos da criança vazaram nas redes sociais e houve protesto dos moradores tanto pela demora em encontrar o corpo quanto em relação aos acusados, que foram ouvidos pela Polícia Civil logo após o cadáver ter sido encontrado e não puderam participar do velório devido à revolta dos moradores, que já davam como certa a autoria do crime.

E é justamente por conta dessa comoção social que os advogados dos réus entendem que a decisão do júri foi mais baseada na emoção do que nas provas. Eles criticaram a estratégia da defesa de fazer perguntas sobre o relacionamento da mãe com a filha – como forma de passar uma imagem de mãe má para os jurados e para o público – e não apresentarem nenhuma prova material.

Por outro lado, o depoimento prestado pela mãe e pelo padrasto da criança apresentou contradições em relação ao que disseram algumas testemunhas um dia antes. O casal teria sido visto numa seresta na noite anterior ao crime, mas ambos negaram ter estado na tal seresta, mesmo diante da confirmação das testemunhas.

Durante o depoimento, uma testemunha também disse que o acusado José Soares assediava a pequena Maria Eduarda, que se sentia desprotegida pela mãe, a qual foi acusada também de descontar na filha os problemas de relacionamento que tinha com o companheiro. Mas a mãe Maria Félix negou que isso ocorresse. Mas a versão dos acusados não convenceu a maioria dos jurados.

Chagas Filho

 

Exatamente um ano e sete meses depois do assassinato da pequena Maria Eduarda Félix Lourenço, de apenas 11 anos de idade, em São Domingos do Araguaia, os acusados do brutal assassinato sentaram no banco dos réus e foram condenados. Por quatro votos a três, a mãe da vítima, Maria Rodrigues Félix, foi condenada a 52 anos de prisão, e o padrasto José Soares de Oliveira pegou 50 anos de cadeia. A defesa já antecipou que vai recorrer da decisão.

A pena foi alta por causa das chamadas qualificadoras, que no caso se constituíram na crueldade com a vítima (que teve parte do corpo queimada) e ainda na ocultação do cadáver.

Presidido pelo juiz Luciano Mendes Scaliza, o julgamento durou dois dias. Num primeiro momento – na terça-feira (20) – foram ouvidas nada menos de 15 testemunhas, entre populares que tinham alguma ligação com a vítima e os acusados. Peritos que participaram das buscas ao corpo da criança também foram ouvidos. Já num segundo momento – ontem (21) – foram tomados os depoimentos dos réus.

Defendidos pelos advogados Wandergleisson Fernandes, Arnaldo Ramos, Marcel Affonso e Plínio Turiel, os acusados negaram a autoria do crime. Mas não conseguiram convencer a maioria dos jurados. Quatro deles confiaram nos argumentos dos promotores Samuel Furtado Sobral e Francisca Suênia Fernandes Sá, de que José Soares matou a criança, depois de ter abusado sexualmente dela, e a mãe da vítima acobertou o companheiro.

Amigos e familiares da vítima e dos acusados lotaram o plenário da Câmara Municipal de São Domingos do Araguaia, onde aconteceu o julgamento. Até mesmo crianças que estudavam com a vítima compareceram ao julgamento, levando uma faixa na qual diziam que os estudantes da escola sentirão saudades eternas de Maria Eduarda. Uma parenta da menina chegou a passar mal durante o depoimento de Maria Félix e teve de ser amparada por outros familiares e amigos que a retiraram do prédio.

Enfim, o clima durante o julgamento não era de revolta, mas de extrema comoção, até porque a morte de Maria Eduarda foi bárbara. Ela foi encontrada seminua com parte do corpo queimado e apresentava cortes pelo corpo.

Na época, as fotos da criança vazaram nas redes sociais e houve protesto dos moradores tanto pela demora em encontrar o corpo quanto em relação aos acusados, que foram ouvidos pela Polícia Civil logo após o cadáver ter sido encontrado e não puderam participar do velório devido à revolta dos moradores, que já davam como certa a autoria do crime.

E é justamente por conta dessa comoção social que os advogados dos réus entendem que a decisão do júri foi mais baseada na emoção do que nas provas. Eles criticaram a estratégia da defesa de fazer perguntas sobre o relacionamento da mãe com a filha – como forma de passar uma imagem de mãe má para os jurados e para o público – e não apresentarem nenhuma prova material.

Por outro lado, o depoimento prestado pela mãe e pelo padrasto da criança apresentou contradições em relação ao que disseram algumas testemunhas um dia antes. O casal teria sido visto numa seresta na noite anterior ao crime, mas ambos negaram ter estado na tal seresta, mesmo diante da confirmação das testemunhas.

Durante o depoimento, uma testemunha também disse que o acusado José Soares assediava a pequena Maria Eduarda, que se sentia desprotegida pela mãe, a qual foi acusada também de descontar na filha os problemas de relacionamento que tinha com o companheiro. Mas a mãe Maria Félix negou que isso ocorresse. Mas a versão dos acusados não convenceu a maioria dos jurados.

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