O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) tornou réu Gabriel de Sá Campos, 30 anos, por abusar sexualmente de oito adolescentes que frequentavam a Igreja Batista Filadélfia, no Guará 2.
Tido como um “serial estuprador”, ele foi preso temporariamente em 19 de dezembro do ano passado pela Polícia Civil do DF (PCDF). Na última quarta-feira (11/2), o ex-líder religioso teve a prisão convertida em preventiva.
Gabriel permanecia detido no Departamento de Polícia Especializada da PCDF. A coluna Na Mira apurou que ele deve ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda nesta sexta-feira (13/2).
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Abusos premeditados
As investigações da 4ª Delegacia de Polícia (Guará) revelaram que o homem utilizava sua posição de liderança para ter acesso privilegiado às vítimas, explorando a confiança depositada pelas famílias para cometer os abusos de forma recorrente e premeditada contra jovens do sexo masculino.
A operação identificou um padrão sistemático de crimes que se estendeu por pelo menos seis anos dentro da instituição religiosa.
O modus operandi empregado por Gabriel demonstrou requintes de manipulação psicológica e planejamento meticuloso. Ele também se aproveitava de sua função como instrutor de um curso de “integridade sexual” oferecido pela igreja para adolescentes e obteve informações íntimas sobre as vulnerabilidades emocionais dos menores.
Um dos abusos sexuais teria acontecido nas dependências da igreja, em uma festa do pijama sob responsabilidade do suspeito.
As denúncias apontam que o então membro da congregação também chamava as vítimas para assistir a filmes na casa dele como pretexto para cometer os crimes sexuais.
De acordo com relatos, ele acariciava as partes íntimas das crianças, que se incomodavam e pediam para parar, porém ele continuava fazendo insistentemente. Para cessar as importunações, alguns rapazes se escondiam no banheiro ou pediam para os pais buscá-los.
Violência precoce
Os relatos revelam um padrão de violência precoce: abusos contra vítimas do sexo masculino, iniciados aos 10 e 12 anos em dois casos; um adolescente, alvo dos 13 aos 17 anos; e uma quarta vítima, aos 16.
As investigações ainda apontam que as vítimas não teriam sido concomitantes. O suspeito criava laços com um dos alvos até cometer os abusos. Depois que o menor se afastava, o ex-líder se aproximava de outro jovem.
Os casos denunciados que estão em investigação teriam ocorrido desde 2019. Uma das vítimas, inclusive, já atingiu a maioridade.
A Justiça do DF determinou busca e apreensão domiciliar, quebra de sigilo telemático, quebra de sigilo telefônico dos últimos cinco anos e medidas protetivas, incluindo proibição de aproximação em um raio de 300 metros das vítimas e afastamento imediato de todas as funções religiosas, do acusado.
“Ato involuntário”
Quando tomou conhecimento de um dos casos, em dezembro de 2024, o pai do investigado e presidente da igreja caracterizou os fatos como “brincadeira” e “ato involuntário”, solicitando que a família mantivesse silêncio.
Em reunião de liderança realizada em novembro de 2025, um diácono caracterizou os crimes como “mal-entendidos”, solicitando um “pacto de sigilo” e afirmando que “problemas da igreja se resolvem na igreja, e não na polícia”, em clara tentativa de obstrução da Justiça.
Na mesma ocasião, teria sido lida uma carta escrita pelo suspeito dizendo que ele se afastaria do rol de membros da igreja e de suas atividades na congregação.
Todavia, Gabriel continuou frequentando normalmente os cultos e acessando, inclusive, áreas restritas aos membros da igreja.
Relatos apontam ainda para condutas intimidatórias da mãe do investigado, que confrontou menores sem a presença de responsáveis legais, acusando-os de “falso testemunho” e ameaçando processar as famílias.
