📅 Publicado em 25/03/2026 16h08✏️ Atualizado em 25/03/2026 16h37
Após 40 anos sendo fundamental à segurança energética do Brasil, a Usina Hidrelétrica (UHE) de Tucuruí segue em processo acelerado de modernização de equipamentos e do sistema de operação. A unidade deve receber investimento da ordem de R$ 1,5 bilhão até 2029.
O plano para efetivar isso foi apresentado a jornalistas durante visita ao complexo da usina nesta terça-feira (24), a convite da Axia Energia, empresa privada que é a sucessora da Eletronorte/Eletrobras na operação. Os jornalistas representavam veículos de comunicação do Sudeste e do Centro-Oeste. Veículos locais também foram convidados, assim como o Grupo Correio de Comunicação pela TV Correio e portal Correio de Carajás.

O presidente da Axia para a região Norte, Antônio Pardauil, e Allan Almeida, gerente executivo de Operação e Geração da UHE Tucuruí, explicaram detalhadamente os investimentos e, logo após, levaram os visitantes a uma visita por todos os setores da usina. Destaque para a passagem dos jornalistas pelo topo da barragem, quando puderam ver de perto a cascata formada pela liberação da água do rio Tocantins pelas comportas do vertedouro, algo que só acontece por três meses do ano, para equilibrar o volume de água no lago.

O investimento bilionário, segundo Pardauil, não visa aumentar a capacidade de geração, mas sim garantir a longevidade e a confiabilidade da usina. “Esse investimento é para proporcionar que a usina continue operando cada vez melhor, com a máxima segurança e eficiência. O consumidor percebe isso na garantia de que a usina vai continuar operando na plenitude, sem riscos de interrupção”, explicou o presidente. Ele projeta que a modernização assegurará a operação plena de Tucuruí pelos próximos 20, 30 ou até 40 anos.
Inteligência Artificial
Essa revitalização, que segundo o gerente Allan Lima é o maior projeto do tipo em andamento no Brasil, coloca Tucuruí na vanguarda tecnológica. Ferramentas de Inteligência Artificial (IA) já são parte integrante da operação. Foi o que os diretores confirmaram, diante de questionamento do Correio de Carajás.

“No processo que a gente está adotando aqui em Tucuruí, a gente já usa tecnologias com IA para análise de dados de monitoramento, de análise preditiva, para a gente tentar otimizar e prever situações em que a gente precisa ter algum tipo de intervenção no equipamento. Para análise preditiva e melhor diagnóstico, ela tem sido fundamental”, detalhou Allan.
Atualmente, o complexo conta com 180 funcionários próprios da Axia e outros 600 terceirizados, dedicados exclusivamente ao projeto de modernização. A operação da usina é ininterrupta, com uma equipe de 30 pessoas trabalhando em regime de turnos para garantir a vigilância 24 horas por dia.

A transição da gestão estatal (Eletronorte) para a privada (Axia), iniciada em 2022, foi um ponto destacado por Antônio Pardauil, que viveu os dois momentos. “Ganhamos flexibilidade, mais agilidade nos nossos processos. Tivemos uma capacidade de investimento agora triplicada, quadruplicada do que a gente praticava como estatal. A gente se tornou mais dinâmico para atender toda essa complexidade do mundo moderno”, afirmou, ressaltando que quem ganha com isso é o consumidor brasileiro, com a garantia da oferta de energia.

Questionado sobre a reabertura da usina para visitação turística, Pardauil informou que o processo está sendo reformulado pela nova gestão. “Em breve, nos nossos canais oficiais, a gente vai estar divulgando como vai ser essa sistemática, para que grupos da sociedade venham conhecer esse empreendimento, que eu chamo de um grande tesouro da sociedade amazônica e brasileira”, concluiu.
Raio-X da Gigante: Tucuruí em Números
Considerada um marco da engenharia nacional, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí possui dimensões e capacidade que a consolidam como a maior planta 100% brasileira. Seus dados técnicos revelam a magnitude do projeto:
- Potência Instalada: 8.370 megawatts (MW), distribuídos em duas casas de força.
- Turbinas: 24 unidades geradoras em operação. A primeira etapa conta com 12 turbinas de 350 MW e duas auxiliares de 22,5 MW. A segunda etapa, que dobrou a capacidade da usina, adicionou outras 11 turbinas de 375 MW cada.
- Produção Anual: A usina gera, em média, de 50 a 60 terawatts-hora (TWh) por ano, energia suficiente para abastecer milhões de residências e indústrias, sendo a principal fonte do Subsistema Norte do Sistema Interligado Nacional (SIN).
- Barragem e Vertedouro: A barragem principal, do tipo terra e enrocamento, estende-se por 11 quilômetros. Seu vertedouro, equipado com 23 comportas, possui uma capacidade máxima de descarga de 110.000 metros cúbicos por segundo, sendo o segundo maior do mundo.
- Lago e Reservatório: O represamento do Rio Tocantins criou um dos maiores lagos artificiais do mundo, com uma área de 2.850 km² e um volume de água acumulada de 45 bilhões de metros cúbicos.
- Eclusas: O complexo conta com um sistema de eclusas que permite a transposição de embarcações, vencendo o desnível de 75 metros da barragem e garantindo a navegabilidade do Rio Tocantins, um importante corredor logístico da região.

