Correio de Carajás

Familiares ficam aflitos sem notícias de funcionários vitimados na JBS

Familiares buscam informações sobre as pessoas que estavam no frigorífico de Marabá

Familiares de trabalhadores da JBS foram para a frente do Hospital Municipal de Marabá em busca de informações sobre pessoas que estavam no frigorífico de Marabá durante um grave vazamento de amônia registrado nesta manhã (12).

A mãe de uma funcionária ficou sabendo do acidente na indústria e que a filha estava entre as pessoas socorridas passando mal e levadas ao Hospital Municipal. “Até agora não vi minha filha. Eles só falam que ela está bem, mas até agora não vi minha filha. Vou ficar aqui até olhar pra ela”, declarou, angustiada.

O vazamento levou pelo menos 37 pessoas para a unidade de saúde, a maioria desacordada, intoxicados com alta e média gravidade. No hospital, algumas pessoas parcialmente recuperadas conversaram com a reportagem e relataram como tudo momentos de terror no frigorífico.

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“Foram dois vazamentos. O primeiro foi bem fraco. Os setores foram esvaziados, foi todo mundo pra fora, aí meio que controlou e todo mundo voltou para dentro da fábrica. Logo depois teve um segundo vazamento, esse muito, muito mais forte. Tanto que eu estava na administração e comecei a lacrimejar. Na saída do setor da ‘desossa’ a gente viu uma cena terrível, porque era muita gente correndo, caindo no chão. Foi muito ruim de ver. Fiquei muito nervosa com a situação. Não passei mal pela amônia, mas estou abalada”, disse a colaboradora.

Outra funcionária que conversou com o CORREIO afirma quando perceberam o vazamento começaram a correr sem olhar para trás.

“O cheiro é muito forte, como se estivesse cheirando amoníaco. No momento, não senti nada além do forte cheiro. Estava tentando ajudar os colegas, mas depois comecei a sentir muita dor de cabeça e vim para o hospital. Recebi o atendimento muito rápido. Nos atenderam super bem”, disse.

Questionada sobre a situação na parte interna da casa de saúde, ela afirma que existem pessoas em estado grave recebendo atendimento.

“A garganta travou. Da uma sensação que o ar não está chegando no pulmão. Queima as narinas, queima tudo. Foi um cenário de desespero. Pegaram a ambulância, trouxeram as pessoas no carro. Não sei te dizer quantas pessoas passaram mal. Mas tem muita gente”, ressalta outra funcionária que estava no Hospital Municipal. (Ana Mangas e Luciana Araújo)

*O Correio de Carajás optou por omitir os nomes dos entrevistados para preservar os trabalhos deles.