Correio de Carajás

Hospital Regional inaugura nova fase para mães e bebês em Marabá

Grávida de quatro meses, Daiane Souza jovem destaca expectativa por mais segurança e qualidade no atendimento Foto: Jeferson Lima
Por: Kauã Fhillipe, Luciana Araújo e Milla Andrade

A inauguração do novo Hospital Regional Materno-Infantil de Marabá “Dr. Nagib Mutran” reacende a esperança de famílias que, por anos, enfrentaram dificuldades no atendimento materno-infantil da rede pública. Entre as vozes que simbolizam essa realidade está a da dona de casa Cristina Avelino da Silva, moradora do município, que relata experiências marcadas por dor, negligência e, agora, expectativa de mudança.

Em entrevista ao CORREIO, a moradora afirma que a unidade hospitalar representa mais do que uma obra física. É, segundo ela, a possibilidade concreta de salvar vidas e transformar a realidade de mães e crianças da região. “Aqui é um lugar sofrido, um lugar onde vimos muitas crianças jogadas esperando atendimento”, diz.

Moradora de Marabá, Cristina Avelino relata experiências de dor e vê no novo hospital a esperança por atendimento digno

Cristina ressalta ainda que a cidade sempre foi carente de estrutura adequada na área da saúde, especialmente no atendimento infantil. Segundo ela, o cenário anterior era de sofrimento constante para famílias que dependem exclusivamente do serviço público. “Com esse hospital, a esperança brota em nosso coração. É um lugar que vai servir muito”, conclui.

Leia mais:

RELATOS DE DOR E NEGLIGÊNCIA

Ao relembrar suas próprias experiências como mãe, Cristina não poupa críticas ao antigo modelo de atendimento. Ela afirma ter vivido situações extremas durante os partos, incluindo episódios de abandono e risco de morte. “Eu tive três crianças no materno. Eu ganhei bebê sozinha na cama, porque foi um abandono total”, relata.

Em outro momento, a moradora descreve complicações graves durante a gestação. “Eu não morri na primeira gestação porque eu gritei pedindo socorro”, conta.

Com a experiência no Hospital Materno Infantil (HMI) na Marabá Pioneira, Cristina classifica o atendimento como desumano e critica o tratamento recebido por pacientes dentro da unidade. “O tratamento dentro é péssimo”, afirma.

Assim como Cristina, Daiane Souza, de 22 anos, grávida de quatro meses, relata expectativa com a nova estrutura de saúde e destaca a importância do atendimento para gestantes. “Quando eu descobri que a inauguração ia ser agora, me deu uma esperança muito grande, porque a gente sabe que vai ter um lugar melhor preparado para atender a gente”.

Mãe de primeira viagem, ela reforça que a novidade traz mais segurança para esse momento. “Para mim, vai representar mais tranquilidade, saber que nós vamos ter um atendimento de qualidade aqui perto”, encerra.

A jovem também destaca o impacto positivo para outras mulheres da região que passam pelo mesmo momento. “É muito importante pra todas nós, principalmente para quem está grávida e precisa de acompanhamento. Nem sempre encontramos uma estrutura adequada, então isso ajuda muito”, pontua.

MUDANÇA AGUARDADA HÁ ANOS

Diante do histórico e das experiências no antigo materno, a chegada do novo hospital é vista como um divisor de águas. Cristina acredita que a unidade pode oferecer mais dignidade no atendimento e reduzir significativamente os riscos enfrentados por mães e recém-nascidos. “Com esse hospital aqui, a esperança brota mais no nosso coração. Eu pensava que nós não íamos ter mais esperança de um hospital que viesse para cá”.

Sem condições financeiras para arcar com serviços particulares, a moradora reforça a importância do investimento público na saúde e parabeniza a iniciativa do governo. Ao final, ela resume o sentimento de muitas famílias da região, que se sentem aliviadas e mais esperançosas por dias melhores.