Correio de Carajás

Festa na praia celebra a história das casas noturnas ao som dos anos 80 e 90

Babado Forte! Registros e Memórias de uma Vida Noturna em Marabá.

 

(…) Tá na hora de acordar e sair

Leia mais:

E ver que a vida é se divertir                                     

A noite é negra

E os holofotes vasculham

Toda essa escuridão

À procura de um lugar ideal

Pra dançar e barbarizar (…)

Fernanda Abreu

 

O Giro do Cultura Livre desta terça feira é uma viagem através do tempo, das músicas e casas noturnas que fizeram sucesso em Marabá nos anos 80, 90 e 2000. Tendo como eixo a memória da vida noturna da cidade. Mesmo que seja breve, ou apenas um recorte das memórias existentes. Os clubes e festas mais relevantes dos últimos tempos e alguns personagens que se tornaram icônicos. O que representa uma parte da cultura jovem local da época. 

Organizado por um grupo de amigos e Djs da cidade, a Festa Retrô, que aconteceu no último sábado, dia 22/07, na Praia do Tucunaré trouxe um flash back de emoções para muitos.

Um reencontro de amigos. A ideia surgiu da vontade de reviver o tempo áureo da Pipoca do CSSM. Matinê que era realizada aos domingos, na Vila Militar, na Marabá nos anos 90.

A festa era a sensação na época e os jovens esperavam ansiosamente a chegada do domingo para se encontrarem no calorzinho da pista de dança que agitava a cidade. Foi lá que eu fui a primeira vez a uma boate, aos treze anos, pasmem.

O resumo da semana era por lá também. As músicas que estavam no top 10 da semana, os flashes da coluna “Caras e Bocas” do Richard Frank e as batidas dos Djs como Lindembergue Oliveira, Kadson, Alex, entre outros que já amavam o cenário da música eletrônica. Muita gente se conheceu, namorou, casou, tornou-se amigo e construiu histórias de vida a partir da Pipoca. Memórias que compõe o passado da vida noturna de Marabá.

Não podemos esquecer das noites que findavam num lanche chamado ‘escadinha’. A explicação para este nome eram as mais variadas possíveis.

Isso tudo foi resgatado com muita alegria em uma noite que foi sem dúvidas memorável. Uma viagem através do tempo. Clássicos como New Order, Depeche Mode, Pet Shop Boys, Madonna e Information Society abriram a festa saudando ao público que os anos 80 foi uma década de grandes acontecimentos. Tempos de “Mystical” e Fly Car que agitavam as noites da fervidas de Marabá, que vivia a explosão de ser uma cidade de fronteira em pleno Sul do estado.

 

Muito antes do Virtual Dj, da internet ou até mesmo do celular, os encontros aconteciam na Praça São Francisco, após a missa da igreja católica, o local sagrado. Ou na barraca de picolé do Baixinho, ou na calçada da drogaria do seu Tibúrcio. Os mais velhos já se concentravam no Bar do Riba. O público da Pipoca era em sua maioria os estudantes do ensino médio das escolas como Fazendinha, Acy Barros, Alvorada e Plinio Pinheiro.

Um tempo em que o analógico começava a dar cada vez mais espaço ao digital. Escutar música em um discman era o que de mais moderno existia. De lá para os anos 2000 foi um pulo. E foi aí outro ponto alto da festa. Quando o Kadson assumiu as pick-ups, um outro flash back veio à tona: Festas do Richard Frank.

Marabá, assim, como no tempo da Pipoca, não tinha uma boate que atendesse ao público notívago e foi nesta lacuna que Richard trouxe novos formatos a um público que já estava cada vez mais adulto. Festas em casas, galpões, a figura do promoter, flyers, a chegada do Eletro, Techno, Drum Bass e outros ritmos da Música Eletrônica.

Hinos como “It’s Not Right But It’s Okay” de Whitney Houston fizeram muita gente na madrugada explodir de alegria embriagados por um saudosismo eletrizante. Richard fez e fez muita história em Marabá. Era pós-moderno, futurista e sempre acenava para um tempo que parecia ser longe da cidade de Marabá alcançar. O movimento político LGBT de hoje tem um desconhecimento deste momento histórico, muitas vezes, acho.  

Já quase amanhecia quando os hits dos anos 2000 invadiam a pista e mais uma vez Kadson apontava para outra época de ouro quando o assunto era boate. Era a Vitrine 403. O tsunami retrô ia à loucura. Entre um set e outro era difícil ficar parado. Como não lembrar da Cila Quintino atendendo a todos calorosamente? Das festas memoráveis, dos registros do Ei Galera, de levar uma máquina Cyber Shot – Sony e postar depois no Orkut. Deixar uma música baixando no Emule em uma internet discada. Risos! 

Uma noite para ficar simplesmente na história. Do tempo em que ir à boate era um máximo, existia o glamour da noite, os grupos se misturavam, tocava rock na balada e a conta moda mais música e mais noite eram a combinação perfeita.

Este foi o giro de hoje do Cultura Livre. Carregado de naftalina pop, cheio de vida e muito saudosismo. Não seria possível nunca esgotar todas as memórias de duas décadas de vida noturna de uma cidade. A gente só queria te contar que a vida é assim, passa como um flash de noite.  

Até o próximo encontro!

Babado Forte! Registros e Memórias de uma Vida Noturna em Marabá.

 

(…) Tá na hora de acordar e sair

E ver que a vida é se divertir                                     

A noite é negra

E os holofotes vasculham

Toda essa escuridão

À procura de um lugar ideal

Pra dançar e barbarizar (…)

Fernanda Abreu

 

O Giro do Cultura Livre desta terça feira é uma viagem através do tempo, das músicas e casas noturnas que fizeram sucesso em Marabá nos anos 80, 90 e 2000. Tendo como eixo a memória da vida noturna da cidade. Mesmo que seja breve, ou apenas um recorte das memórias existentes. Os clubes e festas mais relevantes dos últimos tempos e alguns personagens que se tornaram icônicos. O que representa uma parte da cultura jovem local da época. 

Organizado por um grupo de amigos e Djs da cidade, a Festa Retrô, que aconteceu no último sábado, dia 22/07, na Praia do Tucunaré trouxe um flash back de emoções para muitos.

Um reencontro de amigos. A ideia surgiu da vontade de reviver o tempo áureo da Pipoca do CSSM. Matinê que era realizada aos domingos, na Vila Militar, na Marabá nos anos 90.

A festa era a sensação na época e os jovens esperavam ansiosamente a chegada do domingo para se encontrarem no calorzinho da pista de dança que agitava a cidade. Foi lá que eu fui a primeira vez a uma boate, aos treze anos, pasmem.

O resumo da semana era por lá também. As músicas que estavam no top 10 da semana, os flashes da coluna “Caras e Bocas” do Richard Frank e as batidas dos Djs como Lindembergue Oliveira, Kadson, Alex, entre outros que já amavam o cenário da música eletrônica. Muita gente se conheceu, namorou, casou, tornou-se amigo e construiu histórias de vida a partir da Pipoca. Memórias que compõe o passado da vida noturna de Marabá.

Não podemos esquecer das noites que findavam num lanche chamado ‘escadinha’. A explicação para este nome eram as mais variadas possíveis.

Isso tudo foi resgatado com muita alegria em uma noite que foi sem dúvidas memorável. Uma viagem através do tempo. Clássicos como New Order, Depeche Mode, Pet Shop Boys, Madonna e Information Society abriram a festa saudando ao público que os anos 80 foi uma década de grandes acontecimentos. Tempos de “Mystical” e Fly Car que agitavam as noites da fervidas de Marabá, que vivia a explosão de ser uma cidade de fronteira em pleno Sul do estado.

 

Muito antes do Virtual Dj, da internet ou até mesmo do celular, os encontros aconteciam na Praça São Francisco, após a missa da igreja católica, o local sagrado. Ou na barraca de picolé do Baixinho, ou na calçada da drogaria do seu Tibúrcio. Os mais velhos já se concentravam no Bar do Riba. O público da Pipoca era em sua maioria os estudantes do ensino médio das escolas como Fazendinha, Acy Barros, Alvorada e Plinio Pinheiro.

Um tempo em que o analógico começava a dar cada vez mais espaço ao digital. Escutar música em um discman era o que de mais moderno existia. De lá para os anos 2000 foi um pulo. E foi aí outro ponto alto da festa. Quando o Kadson assumiu as pick-ups, um outro flash back veio à tona: Festas do Richard Frank.

Marabá, assim, como no tempo da Pipoca, não tinha uma boate que atendesse ao público notívago e foi nesta lacuna que Richard trouxe novos formatos a um público que já estava cada vez mais adulto. Festas em casas, galpões, a figura do promoter, flyers, a chegada do Eletro, Techno, Drum Bass e outros ritmos da Música Eletrônica.

Hinos como “It’s Not Right But It’s Okay” de Whitney Houston fizeram muita gente na madrugada explodir de alegria embriagados por um saudosismo eletrizante. Richard fez e fez muita história em Marabá. Era pós-moderno, futurista e sempre acenava para um tempo que parecia ser longe da cidade de Marabá alcançar. O movimento político LGBT de hoje tem um desconhecimento deste momento histórico, muitas vezes, acho.  

Já quase amanhecia quando os hits dos anos 2000 invadiam a pista e mais uma vez Kadson apontava para outra época de ouro quando o assunto era boate. Era a Vitrine 403. O tsunami retrô ia à loucura. Entre um set e outro era difícil ficar parado. Como não lembrar da Cila Quintino atendendo a todos calorosamente? Das festas memoráveis, dos registros do Ei Galera, de levar uma máquina Cyber Shot – Sony e postar depois no Orkut. Deixar uma música baixando no Emule em uma internet discada. Risos! 

Uma noite para ficar simplesmente na história. Do tempo em que ir à boate era um máximo, existia o glamour da noite, os grupos se misturavam, tocava rock na balada e a conta moda mais música e mais noite eram a combinação perfeita.

Este foi o giro de hoje do Cultura Livre. Carregado de naftalina pop, cheio de vida e muito saudosismo. Não seria possível nunca esgotar todas as memórias de duas décadas de vida noturna de uma cidade. A gente só queria te contar que a vida é assim, passa como um flash de noite.  

Até o próximo encontro!

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