📅 Publicado em 31/07/2026 16h22✏️ Atualizado em 31/07/2026 17h06
Dezessete crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 17 anos, participaram do exame de faixa de karatê na manhã desta sexta-feira (31), em Parauapebas. A maioria dos alunos é formada por crianças e jovens com transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que encontraram na arte marcial uma ferramenta para o desenvolvimento físico, emocional e social.
Durante a avaliação, os alunos realizam os movimentos e técnicas aprendidos ao longo dos treinos para conquistar uma nova graduação. Entre eles está Miguel Ricardo, de 13 anos, diagnosticado com autismo, que presta exame para mudar da faixa amarela para a vermelha.
A mãe do adolescente, Michelle Silva da Cunha, conta que o karatê foi escolhido como uma forma de contribuir para o desenvolvimento do filho em diferentes aspectos da vida.
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“Nós começamos no karatê para que ele ganhasse confiança, aprendesse a esperar a sua vez, a ter respeito pelo próximo e compreender que, para ser respeitado, também precisa respeitar as outras pessoas. O karatê trouxe equilíbrio, tranquilidade e muito aprendizado”, afirma.
Segundo Michelle, a evolução do filho vai além da prática esportiva. Ela destaca que Miguel passou a compreender melhor suas responsabilidades e a seguir com autonomia a rotina diária, que inclui terapias, aulas de inglês, natação e o treinamento de karatê.
“Hoje ele sabe toda a rotina da semana. É uma rotina bem puxada, mas conseguimos encaixar o karatê entre todas as atividades. Escolhemos essa modalidade porque ela ajuda muito na consciência corporal, na disciplina e também na comunicação social com outras crianças”, relata.
O responsável pelas aulas, o mestre Sebastião Ramos, explica que se capacitou baseado em princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), adaptando o ensino do karatê às necessidades individuais de cada aluno.

“Cada criança aprende de uma forma. Primeiro precisamos entender do que ela gosta para, a partir disso, introduzir os movimentos do karatê. Tem criança que aprende cantando, então adaptamos as técnicas dessa maneira. Com o tempo, a gente nem sabe mais se está ensinando ou aprendendo com eles. É uma troca de experiências muito grande”, comenta.
De acordo com o mestre, os exames desta sexta-feira contemplam diferentes graduações. Alguns alunos avançam para a faixa vermelha, outros para a azul, considerada uma etapa que exige maior domínio técnico. Ainda assim, o processo é conduzido de forma inclusiva, respeitando o ritmo de desenvolvimento de cada criança.
“Eles já sabem executar defesas, ataques, contam até dez em japonês, conhecem as bases e entendem comandos. Tudo isso faz parte do aprendizado deles”, destaca.
Além da evolução técnica, Sebastião afirma que a prática tem proporcionado ganhos importantes na coordenação motora, na comunicação e na interação social dos participantes.
“Muitos pais acompanham os treinos e relatam a evolução dos filhos. Trabalhamos coordenação motora, incentivamos a comunicação e até o uso da voz durante os exercícios. O objetivo é contribuir para melhorar a qualidade de vida dessas crianças”, afirma.
As aulas são oferecidas em uma clínica de reabilitação de Parauapebas.
