Correio de Carajás

Junqueira terá cinzas lançadas de aeronave

O comandante em pose ao lado de uma de suas aeronaves

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Comandante escolheu ter o corpo cremado. Família prepara mais uma homenagem durante missa

Uma urna com as cinzas do aviador Antônio Carlos Junqueira, ou simplesmente Comandante Junqueira, devem chegar a Marabá nesta sexta-feira (7), após o corpo dele ter sido cremado em Araguaína (TO). A família confirmou que, em vida, ele definiu esse destino, além da escolha de que suas cinzas fossem lançadas de uma aeronave em local desabitado, mas sob o céu da cidade que tanto amou e a qual dedicou quase toda a sua vida. O eterno piloto faleceu no último dia 4, em leito do Hospital Regional, de complicações da covid-19. Ele tinha 68 anos.

Foram inúmeras as homenagens ao comandante no dia de seu falecimento, mas aquém das que ele receberia da comunidade local se a causa da morte fosse outra. Junqueira era um marido e pai dedicado e um profissional dos mais competentes e dedicados, o que elevou seu nome para além fronteiras do Pará. Sua atuação de mais de 40 anos em aviação em Marabá e região, lhe conferiram status de referência para a comunidade, razão pela qual a sua partida prematura deixa um enorme vácuo na aviação regional e no serviço de táxi-aéreo.

Homenagem dos amigos e companheiros de Rotary Club

O corpo dele foi liberado do HRSP às 17 horas na terça-feira e, de lá, em urna conduzida por um carro de funerária, seguiu escoltado por batedores do DMTU e com longo cortejo de veículos, com seus familiares e amigos. A primeira parada foi em frente ao Rotary Club de Marabá, na Folha 29, onde ele recebeu homenagem de seus companheiros na entidade, liderada pela presidente Nadiane Ponchio Gil. Junqueira era membro com 100% de assiduidade e longa ficha de ações filantrópicas e sociais naquele clube de serviços no qual ingressou em setembro de 1979.

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De lá, a carreata atravessou a cidade até o Aeroporto João Rocha, onde chegou ao anoitecer. Funcionários da Infraero, da sua empresa, a Juta e de outras empresas aguardavam e aplaudiram a passagem do cortejo, numa última manifestação de apreço e respeito. O carro com a urna funerária também passou entre dois caminhões de combate a incêndio do aeroporto com sirenes acionadas, um outro gesto de homenagem dispensado pela Infraero. Depois disso, o corpo foi levado para Araguaína.

Aplausos dos colegas de Aeroporto de Marabá, no adeus

A família agora deve providenciar uma missa em intenção da alma de Junqueira, mais uma oportunidade de tributo ao veterano comandante. Aguardam o retorno de um dos irmãos dele, Liomar Junqueira, que mora em Marabá, mas estava fora da cidade.

COVID-19

Segundo relatou ao CORREIO um dos filhos, Anizio, Antônio Carlos Junqueira tinha exata dimensão do perigo que uma infecção pelo novo coronavírus poderia representar a sua vida, uma vez que era idoso e hipertenso. “Ele estava fora das atividades na empresa e sem voar desde o início de 2020, porém estava na escala e apto para voar, como ele sempre quis, mantendo suas carteiras de aviação e de saúde sempre em dia”, explicou.

Mesmo com todo esse cuidado e tendo sido vacinado contra a covid-19, Junqueira foi acometido pela doença e acabou internado no dia 19 de abril, apenas 10 dias depois de ter sido imunizado com a primeira dose. Inicialmente no Hospital Municipal de Marabá e, de lá, transferido uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Geraldo Veloso no dia 22.

A partir daí foi uma rotina de luta pela vida, com altos e baixos, chegando a precisar de diálise. Após uma das sessões, no dia 3, ele teve uma parada cardíaca, mas retornou. Nas horas seguintes sua condição piorou, até o falecimento às 7h30, no dia 4.

O comandante era casado com Viviane Junqueira e pai dos gêmeos Anizio e Antônio Carlos, e de Thiago e Matheus Junqueira. São três, os netos: Pedro, Mara e Laura.

Comandante salvou vidas e marcou época

Antônio Carlos Junqueira era natural de Caldas Novas (GO) e veio ao Pará no final da década de 1970, originalmente para se instalar na cidade de Redenção, mas achou o local perigoso para a aviação. Veio, então, para Marabá, onde se instalou e começou a operar táxi-aéreo com um monomotor. O sócio era o seu sogro do primeiro casamento.

Em 1980 nascia o embrião do que seria a Juta – Junqueira Táxi Aéreo, com hangar próprio no Aeroporto de Marabá, também para oferecer oficina para manutenção de aeronaves da região. Sempre preocupado com segurança, estava religiosamente em dia com as normas da Anac e, além de piloto e proprietário, respondia como diretor de operações.

“Ele foi atraído por esse cenário favorável e veio para esta cidade, onde conquistou o mercado com a JUTA. Por muitos anos, foi o piloto mais requisitado desta região”, recorda o jornalista Mascarenhas Carvalho da Luz, amigo pessoal do Comandante Junqueira.

Ainda segundo Carvalho, na década de 1970, o piloto fazia fretes apenas para fazendeiros e Funai, mas alçou voos mais altos durante o garimpo de Serra Pelada, na década de 1980, realizando várias viagens diárias para a pista daquele garimpo, onde muitos homens ficaram milionários e viajavam de avião como se fosse um táxi convencional.

“Creio que ele (Junqueira) foi o primeiro empresário deste segmento com residência fixa em Marabá, tornando-se um pioneiro, com hangar e oficina próprios para manutenção de suas aeronaves e de terceiros. Antes, os aviões faziam manutenção em Goiânia, mas foi ele quem trouxe esse serviço para o Aeroporto de Marabá, chegando a ter seis ou sete aeronaves próprias”, recorda Mascarenhas.

O hangar da empresa, quando se estabeleceu nos anos 1980

UTI Aérea

Principal executivo da Unimed Sul do Pará por muitos anos, Eugenio Allegretti destaca que o atendimento de Marabá e região por UTI Aérea foi uma ideia de Junqueira e que a cooperativa médica encampou, na época. “As exigências legais eram enormes, assim como os investimentos. Conseguimos vender o peixe dentro do sistema Unimed e conquistar um contrato, a partir dali a coisa foi ganhando corpo, as instalações crescendo e o número de profissional envolvidos aumentando, eram médicos, enfermeiros, pilotos, motoristas de ambulância e etc… um time 24 horas em prontidão”, postou.

No início a operação ocorria com um avião Sêneca e logo aconteceu o investimento num Super King Air B-200, o que colocava a empresa em outro patamar. Uma carta de intenções de compra de serviços feita pela Unimed, ajudou a contratar crédito para financiar a aeronave. Ela era um orgulho para o comandante.

“Até o início de 2013, período em que acompanhei de perto a operação, foram mais de 500 voos. Ele se orgulhava em falar que não havia perdido nenhum paciente em remoção, um serviço pioneiro pra região, feito com muito profissionalismo. Obrigado por tudo, comandante Junqueira! Vá em paz para o oriente eterno!”, encerrou Alegretti.

AÇÃO SOCIAL

Comandante Junqueira teve atuação destacada, também, na Maçonaria, tendo sido venerável-mestre da Loja Maçônica Pioneira da Transamazônica, além de destacado gestor do Rotary Club de Marabá, com um trabalho relevante desde 1979.

“Infelizmente, perdemos o Comandante Antônio Carlos Junqueira, nosso companheiro no Rotary Club de Marabá, um exemplar rotariano por 42 anos, ex-presidente, Companheiro Paul Harris e Fundador do Banco de Cadeira de Rodas em Marabá”, disse, em postagem, a instituição. (Patrick Roberto)

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