Quando o assunto é estresse crônico, não demora muito para que o cortisol surja como o grande vilão. Há alguns anos, ele era apontado como o responsável por deixar o rosto mais inchado – o conhecido “rosto de cortisol”. Atualmente, ele é o culpado pelo acúmulo de gordura abdominal – ou a “barriga de cortisol”.
⚠️Mas, diferentemente do que circula nas redes sociais, os especialistas explicam que, de maneira geral, o cortisol não é o responsável direto pelo ganho de peso.
➡️O cortisol é um hormônio essencial para o funcionamento do corpo. Entre suas principais funções estão o estímulo do sistema imunológico e a regulação do metabolismo e da quantidade de açúcar no sangue. (entenda mais abaixo)
Leia mais:Rafael Buck, endocrinologista e diretor do Departamento de Adrenal e Hipertensão da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que o cortisol é conhecido como hormônio do estresse porque ele faz o corpo reagir em situações de perigo e até no combate de doenças.
“O estresse crônico pode aumentar um pouco os níveis de cortisol, mas ele não tem a capacidade direta de fazer a pessoa ganhar muita gordura abdominal. Isso porque o ganho de peso ligado ao estresse é multifatorial”, analisa.
De acordo com o especialista, em um dia a dia estressante, outros fatores para além do aumento no nível do cortisol podem levar a uma alta no peso. Entre os principais, estão:
- Sedentarismo
- Falta de tempo para preparar e fazer as refeições com calma
- Alto consumo de produtos ultraprocessados
Uma alteração relevante na gordura corporal causada pelo cortisol só acontece em casos específicos, em condições médicas mais sérias quando há o excesso na produção do hormônio.
Na reportagem abaixo você entende:
- Como o cortisol age no corpo
- Quando o excesso do hormônio pode levar ao ganho de peso
- Quais medidas podem ser adotadas para reduzir os níveis de estresse
Como o cortisol age no corpo
O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais (ou adrenais) e é liberado no corpo a partir dos comandos do hipotálamo e da hipófise, localizados no cérebro.
➡️Em resumo, a partir do momento em que o hipotálamo – que liga os sistemas endócrino e nervoso no corpo – recebe o alerta de estresse, ele ativa a produção de um outro hormônio na hipófise que vai mandar um sinal para que as glândulas suprarrenais liberem o cortisol no sangue.
Esse estresse pode ser físico (como em lesões, doenças e exercícios físicos intensos) ou emocional (ansiedade, medo, traumas, pressões no dia a dia), agudo (em situações imediatas de perigo ou susto) ou crônico (estresse profissional, problemas financeiros, ansiedade crônica).
Nesse contexto, Buck explica que o nível de cortisol aumenta, sim, em situações de estresse, mas que os valores desse hormônio também variam de acordo com a hora do dia.
“É um hormônio que tem uma produção ali principalmente pela manhã, com decaimento ao longo do dia. Durante a madrugada ele fica bem baixinho e, a partir das 4 ou 5 horas da manhã, ele começa a aumentar de novo”, detalha o endocrinologista.
Por isso, uma boa qualidade de sono também é essencial para a regulação desse hormônio no corpo.
“Se você tem uma interrupção do padrão do sono, esse ritmo de secreção do cortisol se perde e isso faz com que haja uma série de mudanças no nosso corpo”, comenta.
Excesso de cortisol
Quando os níveis de cortisol ficam constantemente elevados, há a condição conhecida como síndrome de Cushing.
👉A síndrome de Cushing é um distúrbio hormonal causado pela exposição crônica a altos níveis de cortisol. Ela pode ser desenvolvida, principalmente, como uma consequência de um tumor na hipófise ou pelo uso excessivo de medicamentos corticoides.
Nesses casos há o acúmulo de gordura no abdômen e no rosto. O quadro também pode levar à perda de massa muscular, aumento da glicose no sangue e maior suscetibilidade a infecções.
Os especialistas lembram que esse é o único tipo de situação em que é comprovado que o cortisol vai levar ao ganho de peso.
De maneira geral, mesmo que haja um aumento no estresse diário, as alterações nos níveis de cortisol que isso provoca não são capazes de levar, sozinhas, a um aumento no peso.
“Não é possível a gente afirmar que pelo simples fato de estar estressado, eu vou ter um aumento do nível de cortisol e isso vai levar ao ganho de peso. Isso não existe”, alerta Buck.
Ele reitera que o ganho de peso em um contexto de mais estresse e ansiedade é multifatorial: está relacionado a hábitos, rotina, falta de exercício físico e má alimentação.
Como reduzir o estresse no dia a dia?
Para evitar os efeitos nocivos do estresse no organismo, os especialistas reiteram que as mudanças no estilo de vida são fundamentais.
🧘♀️Entre as principais dicas para evitar o estresse crônico, eles destacam:
- Encontrar uma atividade física que também possa trazer prazer e praticar com regularidade;
- Ter uma alimentação balanceada;
- Meditar e encontrar atividades que ajudem a distrair a mente;
- Dormir bem, prezando por um sono de qualidade;
- Limitar a agenda de trabalho e desativar as notificações do celular na hora da folga;
- Curtir momentos com família e amigos.
(Fonte:G1)
