📅 Publicado em 11/09/2026 11h33✏️ Atualizado em 11/09/2026 11h33
Trabalhadores dos Correios iniciaram nesta sexta-feira (11) uma greve por tempo indeterminado em todo o país. Em Marabá, a adesão é parcial e a agência da Folha 32, única em funcionamento no município, mantém o atendimento normal nesta sexta, sem nenhuma sinalização visual de greve.
A reportagem do Correio de Carajás esteve no Centro de Distribuição, na Folha 33, onde conversou com Frank da Silva, diretor sindical da categoria em Marabá. Por lá, cartazes vermelhos com a palavra “Greve” estavam colados na grade que cerca o imóvel. Segundo o sindicalista, parte dos trabalhadores aderiu à paralisação, enquanto outros permanecem em atividade.
Frank explica que a categoria tenta negociar com a empresa desde agosto, mês da data-base dos trabalhadores. Uma reunião realizada na quinta-feira (10), no entanto, terminou sem avanço. Diante do impasse, os funcionários decidiram iniciar a greve.
Leia mais:“A única alternativa que a gente tem é fazer valer o nosso direito constitucional, que é a greve”, afirma.
Segundo o diretor sindical, Marabá atualmente conta com 18 carteiros e oito trabalhadores no terminal de cargas. O município já chegou a ter 40 carteiros, conforme Frank. Para ele, a redução do efetivo é uma das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores na prestação dos serviços.

A categoria reivindica um reajuste salarial acima da inflação. Segundo Frank, os Correios propõem uma correção de 4%, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Os trabalhadores também são contrários a mudanças na administração do plano de saúde e cobram a manutenção dos Correios como empresa pública.
Sobre o plano de saúde, Frank afirma que os funcionários já pagam parte do benefício e que, em Marabá, o custo é elevado. Ele também aponta dificuldades para obter determinados atendimentos, que podem exigir deslocamento para Belém.
A greve foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect). A entidade informou que sindicatos de todos os estados aderiram ao movimento.
Até a publicação desta matéria, os Correios não haviam se manifestado sobre a paralisação.
Em nível nacional, a greve teve adesão de sindicatos de todos os estados do país, informou a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect).
A Findect afirma que um dos principais impasses nas negociações é o plano de saúde dos funcionários. Segundo a entidade, a direção dos Correios pretende fazer alterações no benefício.
“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, diz a federação.

Crise financeira
Os Correios estão há 15 trimestres consecutivos no vermelho. No primeiro semestre deste ano, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
O prejuízo do segundo trimestre, no entanto, foi menor que o registrado nos dois trimestres anteriores: o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025. O resultado indica um pequeno movimento de recuperação da saúde financeira da empresa, que teve prejuízo recorde no primeiro trimestre deste ano.
Os Correios esperam receber um novo empréstimo até 15 de setembro. O g1 apurou que a nova injeção de recursos deve vir de um consórcio formado por bancos, como ocorreu no fim do ano passado, quando a empresa recebeu R$ 12 bilhões. Desta vez, o grupo deve envolver três instituições financeiras estrangeiras – Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank – e o Banrisul.
O novo empréstimo, de R$ 7 bilhões, já havia sido confirmado pelos Correios nas demonstrações financeiras do primeiro semestre deste ano, divulgadas no fim de agosto. (Com informações do G1)
