Fotógrafo Jordão Nunes foi feliz com essa bela imagem de gaivota arrumando um lanchinho no meio da manhã
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Elas já foram mais (muito mais), mas ainda estão por lá, resistentes e encurraladas nos cantinhos da Praia do Tucunaré. São as belas gaivotas, que se alimentam de pequenos peixes que vivem às margens do imenso banco de areia em frente à Marabá Pioneira. Em tempos de praia pequena, como agora, aos finais de semana, muitas acabam saindo de seu habitat e procuram a outra margem do rio em função da grande quantidade de pessoas que chegam ao local para diversão.

A Praia do Tucunaré virou a casa das gaivotas e seu espaço para berçário precisa ser respeitado
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Desde junho, a Reportagem do CORREIO DE CARAJÁS monitora as gaivotas e maçaricos que vivem na praia, mais especificamente na parte que não tem nenhuma vegetação. No passado, as gaivotas costumavam transformar o meio da praia em berçário para colocar ovos e chocar, mas o grande fluxo de pessoas está causando um efeito prejudicial para elas, porque algumas pessoas pisam nos ovos ou quebram de propósito quando encontra ninhos.

Os guardas ambientais que ficam na sede do projeto de proteção dos quelônios, do outro lado da praia, até evitam esse tipo de atitude, mas o raio de atuação deles é pequeno na imensidade da areia na Praia do Tucunaré.

Algumas gaivotas procuram alimentos à base de carne que são jogados no rio pelos banhistas e acabam se acostumando com a comida fácil. É verdade que não há uma “caça” às gaivotas e seu voo – bastante veloz – embeleza ainda mais a paisagem e é admirado por muitas pessoas. O som que elas emitem é magnífico, mas fica intenso quando algum suposto predador (o homem é um deles) se aproxima de seu ninho.

No passado, havia centenas delas na praia, mas nos últimos finais de semana encontramos um número relativamente menor, embora seja complicado avaliar números globais.

Algumas espécies que são vistas na praia, como os maçaricos, são migratórias, moradoras temporárias da Praia do Tucunaré. Lá, já identificamos bem-te-vis, araras-canindés, cigana e socó, por exemplo. Uma viagem pelas margens do Rio Tocantins apenas no município de Marabá identificamos muitas outras que compõem nossa avifauna.

No último domingo, o fotógrafo Jordão Nunes, bastante conhecido em Marabá, teve a felicidade de fotografar uma gaivota no momento em que “pescava” uma sardinha na parte rasa do rio, na Praia do Tucunaré.

O biólogo Cláudio Antunes, que aprecia observação de várias espécies, avalia que certas aves fizeram da Praia do Tucunaré sua única casa, seja no verão ou inverno. E, por isso, a questão da preservação é crítica. “A destruição de habitats e a caça predatória são um desafio à sobrevivência de muitas espécies. Em floresta urbana, pássaros multicoloridos são sempre ameaçados”, diz ele. (Ulisses Pompeu)

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