Correio de Carajás

Investigado por estupro de criança, pastor é preso em Marabá

Clebison é investigado por estupro de vulnerável de uma criança de sete anos/ Foto: Divulgação
Por: Milla Andrade com informações de Chagas Filho e Polícia Civil

Clebison Henrique de Sousa, investigado por estupro de vulnerável, está preso desde a semana passada, em Marabá, após a Polícia Civil cumprir um mandado de prisão preventiva contra ele. O caso foi denunciado pela mãe da vítima, que tinha sete anos na época do crime, que teria ocorrido em agosto do ano passado.

O homem atua como pastor em uma igreja no Km 7, no Núcleo Nova Marabá. O mandado, expedido pela Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, foi cumprido na Rua São Raimundo, na Vila São José, conhecida também como ‘Km 8′.

A mãe da vítima concedeu entrevista à TV Correio na sexta-feira (21), um dia após a prisão, realizada na quinta (20), durante a Operação “Ponto Crítico” desencadeada pela Polícia Civil. O nome da mulher será preservado para proteção da vítima.

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Ela relatou que os abusos foram revelados pela criança após um comportamento evitativo em relação ao homem. De acordo com a mulher, a menina passou a demonstrar resistência em frequentar a residência do pastor, local para onde costumava ir eventualmente, até que informou o motivo.

“A minha menina chegou e falou assim: ‘mamãe, eu não quero ir mais na casa do pastor’. Quando perguntei o motivo, ela contou que ele mostrava vídeos de homem e mulher sem roupa e, enquanto mostrava, passava a mão nela. Ela disse que isso tinha acontecido três vezes. Naquele momento, preferi acreditar na minha filha”, afirmou.

A mulher diz que mantinha uma relação de amizade com o investigado e que, quando faltava algo em casa, costumava pedir para a filha buscar na residência de Clebison, que era casado. Conforme o relato, era nessas idas que a violência acontecia.

Ela contou que, apesar da gravidade da denúncia, inicialmente não procurou a polícia por acreditar que não possuía provas suficientes. “Era a palavra da minha filha contra a dele. Eu fiquei um ano mastigando isso. Sempre ensinei que ninguém poderia tocar nela e que ela deveria me contar qualquer situação, e assim ela fez”, relatou.

Durante a entrevista, a mulher informou ainda que, antes mesmo da denúncia envolvendo a filha, ela havia ouvido relatos de outras frequentadoras da igreja sobre comportamentos inadequados atribuídos ao pastor, mas por ele ser uma pessoa de renome e ocupar um cargo de líder religioso, a mulher disse não acreditar.

Segundo ela, a decisão de denunciar o homem ocorreu após ela própria ser alvo de investidas e comentários de cunho sexual por parte do investigado. “Após acontecer umas situações pessoais, ele veio até mim e começou a fazer insinuações. Ele havia me contado de um sonho, e que depois disso começou a sentir atração por mim. Isso foi o que mais me desgostou dele como ser humano e pessoa. O respeito que eu tinha acabou”, declarou.

Após registrar o caso, a mãe informou que a criança foi ouvida por profissionais especializados durante a investigação e que, inclusive, a psicóloga concluiu que “ninguém colocou informações na cabeça da menina”.

Apesar disso, a mulher é enfática ao afirmar que membros da igreja e até mesmo a esposa do acusado acreditam na inocência dele.

Durante a entrevista, ela afirmou que outras pessoas teriam procurado as autoridades para relatar situações semelhantes envolvendo o suspeito. “Teve uma pessoa que denunciou e que citou todas as vítimas durante o seu relato. Não sei se elas vão ter coragem de falar a verdade, mas foram chamadas”, completou.

Mesmo diante das críticas recebidas, ela assegura não se arrepender de ter denunciado o caso, pois se preocupa com o trauma vivido pela filha e demais possíveis vítimas, do que com a imagem da igreja. “Eu fui atrás da verdade e expus para não acontecer com outras pessoas. Eu tinha que defender a minha filha”, finalizou.

A Polícia Civil ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. A reportagem tenta localizar a defesa do investigado.