Correio de Carajás

Infectologista de Marabá alerta sobre doenças causadas por mosquitos

Casos de dengue ultrapassaram 4 mil registros apenas em 2025; prevenção, vacina e informação como aliados

A prevenção começa em casa e precisa do engajamento de toda a comunidade para evitar a proliferação do mosquito

Febre alta, manchas na pele e dor intensa: os sintomas da dengue, zika e chikungunya se confundem — e os riscos são reais. Conhecer as diferenças, identificar os sinais e adotar medidas de prevenção são passos fundamentais para proteger a saúde, especialmente em regiões como Marabá, onde os casos de dengue ultrapassaram 4 mil apenas em 2025.

Essas três arboviroses — doenças infecciosas causadas por vírus transmitidos principalmente por mosquitos — apresentam sintomas comuns, como mal-estar geral, febre, dor muscular e/ou articular, além de manchas pelo corpo. O médico infectologista e professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas Marabá, Dr. Harbi Amjad Nabih Othman, explica que os sinais semelhantes dificultam o diagnóstico inicial, mas há diferenças importantes.

Médico Harbi Amjad explica que os sinais semelhantes dificultam o diagnóstico inicial, mas há diferenças importantes

A dengue costuma provocar dor muscular intensa e atrás dos olhos, com duração média de até uma semana. Já a chikungunya se destaca pela dor articular mais forte, que pode causar inchaço nas articulações e persistir por meses ou até anos. A zika, por sua vez, tende a apresentar sintomas mais leves, como manchas pelo corpo desde o início e, em alguns casos, conjuntivite.

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Dr. Harbi também alerta para os grupos mais vulneráveis às complicações dessas doenças. Crianças pequenas podem ter diagnóstico tardio por não conseguirem expressar os sintomas com clareza. Gestantes enfrentam risco aumentado de sangramentos e, no caso da zika, há possibilidade de complicações graves como a microcefalia fetal. Já os idosos, que frequentemente fazem uso de medicamentos que elevam o risco de sangramentos, também exigem cuidados redobrados.

Não existe tratamento específico para dengue, zika ou chikungunya. O cuidado clínico é baseado no controle dos sintomas e no suporte ao paciente, com atenção especial à hidratação e ao repouso. O uso de medicamentos como o ácido acetilsalicílico (AAS) deve ser evitado, pois pode aumentar o risco de sangramentos, especialmente em casos de dengue. Diante da gravidade potencial dessas doenças, o médico reforça que a prevenção continua sendo a melhor estratégia — e a vacinação, uma aliada fundamental.

Em Marabá, a vacina contra a dengue está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para adolescentes de 9 a 14 anos, 11 meses e 29 dias, conforme definição do Ministério da Saúde. Segundo Claudenise Santos, coordenadora da Vigilância de Doenças Imunopreveníveis de Marabá (VIDI), o município recebeu 13.552 doses entre janeiro de 2024 e agosto de 2025. No entanto, a adesão ainda é considerada baixa: apenas 6.854 primeiras doses e 2.563 segundas doses foram aplicadas, o que representa cerca de 10% de cobertura vacinal.

Entre os principais obstáculos estão a dificuldade de acesso dos adolescentes às UBS, a ausência de autorização para vacinação extramuros pela 11ª Regional de Saúde e a resistência de pais e responsáveis. Claudenise lamenta a baixa procura: “Mesmo com alto risco de exposição à doença, não observamos a preocupação da população em procurar as UBS para receber o imunobiológico. Perder um ente querido para uma doença evitável por vacina gratuita é realmente preocupante.”

Para ampliar a cobertura, a Atenção Primária à Saúde tem adotado estratégias como busca ativa pelas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), verificação de cadernetas nas escolas por meio do Programa Saúde na Escola (PSE) e campanhas informativas nas redes sociais e veículos de mídia locais. Até o momento, não há previsão de mutirões ou vacinação em locais alternativos como praças ou escolas.

Claudenise reforça que apenas com as duas doses o indivíduo está realmente protegido: “Ao receber uma dose, o paciente está apenas vacinado. Para estar imunizado, são necessárias duas doses, conforme preconizado pelo fabricante.” Já Dr. Harbi alerta: “Nenhuma vacina tem 100% de eficácia, mas todas reduzem significativamente a chance de desenvolver a doença. A orientação é procurar a unidade básica de saúde, manter a carteira de vacinação atualizada e os cuidados contra a proliferação do mosquito transmissor.”

Mas como identificar se um mosquito é ou não transmissor dessas doenças? Segundo a bióloga Daniella Mota Silva, doutora em Genética e Melhoramento Vegetal e professora na Afya Faculdade de Redenção, dengue, zika e chikungunya são transmitidas principalmente pelo Aedes aegypti. A principal característica que permite identificar esse mosquito é a presença de marcações brancas nas pernas e no dorso.

A principal característica que permite identificar esse mosquito é a presença de marcações brancas nas pernas e no dorso

Daniella explica que o mosquito se adaptou bem ao clima tropical do Brasil e tem hábitos diurnos, necessitando de água limpa para se reproduzir. “Uma das melhores formas de combater o mosquito é evitar a proliferação deles, através de medidas simples, como não deixar água parada em garrafas, pneus, vasos de plantas, lonas e outros objetos”, orienta.

Ela esclarece ainda que o mosquito não nasce infectado. O ciclo de infecção ocorre quando o mosquito saudável pica um humano infectado, se infecta e depois transmite o vírus ao picar outro humano saudável. Sendo assim, a melhor maneira de se proteger é não permitir a proliferação do mosquito e se proteger utilizando repelentes, telas e mosquiteiros.

A luta contra as arboviroses exige ação conjunta: informação, prevenção, vacinação e responsabilidade coletiva. Como reforça Dr. Harbi: “A prevenção começa em casa, mas precisa do engajamento de toda a comunidade.”

Sobre a Afya

Afya, maior hub de educação e tecnologia para a prática médica no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior em todas as regiões do país, 33 delas com cursos de medicina e 20 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde. São 3.653 vagas de medicina autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC), com mais de 23 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil, e “Valor 1000” (2021, 2023 e 2024) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em http://www.afya.com.br  e ir.afya.com.br

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