Indígenas Xicrin fazem protesto em frente à Prefeitura de Parauapebas na noite desta terça-feira
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Na noite desta terça-feira, dia 9 de julho, um grupo de indígenas Xicrin invadiu a Prefeitura de Parauapebas e promete só sair de lá quando o prefeito Darci Lermen enviar máquinas para recuperar a estrada vicinal que dá acesso às aldeias da comunidade. Por outro lado, a PMP garante que os serviços ora reivindicados estão sendo realizados desde o dia 3 de junho último.

Os indígenas são da aldeia Djudjêkô e armaram barracas dentro do prédio da própria Prefeitura de Parauapebas. Iran Xicrin, ouvido no local pela Reportagem do CORREIO DE CARAJÁS, disse que o prefeito havia prometido que faria a recuperação da estrada logo no início do verão, mas que até agora nenhuma ação concreta teria sido realizada. “Viemos fazer esse protesto para obrigar o prefeito Darci a nos ouvir. Ele já prometeu fazer essa obra, mas até agora nada foi feito. Só vamos sair quando os tratores chegarem na área da nossa reserva”, alegou.

Do lado de dentro, os indígenas acamparam em barracas que eles mesmos compraram

O professor indígena Bemoro Xicrin, também da Djudjêkô, foi outro que conversou com a Reportagem do Correio e lamentou que a má conservação da estrada esteja prejudicando a vida deles e que houve alguns acidentes na via de acesso à aldeia por falta de boas condições de trafegabilidade. “O prefeito fez promessas às nossas lideranças, mas não cumpriu. Essa reivindicação que começa agora é da comunidade, não de nossas lideranças”, justificou.

Homens e mulheres presentes à manifestação iniciaram a noite cantando e dançando músicas de guerra. Eles se prepararam com alimentos e até mesmo barracas, que foram espalhadas do lado de dentro da Prefeitura de Parauapebas. “Estamos em guerra por nossos direitos. Não vamos tomar nenhuma atitude radical, apenas lutar por nossos direitos. Vamos dormir aqui e não sabemos quando vamos embora. Só quando as máquinas começarem a trabalhar lá”, disse o educador.

Bemoro disse que eles não estão preocupados com a infraestrutura necessária para permanecer um longo tempo acampados na Prefeitura e que a falta de banheiro, água corrente para higiene não são pensadas com antecedência. Somos mais de 200 pessoas aqui e se for preciso vamos trazer mais”, afirmou.

Leia abaixo a nota de esclarecimento enviada pela Ascom da PMP na noite desta terça-feira:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

“Os 115 índios da etnia Xikrin foram recebidos no início da noite desta terça-feira (9) por representantes do gabinete do Executivo e pelo secretário de Obras do município. Eles foram acolhidos e ficou agendada uma reunião para o primeiro horário da manhã desta quarta-feira (10).

Sobre a pauta de reivindicações, a prefeitura informa que iniciou, no dia 3 de junho, obras de infraestrutura em estradas vicinais que dão acesso às aldeias indígenas.

Os serviços contemplam abertura de vias, limpeza e cascalhamento que proporcionarão melhor trafegabilidade”. – Assessoria de Comunicação – Ascom/PMP.

Imagem enviada pela Ascom da Prefeitura para justificar que já iniciou as obras na vicinal que dá acesso às aldeias

Além da nota, a Reportagem conversou com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Parauapebas, por meio do secretário Laércio de Castro Penha, o qual fez esclarecimentos paralelos. Informou que a estrada em questão tem mais de 300 km de extensão e que não dá para mensurar, ainda, quantos quilômetros foram executados desde o dia 3 de junho até agora.

Sobre as imagens enviadas pela Ascom à Reportagem do Portal, o cacique Karangré Xicrin informou que a Prefeitura faz essa alegação que iniciou as obras, mas que na prática elas não começaram. (Ulisses Pompeu e Ronaldo Modesto)

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