Correio de Carajás

Idoso denuncia falta de medicamentos em Centro de Saúde no São Félix

Mesmo se demonstrando apoiador do prefeito, idoso destacou a realidade preocupante e o desamparo do atendimento básico em Marabá

Em vídeo publicado nas redes, idoso cobra providências do prefeito

Um idoso, que não teve o nome identificado, filmou e postou um vídeo nas redes sociais chamando a atenção da Prefeitura de Marabá quanto à falta de medicamentos no Centro de Saúde Amadeu Vivacqua, importante frente de atendimento aos moradores do bairro São Félix II, em Marabá.

Na gravação, o morador pede ao prefeito Toni Cunha que visite o Amadeu Vivacqua e outra unidade do São Félix. Apesar da cobrança, demonstra apoio ao gestor.

“Então, olha, meu filho, mande dar uma passadinha nos dois postos aqui, viu? Não tem remédio, está faltando, viu? E a população está precisando do seu remédio.”

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Até o fechamento, a Prefeitura não havia informado quais medicamentos estariam em falta nem divulgado resposta específica ao vídeo. Nas redes sociais, a reação das pessoas foi imediata repercutindo e confirmando os problemas em outros postos da cidade.

Dri Fernandes escreveu: “Liberdade e Laranjeiras estão assim. Até o sulfato ferroso, medicamento para gestantes, minha irmã está tendo que comprar”.

Valéria Souza afirmou: “Infelizmente, não é mentira. Os postos de saúde, além de não terem remédio, também não têm material para exames laboratoriais. E, quando fazem exames laboratoriais, eles dão só o QR Code para você imprimir no cyber, e sai caro, viu?”.

“Cadê a promessa dos postos de saúde 24 horas, que nunca saiu? Ou seja, nem vai”, questionou Augusto Lopes.

Vanessa San declarou: “Vocês que estão falando que é mentira, basta fazer uma visita aos postos de saúde do São Félix e vocês vão ver a realidade. Não tem geladeira para colocar as injeções na unidade Maria Bico Doce”.

Erisvania Oliveira relatou depender de remédios controlados: “Falta mesmo. Eu tomo três tipos de remédio controlado, e nem sempre tem lá quando vou pegar. Até me admirei: esses dias eu consegui pegar. Mas a realidade é: falta mais do que tem”.

Sílvia Cristina comentou sobre obras no bairro Belo Horizonte: “Essa gestão, a cada dia que passa, pega descendo. As obras do Belo Horizonte estão paradas há mais de 15 dias, e os moradores são obrigados a deixar seus veículos na rua”.

Em abril de 2026, o município divulgou ter autorizado a compra emergencial de R$ 6,4 milhões em medicamentos injetáveis e registrou contrato emergencial de aproximadamente R$ 16,6 milhões. O Portal da Transparência mostrava estoques positivos nos polos em setembro, mas não garantia a disponibilidade nas UBS. Planilhas de seis unidades tinham atualização de junho de 2025.

Metas e gargalos

O Relatório Anual de Gestão informa que Marabá aplicou R$ 391,5 milhões em saúde e 31,19% das receitas no setor. Apesar disso, o abastecimento de medicamentos chegou a 70%, ante meta de 100%; a oferta de leitos ficou em 0,63 por mil habitantes, contra 0,86; e a cobertura de saúde bucal foi de 19,40%, diante de objetivo de 55%.

O Plano Municipal de Saúde informa cobertura de 56,30% da atenção básica em 2024, áreas descobertas, sobrecarga de agentes comunitários e unidades sem equipes completas. A maior parte dos postos funciona das 7h às 18h.

HMM

Em janeiro, vistoria do Conselho Regional de Medicina do Pará, acompanhada pelo Ministério Público e pela Defensoria, encontrou superlotação na emergência do Hospital Municipal. Segundo o CRM-PA, havia 42 pacientes na observação, com momentos de 60 a 70 pessoas, atendidas por dois médicos. A entidade relatou mistura de pacientes com doenças infectocontagiosas, sepse, idosos e pessoas em surto psiquiátrico.

A Prefeitura contestou parte das informações, mas reconheceu que o pronto-socorro operava acima de 100% da capacidade.

Outro gargalo foi a fila de exames laboratoriais. Em março, a Prefeitura informou que 7.300 pacientes aguardavam, o equivalente a mais de 40 mil procedimentos. Mutirões e rede credenciada foram usados para reduzir a demanda. Em junho, a Secretaria anunciou que a fila havia sido zerada e prometeu novos exames em menos de 30 dias, sem auditoria independente sobre o resultado.

HMI

A saúde materno-infantil também apresenta indicadores abaixo do planejado. O Plano Municipal registra, em 2024, sete mortes maternas, 67 óbitos infantis e 36 neonatais. A mortalidade infantil foi de 16,70 por mil nascidos vivos, acima da meta de 10, e os partos normais representaram 35,60%, contra objetivo de 65%. Há ainda auditoria sobre possíveis perdas de vacinas em três UBS.

O Ministério Público do Pará abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades nas terapias para crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. A investigação envolve relatos de redução de carga horária, demora em guias e remanejamento para unidades supostamente sem estrutura.

A Prefeitura afirma que recebeu uma rede com problemas acumulados e cita o Saúde Dia e Noite, o Fast Track, mutirões, unidades móveis, compras emergenciais e o Centro de Cirurgias Eletivas. A fila de cirurgias passou de 5 mil pacientes. Para enfrentá-la, o município locou o Hospital Santa Terezinha por R$ 158.367,99 mensais. A gestão informou 589 cirurgias, 1.927 consultas e 2.187 exames no Centro, mas o Conselho de Saúde contesta.