Correio de Carajás

Luto de cacique Gavião acaba com choro, celebrações e o delicioso berarubu

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Dois dias sobrecarregados de atividades na aldeia do povo Gavião Parkatêjê reúnem centenas de pessoas nesta quarta, 18, e quinta-feira, 19 de outubro. A comunidade está encerrando um ano de luto pela morte do maior líder de sua história, o cacique e também capitão Krôhôkrenhum, que faleceu na madrugada do dia 19 de outubro de 2016.

E a programação está sendo liderada agora pelo novo cacique e filho de Krôhôkrenhum, Akroiarere Pojaretiti Parkatêjê, contando com a participação de membros diversas etnias indígenas, entre os quais Kraô, Xicrin do Cateté, Guarani, Sororó e Aikewara, que se juntaram em uma grande celebração que foi marcada por choro, memórias do Capital e ainda uma celebração com corrida da tora grande, música, dança e ainda a “cereja do bolo”, ou seja, um berarubu coletivo.

E o novo cacique explica de forma didática o que é e como se prepara o berarubu. Este ano, segundo ele, os indígenas utilizaram carne de animais silvestres (veado e anta), que foi temperada, depois embrulhada numa massa de mandioca e envolvida em diversas folhas de bananeira. Depois, cava-se um buraco no chão, faz-se uma fogueira e coloca o produto lá dentro por pelo menos quatro horas. Depois de retirada, é levada para um local central, onde cada indígena pode retirar um pedaço para si e sua família.

Leia mais:

E os 40 quilos de berarubu que estavam na festa foram compartilhados com “parentes” de outras etnias e ainda alguns visitantes “brancos”, como professores da Unifesspa que foram prestigiar o evento.

Também hoje foram realizadas corrida de varinha, jogos de flecha e haverá um jantar logo mais à noite. Amanhã, quinta-feira, a programação será retomada às 9 horas, com apresentação cultural, dança e corrida de tora. Às 10 horas haverá cerimônia de abertura do Instituto Krôhôkrenhum, que passa a funcionar na antiga residência do líder Capitão. À tarde, haverá novamente jogos de flecha e uma confraternização através de jogos de futebol de campo.

O cacique Akroiarere Pojaretiti Parkatêjê explica que o povo Gavião passou um ano sem se pintar, desde a morte de Krôhôkrenhum e agora, oficialmente, “vão começar a trabalhar e pensar na comunidade. Meu pai era o cantor da festa e três novos cantores ensaiaram bastante para ocupar o lugar dele”, diz o cacique.

Akroiarere observa o legado deixado por seu pai será preservado e o grande sonho dele de lutar em favor dos povos indígenas menos favorecidos vai se concretizar por intermédio do Instituto que leva seu nome.

O novo cacique tem 43 anos de idade, é o primogênito entre os filhos (homens) de Krôhôkrenhum e hierarquicamente, entre os Gavião, o filho mais velho assume o posto após a morte do pai. Todavia, o próprio Krôhôkrenhum já vinha trabalhando com Akroiarere para que ele estivesse preparado quando esse momento chegasse. “Ele me disse que estava cansado e fui sendo preparado com o passar do tempo. Comecei a cursar faculdade de Direito para entender as leis dos brancos e lutar pelos direitos do meu povo. Parei momentaneamente por causa da morte de meu pai, que me pediu com muita insistência para, como líder, abraçar sempre o nosso povo”, diz.

E o conselho do pai, diz Akroiarere, está sendo seguido, mas reconhece que algumas normas internas serão modificadas. Ele fala em realização de projetos para resgatar a cultura do povo Gavião, mas também fortalecendo a educação e melhorando os serviços de saúde. “Somos reconhecidos como indígenas e temos de manter nossas tradições, valorizando a sabedoria dos mais velhos da nossa comunidade”, garante. (Ulisses Pompeu)

Dois dias sobrecarregados de atividades na aldeia do povo Gavião Parkatêjê reúnem centenas de pessoas nesta quarta, 18, e quinta-feira, 19 de outubro. A comunidade está encerrando um ano de luto pela morte do maior líder de sua história, o cacique e também capitão Krôhôkrenhum, que faleceu na madrugada do dia 19 de outubro de 2016.

E a programação está sendo liderada agora pelo novo cacique e filho de Krôhôkrenhum, Akroiarere Pojaretiti Parkatêjê, contando com a participação de membros diversas etnias indígenas, entre os quais Kraô, Xicrin do Cateté, Guarani, Sororó e Aikewara, que se juntaram em uma grande celebração que foi marcada por choro, memórias do Capital e ainda uma celebração com corrida da tora grande, música, dança e ainda a “cereja do bolo”, ou seja, um berarubu coletivo.

E o novo cacique explica de forma didática o que é e como se prepara o berarubu. Este ano, segundo ele, os indígenas utilizaram carne de animais silvestres (veado e anta), que foi temperada, depois embrulhada numa massa de mandioca e envolvida em diversas folhas de bananeira. Depois, cava-se um buraco no chão, faz-se uma fogueira e coloca o produto lá dentro por pelo menos quatro horas. Depois de retirada, é levada para um local central, onde cada indígena pode retirar um pedaço para si e sua família.

E os 40 quilos de berarubu que estavam na festa foram compartilhados com “parentes” de outras etnias e ainda alguns visitantes “brancos”, como professores da Unifesspa que foram prestigiar o evento.

Também hoje foram realizadas corrida de varinha, jogos de flecha e haverá um jantar logo mais à noite. Amanhã, quinta-feira, a programação será retomada às 9 horas, com apresentação cultural, dança e corrida de tora. Às 10 horas haverá cerimônia de abertura do Instituto Krôhôkrenhum, que passa a funcionar na antiga residência do líder Capitão. À tarde, haverá novamente jogos de flecha e uma confraternização através de jogos de futebol de campo.

O cacique Akroiarere Pojaretiti Parkatêjê explica que o povo Gavião passou um ano sem se pintar, desde a morte de Krôhôkrenhum e agora, oficialmente, “vão começar a trabalhar e pensar na comunidade. Meu pai era o cantor da festa e três novos cantores ensaiaram bastante para ocupar o lugar dele”, diz o cacique.

Akroiarere observa o legado deixado por seu pai será preservado e o grande sonho dele de lutar em favor dos povos indígenas menos favorecidos vai se concretizar por intermédio do Instituto que leva seu nome.

O novo cacique tem 43 anos de idade, é o primogênito entre os filhos (homens) de Krôhôkrenhum e hierarquicamente, entre os Gavião, o filho mais velho assume o posto após a morte do pai. Todavia, o próprio Krôhôkrenhum já vinha trabalhando com Akroiarere para que ele estivesse preparado quando esse momento chegasse. “Ele me disse que estava cansado e fui sendo preparado com o passar do tempo. Comecei a cursar faculdade de Direito para entender as leis dos brancos e lutar pelos direitos do meu povo. Parei momentaneamente por causa da morte de meu pai, que me pediu com muita insistência para, como líder, abraçar sempre o nosso povo”, diz.

E o conselho do pai, diz Akroiarere, está sendo seguido, mas reconhece que algumas normas internas serão modificadas. Ele fala em realização de projetos para resgatar a cultura do povo Gavião, mas também fortalecendo a educação e melhorando os serviços de saúde. “Somos reconhecidos como indígenas e temos de manter nossas tradições, valorizando a sabedoria dos mais velhos da nossa comunidade”, garante. (Ulisses Pompeu)

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