📅 Publicado em 08/04/2026 17h29
Rodrigo Correia de Almeida, preso na segunda-feira (6) por conduzir um bitrem carregado com mais de uma tonelada de cocaína, continua preso em Marabá aguardando decisão judicial sobre seu destino. Uma audiência de custódia foi realizada nesta quarta (8), ao meio-dia. O Ministério Público representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva, enquanto a defesa pediu a liberdade provisória do suspeito.
O magistrado que realizou a audiência, contudo, informou que não iria decidir naquele momento pois pretendia fazer uma melhor análise do caso antes de tomar a decisão.
O advogado criminalista Diego Adriano Freires, que assumiu a defesa de Rodrigo juntamente com o colega Caio Lins, afirmou ao Jornal CORREIO acreditar que a decisão será publicada apenas na quinta (9). De acordo com ele, o caso ainda está em fase inicial e a análise dos fatos deve ocorrer com cautela.
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DROGA APREENDIDA
A apreensão foi realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), entre Marabá e Goianésia do Pará. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a carga estava escondida em compartimentos ocultos da carreta e teria como destino o Porto de Barcarena, de onde seria enviada para a Europa. O prejuízo estimado ao tráfico pode chegar a R$ 600 milhões. O caso foi apresentado à Polícia Federal.
O motorista Rodrigo Correia foi abordado após suspeitas levantadas durante monitoramento do veículo. Na fiscalização, os agentes localizaram centenas de tabletes da substância ilícita ocultos em estrutura adaptada do caminhão.
Segundo a PRF, a apreensão pode se configurar como uma das maiores da região Norte, pelo volume apreendido, superior a uma tonelada de cocaína distribuídas em 998 tabletes da droga, reforçando a relevância da rota utilizada para o tráfico internacional de entorpecentes.
DEFESA
De acordo com a defesa, há indícios de que o motorista não tinha conhecimento da existência da droga, sustentando a tese de que ele pode ter sido induzido a erro por terceiros. “A participação do motorista precisa ser analisada com responsabilidade. Não há, até o momento, prova segura de que ele tivesse ciência da existência de fundo falso ou da carga ilícita”, afirma.
Os advogados requereram o relaxamento da prisão ou a concessão de liberdade provisória considerando que o investigado possui endereço fixo, bons antecedentes e histórico de mais de 12 anos de atuação como motorista profissional.
Outro ponto destacado pela defesa é a condição familiar do acusado. Rodrigo é pai de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), circunstância que será levada ao Judiciário como elemento relevante na análise das medidas cautelares. Além disso, conforme relatado pela defesa, o motorista permaneceu no local da abordagem por cerca de duas horas aguardando a chegada da PRF, após ter sido inicialmente abordado pela Polícia Militar, não havendo qualquer tentativa de fuga.
Para o advogado, a conduta adotada pelo investigado é compatível com a de alguém que não tinha conhecimento de prática ilícita.
O caso foi encaminhado à Polícia Federal, que ficará responsável pela condução das investigações, especialmente quanto à origem da droga e eventual participação de terceiros na logística do transporte. A defesa informou que buscará acesso integral aos elementos de prova e reforçou que a responsabilização penal deve estar baseada em provas concretas de participação consciente.

