📅 Publicado em 04/02/2026 10h51
A Polícia Civil cumpriu nesta terça (3) um mandado de prisão preventiva contra Emely Sabrina Pereira de Souza, de 24 anos. Ela foi localizada à tarde, na Avenida 31 de Março, no Bairro Laranjeiras, em Marabá. Emely é investigada por tentativa de homicídio contra Cintra de Oliveira, professor de educação física, sociologia e judô. O crime ocorreu na madrugada de 3 de dezembro.
A autoria foi apontada pela própria vítima, que visualizou Emely em seu quarto quando foi atingida com uma facada no pescoço. Além disso, imagens de câmeras de segurança mostram a mulher indo à residência de Cintra duas vezes, na noite do dia 2 e na madrugada do dia 3.
A motivação do crime, acredita a Polícia Civil, é uma dívida financeira que a suspeita tem com o professor. O Correio de Carajás não conseguiu localizar a defesa da mulher até o momento.
Leia mais:INVESTIGAÇÃO
Conforme investigação da Polícia Civil, Emely esteve na casa do professor ainda na noite do dia 2. Cintra relatou que ela é ex-aluna dele e que pediu para encontrá-lo sob o pretexto de desabafar sobre problemas pessoais em seu relacionamento amoroso.
Emely chegou ao imóvel entre 22h00 e 23h00, com três cervejas que havia comprado em um bar próximo. Em depoimento, Cintra relatou que, enquanto os dois conversavam, ele sentiu sonolência súbita e desproporcional à quantidade de álcool que havia consumido, uma única lata de cerveja. O homem acredita que tenha sido dopado.
Ele afirma que então se despediu de Emely, trancou a porta de casa e foi para o quarto deitar. Algum tempo depois, a vítima acordou ao ser esfaqueada no pescoço.
Cintra garante ter visto Emely dentro do quarto, mas diz que não conseguiu pedir ajuda devido à sonolência, voltando a dormir. Ele foi encontrado ensanguentado na manhã seguinte, por volta das 10 horas, pela diarista. Em seguida, foi socorrido por amigos ao Hospital Municipal de Marabá (HMM).

DÍVIDA
Ainda em depoimento, Cintra informou que Emely e a mãe dela devem dinheiro a ele. A ex-aluna teria pedido R$ 600 para pagar outra dívida dela. A mãe, por sua vez, teria pegado R$ 2 mil emprestados para cuidados médicos com o marido.
Conforme Cintra, Emely vinha pagando a dívida da mãe, mas ainda devia R$ 1.500. Enquanto conversavam, diz, os dois chegaram a comentar sobre o assunto.
Após ter alta do hospital, a vítima deu falta de um aparelho celular e de uma caixa de som que desapareceram da residência.
Em 5 de janeiro, Emely foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil para prestar depoimento, mas preferiu manter silêncio.
IMAGENS DE CÂMERAS
A Polícia Civil solicitou perícias, como de duas facas que foram apreendidas pela Polícia Militar na casa da vítima, e analisou imagens de câmeras de segurança próximas do endereço do professor. As gravações mostram Emely chegando ao local duas vezes entre a noite do dia 2 e a madrugada do dia 3.
Primeiro ela compra as bebidas em um estabelecimento próximo e entra na residência. As câmeras não captaram ela saindo. Mais tarde, perto das 2h30 do dia 3, ela é vista retornando ao local, dessa vez utilizando um boné.
Cerca de uma hora depois uma pessoa é vista saindo da residência. A imagem é ruim e não permite visualizar com exatidão o rosto de Emely, mas os investigadores que analisaram as imagens relatam que as vestimentas da pessoa são semelhantes às que a suspeita usava na imagem anterior.
Amigos da vítima ouvidos pela Polícia Civil informaram conhecer a existência da dívida. Além disso, responsáveis pelo socorro de Cintra até o hospital declararam que naquele momento, em episódios de lucidez, o professor apontou Emely como a responsável pelo ataque.
OUTRAS INVESTIGAÇÕES
Um relatório da investigação foi apresentado à Polícia Civil, que solicitou a prisão preventiva de Emely no dia 16 de janeiro. Ao investigar a ficha de Emely, a Polícia Civil identificou que ela é suspeita em outros inquéritos.
Emely vem sendo investigada por duas acusações de 2023, uma de vias de fato e outra de apropriação indébita. Em 2024, passou a ser suspeita de ameaça. Em 2025, foi denunciada por perseguição.
