Correio de Carajás

Estudantes da Unifesspa criam grupo para ampliar formação em tecnologia

Primeiro seminário do ramo estudantil reuniu palestras, painel sobre inteligência artificial e oficinas práticas de tecnologia em Marabá

“O IEEE Student Branch UNIFESSPA nasce com a missão de promover o desenvolvimento técnico-científico”/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Luciana Araújo

“Sem educação não há ciência; sem ciência, não há tecnologia; sem tecnologia, não há inovação.” A afirmação, feita em 2022 por Helena Nader, bioquímica e pesquisadora, destaca o papel da formação acadêmica na produção de conhecimento e no desenvolvimento tecnológico. Em ambientes acadêmicos, essa relação também se constrói quando os estudantes organizam atividades, compartilham conhecimentos e experimentam, na prática, o que aprenderam.

Na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em Marabá, essa relação se concretiza com a recente criação do ramo estudantil do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), organização internacional que reúne profissionais e pesquisadores das áreas de engenharia e tecnologia.

Além de aproximar os acadêmicos de uma rede internacional de profissionais e pesquisadores, o grupo busca ampliar as experiências de aprendizagem por meio de capacitações e atividades que levam o conhecimento para além dos muros da universidade.

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Cecília é estudante do sexto período do curso de Sistema de Informação da Unifesspa

É o que explica Cecília Ionara Pinheiro de Araújo, de 20 anos, estudante da Unifesspa e presidente do grupo, ao apresentar a proposta do ramo estudantil:

“O IEEE Student Branch UNIFESSPA nasce com a missão de promover o desenvolvimento técnico-científico, a inovação e o protagonismo estudantil, conectando nossos acadêmicos a uma rede global de profissionais, pesquisadores e líderes da engenharia e da tecnologia”, afirma.

Em setembro, o Ramo Estudantil IEEE Unifesspa participou do IES SYP Congress 2026, no Rio de Janeiro

1º SEMINÁRIO

Para que a experiência dos estudantes vá além da formação técnica, o grupo organizou o 1º Seminário IEEE UNIFESSPA, realizado nesta quarta-feira (14), na Unidade II da universidade, localizada na Folha 17.

Além de apresentar à comunidade acadêmica o conceito do IEEE, o evento representa mais um passo na construção de uma formação que vai além da técnica. A iniciativa permite que os alunos exercitem habilidades como organização e liderança, além de compartilhar conhecimentos com escolas e comunidades.

Nesse sentido, o tema escolhido para o seminário foi “Quem somos”. A programação incluiu a palestra de Janislley Oliveira, que abordou como transformar conhecimento, conexões e voluntariado em oportunidades. Também houve um painel sobre inteligência artificial e gestão da inovação, conduzido por Werbeston Douglas de Oliveira.

Foram realizadas duas oficinas: uma sobre fundamentos e desenvolvimento de aplicações com Arduino e outra sobre introdução ao Overleaf/LaTeX.

“A ideia, hoje, é fazer esse nivelamento, digamos assim, para o pessoal entender, a partir disso, quem somos e quais são, de fato, as nossas ações”, complementa Cecília.

Estudante do sexto período do curso de Sistema de Informação, ela também explica que o ramo estudantil do IEEE na Unifesspa conta com três capítulos: o Special Interest Group on Humanitarian Technology (SIGHT), voltado ao desenvolvimento de projetos tecnológicos para atender às necessidades de comunidades; a Computer Society (CS), dedicada à área da computação e ao avanço das tecnologias computacionais; e a Women in Engineering (WIE), que promove a participação e o desenvolvimento de mulheres nas áreas da engenharia e da tecnologia.

REFERÊNCIA LOCAL

Morador de Marabá há cerca de 20 anos, Rodrigo Barroso, CEO da Fibralink, é referência em tecnologia no sul e sudeste do Pará. Sua presença e seu patrocínio ao seminário reforçam esse papel.

Rodrigo Barroso: “A gente não pode ser só consumidor de tecnologia, precisamos desenvolvê-la”

Ao Correio de Carajás, ele destaca que o apoio a eventos acadêmicos faz parte da atuação da empresa diante da crescente demanda por profissionais de tecnologia. Para Rodrigo, além de ampliar a capacidade de transmissão de dados, é preciso investir no desenvolvimento de soluções que aproveitem essa estrutura e atendam às necessidades da população, das empresas e da sociedade.

O empresário também chama a atenção para o avanço da inteligência artificial e seu potencial de transformação em diferentes áreas. No entanto, pondera que nem toda inovação disponível se torna imediatamente viável do ponto de vista comercial, especialmente em países como o Brasil, onde as condições econômicas influenciam a adoção de novas tecnologias.

Por isso, Rodrigo defende que o país avance no desenvolvimento de soluções próprias. “A gente não pode ser só consumidor de tecnologia, a gente tem que desenvolver tecnologia, mesmo que ainda menos evoluída do que a que tem aí”, afirma.

Questionado pela reportagem, o empresário avalia que as transformações tecnológicas devem ocorrer em ritmo acelerado nos próximos cinco a dez anos. Nesse cenário, projeta a participação da Fibralink no desenvolvimento e na oferta de novas soluções, aproveitando a estrutura da empresa e sua carteira de clientes residenciais e empresariais.

GANHANDO ESPAÇO NA UNIFESSPA

Entre as atividades do IEEE em todo o mundo estão a publicação de pesquisas científicas, a realização de eventos e o desenvolvimento de padrões técnicos utilizados internacionalmente. Esses padrões estabelecem requisitos e protocolos para o funcionamento de equipamentos e sistemas, permitindo que diferentes tecnologias sejam compatíveis e operem em conjunto.

“Quando eu vi essa oportunidade de ter uma conexão além da Unifesspa, eu me senti bastante interessado”, conta Mateus Andrade, de 21 anos, estudante do sexto período de Engenharia da Computação. Ele integra a diretoria do ramo estudantil do IEEE na universidade desde a criação do grupo.

Mateus conta que, desde o início, a diretoria tem trabalhado na produção de artigos, em conteúdos para as mídias e na organização de projetos

Mateus conta que, inicialmente, não conhecia profundamente a organização e decidiu pesquisar sobre sua atuação. O que despertou seu interesse foi descobrir a dimensão internacional da iniciativa e a possibilidade de introduzi-la no ambiente acadêmico da Unifesspa.

“É algo que chegou à Unifesspa; nós estamos sendo os primórdios aqui, estamos introduzindo na nossa universidade”, afirma.

Na Unifesspa, o grupo também busca ampliar a divulgação da organização e incentivar a participação dos estudantes. Mateus conta que, desde o início, a diretoria tem trabalhado na produção de artigos, na criação de conteúdos para as mídias e na organização de projetos, inclusive em parceria com Cecília, presidente do grupo.

Assim, o primeiro seminário marca uma etapa da implantação do IEEE na Unifesspa, ao apresentar à comunidade acadêmica o trabalho que os estudantes vêm desenvolvendo desde a criação do ramo.