Correio de Carajás

Logística para distribuir 9.299 vacinas contra covid em Marabá envolve 400 policiais

Com status de raridade, as 9.299 doses da vacina contra a covid-19 chegaram a Marabá na madrugada desta terça-feira, 19, e a partir de então o imunizante começou a ser escoltado pela Polícia Militar até a sede do 11º Centro Regional de Saúde da Sespa, localizada em frente ao Pátio Shopping Marabá, na Rodovia Transamazônica.

Toda a logística de segurança montada previamente pelo CPR II (Comando de Policiamento Regional) foi pensada em dar suporte à Sespa e também aos 21 municípios desta região que recebem as vacinas de rotina em Marabá.

Só na sede da Sespa havia cerca de 15 policiais, coordenados pelo coronel PM Sabbá. Os municípios começaram a receber as vacinas bem cedo, a partir de 6 horas da manhã, porque vários secretários de saúde da região haviam pernoitado em Marabá. “Fizemos escolta das vacinas desde que chegaram no Aeroporto local, por volta de 3h30 da madrugada. A equipe da Cime atuou nesta empreitada e estamos fazendo a guarda até que todos os 21 municípios venham buscar seus imunizantes”.

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Ainda segunda Sabbá, os secretários de saúde de cada um dos municípios da região foram procurados previamente e já vieram de suas cidades escoltados pela guarnição local e retornam com o mesmo apoio.

“Chegando em seus municípios, se a vacina ficar guardada na sede da Secretaria de Saúde, a guarnição vai dar apoio até que comece a vacinação. Caso a vacina precise ser deslocada para unidades afastadas, nossa equipe vai fazer escolta também para evitarmos tentativa de roubou ou até mesmo tumulto por pessoas que queiram ser vacinadas e não estejam incluídas neste primeiro grupo. Estamos usando metade do efetivo regional para dar suporte à logística da vacina, com cerca de 400 homens”, revelou.

O secretário de Parauapebas, Gilberto Laranjeiras, informou que a vacinação no município inicia hoje, a partir de 15 horas, com a maior cota de vacinas da região: 2.296 doses, sendo que 1.015 estão reservadas para os indígenas da TI Cateté.

Ele reconhece que a quantidade é pouca, diante da grande demanda, mas observa que nesta primeira etapa, as vacinas serão aplicadas em parte dos cerca de 3.000 profissionais de saúde que atuam em hospitais e unidades básicas de saúde. “A maioria deles trabalha na linha de frente da covid-19 e esperamos que o mais breve possível sejam disponibilizadas mais doses da vacina para contemplarmos todos os munícipes”, disse Laranjeiras.

O secretário creditou o fato de Parauapebas ser referência regional em epidemiologia a uma série de fatores e envolvimento de pessoas, desde o prefeito Darci Lermen, passando pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde, que realizou exame em massa de PCR, identificando pacientes sintomáticos e assintomáticos.

Benedito Costa Ferreira, secretário de Saúde de Brejo Grande do Araguaia, também esteve na sede da Sespa em Marabá nas primeiras horas desta terça-feira e disse que a covid-19 recrudesceu em seu município e vacinar parte dos profissionais de saúde que estão na linha de frente é importante para proteger as pessoas. “Recebemos só 40 doses da vacina e vamos priorizar os trabalhadores do hospital de nosso município”, antecipou, dizendo que até o momento houve três óbitos em Brejo Grande, com mais de 680 casos registrados.

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O prefeito Tião Miranda, de Marabá, que aguardava o governador Helder Barbalho no Aeroporto local, na manhã desta terça-feira, considerou que 1.609 doses da vacina para seu município é um percentual baixo, já que há mais de 4.000 trabalhadores na saúde pública, sem contar os que atuam no sistema privado. “Esperamos que venham logo mais doses para imunizarmos o povo de nosso município”, disse Miranda.

João Chamon Neto, secretário Regional de Governo do Sudeste do Pará, avalia que este momento é o início do fim do pesadelo com a covid-19, que já causou mais de 880 óbitos na região sudeste do Pará. “Graças a Deus o governador Helder Barbalho demonstrou grande preocupação e empenho em todos os momentos desta pandemia. Ele está vindo aqui para iniciar a campanha de vacinação com as minorias, indo à aldeia do povo Gavião Kyikatejê para imunização do primeiro indígena do Pará. Esperamos que logo, logo possamos voltar ao normal e retomar o curso da nossa convivência”, destaca Chamon. (Ulisses Pompeu e Zeus Bandeira)