Correio de Carajás

Ex-cunhada de vítima é presa e caso de irmãos mortos na ExpoCanaã avança após dois anos

Gabrielle e Andrey Mota foram mortos a tiros em outubro de 2023, após saírem da feira de exposição de Canaã dos Carajás

Casal sorrindo para selfie, ele com camiseta listrada e polegar para cima.
As investigações avançaram após um trabalho de investigação e inteligência da Polícia quase 3 anos após o duplo homicídio
Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 27/04/2026 14h36

Finalmente a Polícia Civil deu uma resposta à angustia de familiares e amigos dos irmãos Gabrielle Souza Mota, de 25 anos, e Andrey Pereira Mota, de 31, que foram assassinados a tiros dentro de um veículo, no estacionamento da ExpoCanaã, na madrugada de 28 de outubro de 2023.

Mais de dois anos após o crime, uma mulher suspeita de participação nas execuções foi presa preventivamente durante uma operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão.

De acordo com a Polícia Civil, a principal suspeita, identificada como Andressa, é ex-cunhada de Gabrielle. Ela foi localizada após um trabalho de investigação e inteligência que a apontou como possível autora de ameaças enviadas a uma das vítimas cerca de 15 dias antes do crime, além de indícios de participação direta no duplo homicídio.

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Durante a operação, o marido da investigada, identificado como Maicon, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e munições. Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre .38 – o mesmo utilizado no crime – além de munições de diferentes calibres. Também foram recolhidos aparelhos eletrônicos que passarão por perícia técnica, com o objetivo de aprofundar as investigações.

Além da residência da suspeita, os agentes cumpriram mandados em um estabelecimento comercial ligado a Andressa e a familiares do ex-companheiro de Gabrielle. A mulher foi conduzida para interrogatório e permanece à disposição da Justiça. As investigações seguem em andamento.

O crime

O caso, até então sem solução, vinha causando angústia à família das vítimas. Em entrevista concedida à jornalista Theiza Oliveira, do CORREIO, Celma Mota, mãe de Gabrielle e madrasta de Andrey, chegou a demonstrar preocupação com a possibilidade de o crime ser esquecido. “Eu só quero justiça. Já se passaram dois anos e continuo sem resposta. Tenho medo de que o caso seja arquivado”, desabafou à época.

Na noite do crime, após o encerramento de um show na ExpoCanaã, as vítimas deixaram o local acompanhadas de uma amiga. Gabrielle conduzia um Volkswagen Polo branco, com Andrey no banco do passageiro e a testemunha no banco traseiro.

Segundo o relato da sobrevivente, um homem se aproximou do veículo e anunciou um assalto, exigindo celulares e a chave do carro. Mesmo após as vítimas obedecerem, o criminoso atirou na cabeça de Gabrielle e, em seguida, disparou contra Andrey a curta distância. Após os tiros, o autor fugiu na garupa de uma motocicleta escura, levando os pertences das vítimas.

A perícia confirmou que os disparos foram feitos com um revólver calibre .38. Também foi constatado que os pneus do lado do motorista estavam esvaziados, o que reforça a hipótese de que o crime tenha sido premeditado.

Perícia comprova que criminosos esvaziaram os pneus dos carros antes do assassinato

Quinze dias antes do ataque, a família já havia sido ameaçada, quando Celma recebeu uma mensagem anônima via WhatsApp direcionada à filha. Durante as investigações, o aparelho utilizado foi localizado, mas, por se tratar de um telefone de uso coletivo em uma assistência técnica, não foi possível identificar o autor à época.

Com a prisão da suspeita, a Polícia Civil afirma que o caso entra em uma fase mais avançada. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos investigados. (Com informações da Polícia Civil e da reportagem de Theíza Cristhine)