Correio de Carajás

Círio 2018: Guardas zelam pela fé dos fiéis

Responsáveis por fazerem o cercado protetor da berlinda que carrega Nossa Senhora de Nazaré por todo o percurso do Círio de Marabá, os Guardas da Santa são personagens importantes no contexto da segunda maior festa católica do estado, que só perde em tradição e importância para a capital. Para que possam atuar com segurança e preparo, os voluntários responsáveis por esse trabalho vêm sendo treinados desde agosto para atuarem durante a grande procissão, em 21 de outubro.

“O nosso trabalho dentro da guarda é justamente de evangelização, é fazer com que as pessoas venham sendo evangelizadas por meio da guarda. Nós temos feito reuniões periódicas, todas as quintas-feiras, aqui no Santuário, que começou em agosto e vai até a última quinta-feira que antecede o Círio”, confirmou José Tavares de Oliveira, um dos coordenadores do evento.

José Tavares explicou como é a preparação da guarda da Santa

Junto com ele, outras duas pessoas também são responsáveis por passar as orientações necessárias às quase 300 pessoas que atuarão este ano na guarda da imagem de Nossa Senhora de Nazaré. “Os guardas têm que ser espelhos de condução da vida religiosa, em família, então tem que ter uma conduta digna e tem que passar essa mensagem”, esclarece.

Leia mais:

Tavares explica que esses voluntários não estão ali somente para servir como um cordão de separação entre a Santa e os devotos, mas que precisam ser devotos dela também e praticar a fé cristã. Quanto ao número de guardas, ele observa que o número foi aumentando conforme a necessidade, já que a procissão cresceu muito nos últimos anos.

“O Círio vai aumentando e a gente vai tendo que se adequar também. Antigamente, nós éramos menos criteriosos. Mas, há dois anos, mudamos isso. Justamente para que ele seja esse exemplo de conduta, porque antes tinha pessoas que não faziam jus ao cargo. Então, fomos tirando essas pessoas e hoje temos outras mais conscientes”. Ele estima que o número de guarda deva variar entre 250 e 300.

RECOMENDAÇÕES

Costumeiramente, muitas pessoas tentam ficar o mais próximo que conseguem da imagem da Santa, pois entendem que assim receberão mais bênçãos ou alcançarão mais graças. No entanto, é preciso que, para a segurança dos próprios promesseiros e fieis, mantenha-se certa distância da imagem.

“A gente coloca muito para os guardas que eles são os guardiões da berlinda e do corpo eclesiástico. Então, toda e qualquer pessoa que não faça parte da equipe litúrgica, deve ser conduzida para fora do isolamento. A gente sabe que isso é complicado, porque entra a nossa humanidade e o nosso coração e a gente acaba cedendo. Mas a gente pede para que não cedam, pois abre precedente”, destaca.

Tavares acrescenta ainda que é mais seguro para os participantes da procissão que se mantenham afastados, já que a corda que circunda os guardas pode acabar prensando alguém. “Já houve casos da corda vir e apertar o povo. Então, a gente gostaria que o pessoal tivesse essa consciência. Não é porque a gente é melhor e quer excluir o outro, pelo contrário, a gente quer segurança para quem está na procissão”.

(Nathália Viegas)