📅 Publicado em 28/04/2026 09h06✏️ Atualizado em 28/04/2026 09h19
Equipe do Correio de Carajás esteve na divisa entre o Pará e o Tocantins, na ponte sobre o rio Araguaia (BR-230) que está totalmente interditada. No local, em pleno sábado, dia 25, engenheiros civis da empreiteira LCM, a serviço do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), seguiam com o trabalho técnico de inspeção da estrutura. Como já era de se imaginar, disseram não poder gravar entrevista, mas confirmaram o que o órgão já havia destacado: que não há prazo para terminar esse levantamento.
Chama a atenção a necessidade de interdição imediata e total do tráfego na ponte, que foi colocada em prática no dia 21 de abril, apenas um dia após o CORREIO ter levantado e publicado, por conta própria, que o Dnit tinha essa intenção. Desta forma, motoristas e moradores da região foram pegos totalmente de surpresa, e essa foi a queixa mais ouvida pelos repórteres que por lá estiveram.

A necessidade de interdição total apenas para um trabalho de inspeção, também não é bem digerida pelas pessoas que dependem cotidianamente da ponte. Expressaram ao CORREIO a preocupação de que seja algo mais grave e que o Dnit não esteja sendo transparente.
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Localidade
O Jornal esteve na Vila Porto Jarbas Passarinho, município de Palestina do Pará, onde encontrou a rampa de acesso à ponte bloqueada por montes de terra, cones e ampla sinalização. Na vila, o movimento é considerável de pessoas que estão atravessando de barco ao valor de R$ 5 por cabeça. A Capitania dos Portos esteve por lá e verificou a situação das embarcações e a habilitação dos condutores. Em tese, só estão trabalhando os habilitados.

Apesar dos barcos, muitos populares estão atravessando a pé, o que está sendo permitido pelas equipes a PRF. De bicicleta também. De outro lado, quem providenciou o bloqueio, não deixou o espaço de passagem confortável e seguro aos transeuntes.
Maria Divina Nascimento, comerciante ali há mais de 40 anos, ressaltou o bom movimento que o seu restaurante ganhou, mas disse que preferia continuar contando com a ponte. “Tudo o que fazemos aqui é do lado de lá, no Tocantins (cidade de Araguatins). Banco, escola, compras, tudo fazemos do lado de lá. Hoje estamos sem saber o que fazer”.

Sobre a ponte fechada aos veículos, a reportagem encontrou o senhor Franscisco de Assis, o Tibúrcio, que vinha retornando de Araguatins com um recipiente contendo gasolina. O idoso foi e retornou a pé. Estava chateado com a interdição repentina. “Eles (Dnit) chegaram aqui de repetente no dia 21 fecharam tudo, sem avisar ninguém, sem fazer uma reunião com o povo, sem colocar uma alternativa aqui pra gente”, reclama.

Jaqueline Ribeiro, acadêmica de Pedagogia, também fez a travessia a pé entre o Tocantins e o Pará e aceitou gravar entrevista. Na visão dela, a inspeção feita pelo Dnit é necessária, mas ela torce para que não seja detectado algo grave, que redunde na inutilização da ponte. “Eu espero que eles resolvam o quanto antes”.

Balsas
Existem duas balsas de grande porte já nas cercanias da ponte, encostadas na margem direita do rio Araguaia, no Tocantins. Não havia responsáveis no local quando da passagem dos repórteres. O CORREIO tentou de várias formas, nesta segunda-feira, contato com a empresa Pipes, mas todos os telefones que constam como dela, na internet, são inexistentes, segundo a operadora.

O que é possível dizer é que a operação de balsas é regulada pela Capitania dos Portos (Marinha) e depende de burocracias, como a solicitação oficial de autorizações, inspeções, habilitação dos condutores e plano de ação. Não é possível precisar se esse tramite já foi iniciado.
Também é necessária a reconstrução das rampas (portos) e dos acessos assim como existiam antes da inauguração da ponte, em 2010. No caso de Palestina do Pará, o prefeito Márcio Folha colocou toda a estrutura da Prefeitura a disposição, assim como maquinários, e só aguarda ser acionado nesse sentido.

Silêncio
Quando da interdição, e apenas porque a Imprensa questionou diretamente a sede do Dnit em Brasília, sobre o tema, a resposta por email foi esta: “O DNIT informa que a ponte sobre o Rio Araguaia, localizada na BR-230/TO, seguirá interditada totalmente para execução de inspeção técnica. O período de bloqueio irá se estender até a conclusão da inspeção. A medida faz parte das ações de avaliação das condições estruturais da ponte e está sendo conduzida por equipe técnica especializada, que atua no local desde o dia 14/4, realizando ensaios e levantamentos”.
Na ponte, os repórteres caminharam até o vão central e, ali, encontraram trabalhando uma engenheira civil e dois operários com uniformes da empreiteira LCM. Além deles, um encarregado da empresa Houer, para supervisão.

Todos disseram não terem autoridade para dar detalhes do trabalho. Ali de cima, um gerador de energia movido a combustível, passava cabeamento para a parte de baixo da ponte, onde um outro grupo de engenheiros operava os equipamentos tecnológicos usados no serviço.
A não ser por uma ferragem exposta que encontramos no tabuleiro da ponte, num buraco no asfalto, a olhos vistos não é possível perceber nada de anormal na ponte. Em dois pontos distintos do mesmo tabuleiro, um asfalto recém curado dá a entender que buracos foram feitos na estrutura pelos próprios engenheiros, como parte da inspeção.

Ponte recente
Inaugurada em outubro de 2010, após oito anos de construção e um custo de R$ 71 milhões, a ponte de 900 metros de extensão apresenta falhas graves com apenas 15 anos de uso, levantando questionamentos sobre a qualidade dos materiais e a manutenção preventiva.

Saiba onde ficam os desvios – rotas alternativas
A interdição total da ponte sobre o Rio Araguaia, localizada na BR-230, tem exigido paciência e planejamento dos motoristas que trafegam do Pará em direção ao Tocantins e ao Maranhão. Um dos desvios mais acessados tem sido a famosa balsa de Esperantina, que pela ótica dos paraenses, é acessada na localidade de Bacuri Grande, em São João do Araguaia (PA). Ali, no entanto, as filas estão extensas para a travessia.
Como acessar:
Da ótica de quem está saindo do Pará, o trajeto inicial é feito trafegando pela BR-230 no sentido da divisa com o estado do Tocantins. No entanto, para evitar o bloqueio da ponte, o motorista deve sair da rodovia federal entrando à esquerda na Vicinal Santa Rosa, região do rio Água Branca, a exatos 65 km de Marabá.
O percurso segue por essa estrada de terra por 16 km, até alcançar a localidade de Bacuri Grande, uma área pertencente ao município paraense de São João do Araguaia, situada às margens do rio Araguaia. É exatamente neste ponto que se realiza o embarque na balsa para a travessia fluvial, desembarcando no povoado de Pedra Grande, no município de Esperantina, já na margem tocantinense.
Após o desembarque em Esperantina, a viagem continua pela malha viária estadual do Tocantins. O motorista deve acessar a rodovia TO-201, que é a principal via de escoamento da região do Bico do Papagaio.
Para aqueles que têm como destino a cidade de Araguatins, o trajeto segue pela TO-201 até o entroncamento com a TO-010 (ou TO-404, dependendo do acesso escolhido), que leva diretamente ao centro do município. Já para os condutores que pretendem seguir viagem até o estado do Maranhão, especificamente para Imperatriz, a rota exige continuar pela TO-201, passando por cidades como Buriti do Tocantins e Augustinópolis, até alcançar a divisa estadual.
A partir dali, cruza-se o Rio Tocantins para acessar a BR-010 (Rodovia Belém-Brasília), completando o percurso até o território maranhense.
Outras alternativas
Diante do bloqueio, o DNIT orienta os motoristas a utilizarem rotas alternativas:
- Rota 1 (Principal): BR-153 com travessia pela nova ponte em Xambioá (TO) / São Geraldo do Araguaia (PA). Percurso totalmente pavimentado e sem restrições de carga.
- Rota 2: BR-230 até Buriti do Tocantins, acesso à TO-010 e travessia por balsa no Rio Tocantins, seguindo pela MA-125 e BR-222 até Marabá (PA). Inclui trechos não pavimentados.
- Rota 3: Desvio pelo Maranhão via Imperatriz, utilizando as rodovias BR-010 e BR-222. Percurso totalmente pavimentado e sem uso de balsas.
