Correio de Carajás

Gaby Amarantos apresenta novo trabalho: ‘Purakê’

A proposta é pensar em uma Amazônia futurista e afroindígena/Foto: Rodolfo Magalhães

AMAZÔNIA FUTURISTA

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

A paraense Gaby Amarantos é uma das responsáveis por trazer o tecnobrega e outros ritmos tradicionais da Amazônia para o pop nacional. O primeiro álbum, Treme (2012), foi um marco para a música, com hits dançantes e divertidos que mostraram para o Brasil o que a periferia de Belém estava consumindo e produzindo naquele momento.

De lá para cá, Gaby ganhou espaço na mídia e estreou como apresentadora no Saia justa, do GNT, ao lado de Astrid Fontenelle, Pitty e Mônica Martelli, além de inúmeras participações em outros programas de televisão. Dona de um vozeirão, a cantora sempre usou a sua visibilidade para levantar bandeiras, como o feminismo e a luta contra o racismo, nunca deixando de lado a sua origem humilde no bairro do Jurunas, periferia da capital paraense.

Após o sucesso de Treme, Gaby vinha sofrendo pressão dos fãs para o lançamento de um segundo trabalho de estúdio. Com uma “gestação de elefante”, como ela mesma define, o Purakê, já nas plataformas digitais, vinha sendo maturado pela artista há alguns anos. “Eu não cedi à pressão dos meus fãs. Esperei o momento certo e as parcerias certas para lançar o meu trabalho”, afirma Gaby, que é compositora de todas as 13 faixas do álbum.

Leia mais:

Chama a atenção a quantidade de parcerias no disco. São, ao todo, 11 cantores dividindo os vocais com Gaby ao longo do álbum. A primeira faixa, Última lágrima, une a santíssima trindade de mulheres negras da música brasileira: Elza Soares, Alcione e Dona Onete.

Amor pra recordar, parceria com Liniker, uma das maiores vozes da nova geração e que está incluído no álbum, foi lançado mês passado com um clipe cinematográfico, de arrancar lágrimas, em uma homenagem comovente às mulheres ribeirinhas, com participação da irmã, da sobrinha e do filho de Gaby.

Outras duas faixas do álbum também foram apresentadas anteriormente, como Vênus em escorpião, um brega punk lançado em novembro de 2020, com participação de Ney Matogrosso e Urias, e Tchau, com Jaloo, que assina a direção musical de Purakê. Também participam do disco Luedji Luna, na faixa Opará; Potyguara Bardo, em Sangrando; e Leona Vingativa e Viviane Batidão, no fervoroso Arreda, um grito de afirmação do tecnobrega. “Abre a roda, tecnobrega é foda”, diz o refrão.

Um fato interessante é que metade das canções do álbum estavam compostas até a chegada da pandemia. A outra metade foi feita a bordo de um barco no Rio Tapajós, onde também foi elaborada a produção musical do Purakê. “Esse álbum foi feito a partir de experiências imersivas na floresta”, detalha Gaby.

O nome do álbum é uma alusão ao poraquê, peixe-elétrico pré-histórico amazônico, cuja descarga pode chegar a 860 volts, conceito presente na estética visual da obra, que mistura a natureza com a tecnologia. “A proposta é pensar em uma Amazônia futurista e afroindígena. É pensar nessa Amazônia para além dos estereótipos. A gente gosta de servir conceito para a galera!”, brinca Gaby, ao comentar sobre a capa do disco, que a exibe num figurino assinado pelo paraense Fabrício Neves, envolvida por fios elétricos e aningas, vegetação comum às margens dos rios amazônicos e típica da região de Belém.

Para além da sonoridade ímpar de Gaby Amarantos, que parte do imaginário das paisagens e vivências da região norte do Brasil, Purakê é um álbum visual. Cada faixa conta com um conteúdo animado feito à mão, conhecido pelo conceito de clipelizer, e produzido por profissionais como o paraense Lucas Gouvêa e Luan Zumbi.

A artista ressalta que o álbum tem como proposta mostrar para as pessoas que a Amazônia é mais do que aquilo que elas sabem convencionalmente. “As pessoas conhecem calypso, tecnobrega e o carimbó, mas o álbum propõe mostrar para além disso. Quem são essas pessoas que vivem ali e com o que elas estão conectadas?”, questiona Gaby. “A mensagem é essa: nós da Amazônia estamos propondo música para o futuro, propondo coisas que ninguém ainda pensou, com muita coragem e autenticidade, sempre conectados com a nossa essência”, acrescenta. (Correio Braziliense)

Comentários
Filha de Picasso doa nove obras do pai a museu da França

Filha de Picasso doa nove obras do pai a museu da França

Nove obras do pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) foram doadas nesta segunda-feira (20) à França por sua filha Maya, a…
Willie Garson, ator de 'Sex and the city', morre aos 57 anos

Willie Garson, ator de 'Sex and the city', morre aos 57 anos

O ator Willie Garson, conhecido por sua atuação nas séries “Sex and the city” e “White collar”, morreu aos 57…
Rock in Rio 2022: venda de ingressos começa amanhã às 19h

Rock in Rio 2022: venda de ingressos começa amanhã às 19h

A venda do Rock in Rio Card, que equivale a um ingresso antecipado e garante a entrada ao Rock in Rio antes mesmo da confirmação de todas…
Emmy 2021: veja lista com vencedores

Emmy 2021: veja lista com vencedores

“The Crown” foi o grande vencedor do Emmy 2021, com sete prêmios entre as séries dramáticas. Já “Ted Lasso” e “O…
Manu Batidão agita Marabá e diz ao Correio: “O Pará é o meu país”

Manu Batidão agita Marabá e diz ao Correio: “O Pará é o meu país”

“O Pará é o meu país”. Essa foi a frase mais forte dita por Emanuella Tenório Rocha, a Manu Batidão,…
Banda Pirucaba Jazz se apresenta neste domingo (19) na Praça São Félix de Valois

Banda Pirucaba Jazz se apresenta neste domingo (19) na Praça São Félix de Valois

Em visita aos estúdios da rádio Correio FM nesta sexta-feira (17), o baixista da Banda Pirucaba Jazz e membro fundador,…