📅 Publicado em 05/03/2026 13h41
Em depoimento na manhã de hoje, quinta-feira (5), Frentzen Pereira da Silva, de 22 anos, confessou ter matado a companheira Amanda Mikaelly Souza da Silva, de 20 anos, em 2024. O julgamento do acusado acontece no Fórum de Marabá.
Durante interrogatório no plenário, o réu afirmou que atacou a jovem com uma faca após uma discussão dentro da casa onde os dois viviam, no Bairro Bom Planalto, Núcleo Cidade Nova.
Amanda estava grávida quando foi morta. O caso é tratado pela acusação como feminicídio qualificado e aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante.
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No depoimento ao júri, Frentzen respondeu apenas às perguntas da defesa e dos jurados. Ele afirmou que conheceu Amanda em uma festa em Marabá e que os dois passaram a morar juntos após cerca de sete meses de relacionamento. O acusado disse que sabia da gravidez da companheira, que estaria com cerca de três meses de gestação quando morreu.
Segundo o réu, na noite do crime o casal havia ingerido bebida alcoólica antes de voltar para casa. A discussão teria começado por ciúmes. “Ela tentou jogar água quente em mim. Eu saí de casa e quando voltei ela me deu duas facadas, pegou de raspão”, disse. De acordo com o acusado, após isso, ele a golpeou diversas vezes.
O réu alegou que agiu durante um momento de surto e fraqueza e que todo dia se questiona o motivo de suas ações. Frentzen contou ainda que, após o ataque, Amanda caiu no chão e ele dormiu.
No dia seguinte ele limpou o local, colocou o corpo da mulher na cama e saiu para trabalhar. O réu afirmou que guardou a faca utilizada no crime sob um colchão e deixou a casa com um botijão de gás para vender.
Ele relatou que em seguida seguiu para Araguaína, no Tocantins, onde foi localizado por policiais civis e preso dias depois.
Depoimentos de testemunhas
Durante o julgamento, testemunhas e informantes foram ouvidos pelo Tribunal do Júri. Um dos depoimentos foi de um vizinho, que relatou ter ouvido discussões entre o casal na noite do crime.
Ele contou que chegou a ligar duas vezes para a polícia após ouvir os gritos, mas não conseguiu atendimento. Na manhã seguinte, disse ter visto apenas o réu saindo da residência.
A mãe da vítima, Maria da Luz de Souza Silva, também prestou depoimento. Ela relatou que Amanda e Frentzen viveram juntos por cerca de sete meses e que a filha costumava ser reservada sobre o relacionamento. “Eu soube da morte da minha filha na segunda-feira, por volta das sete da noite. Fizeram uma ligação anônima para a empresa onde eu trabalhava pedindo para avisar a família”, disse.
Segundo ela, familiares já haviam percebido marcas no corpo da jovem, mas Amanda atribuía os ferimentos a outras situações.
Investigação policial
Agentes da Polícia Civil também prestaram depoimento sobre a investigação do caso. A investigadora Carolina França Pamplona afirmou que analisou imagens de câmeras de segurança que registraram o casal chegando à residência na noite do crime. “As imagens mostram os dois claramente em conflito. Eles discutem na frente da casa e a vítima chega a agredir o companheiro”, afirma. Ela acrescenta que, no dia seguinte, o acusado foi visto deixando o local com um botijão de gás e aparentando tranquilidade.
Outro investigador, Gabriel Ramos de Sousa Batalha, relatou detalhes da cena encontrada quando o corpo foi localizado. “A vítima estava vestida, sem roupa íntima, deitada na cama e abraçada com um ursinho de pelúcia”, diz ele.
Segundo Gabriel, exames de gravidez foram encontrados na residência e a faca usada no crime estava escondida sob um colchão. O investigador também relatou sinais de luta corporal dentro do imóvel, com móveis fora do lugar e objetos quebrados.
Sustentação do Ministério Público
Durante a sustentação oral, a promotora de Justiça Cristine Magella destacou ao júri a gravidade do crime. “Quando alguém tira a vida de uma mulher está tirando do único ser que é capaz de gerar outra vida. Nesse caso ele tirou duas vidas naquele momento”, pontua.
Ela ressaltou que o laudo pericial apontou 43 golpes de faca contra a vítima e questionou eventual alegação de legítima defesa. “A legítima defesa não te dá o direito de matar. O Estado te diz para reagir e repelir aquela agressão”, declarou com veemência.
O julgamento segue em andamento e, após o intervalo de almoço, a defesa fará sua sustentação. Réplicas e tréplicas devem acontecer antes que os jurados partam para a decisão. A sentença deve ser divulgada ainda hoje.
O crime
Amanda Mikaelly Souza da Silva foi encontrada morta no dia 12 de agosto de 2024 em uma quitinete na Travessa Manaus, no Bairro Bom Planalto. Vizinhos acionaram a Polícia Militar após perceberem um forte odor vindo do imóvel.
A investigação da Polícia Civil apontou Frentzen Pereira da Silva, companheiro da vítima e pai da criança que ela esperava, como autor do crime. Conforme a denúncia do Ministério Público, o homicídio ocorreu no contexto de violência doméstica e familiar e foi cometido com o uso de arma branca.
A denúncia foi recebida pela Justiça em setembro de 2024 e, após audiências realizadas ao longo de 2025, o réu foi pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Júri.
