O professor Carlos Maneschy destaca os benefícios do programa. | (Ricardo Amanajás/Diário do Pará)
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Estimular a participação de adolescentes e jovens no ambiente escolar é um desafio permanente encontrado por todo profissional da área da educação. Governo vai investir mais de R$ 1 milhão na primeira fase para incentivar alunos e professores na busca por conhecimento.

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O campo da pesquisa pode ser uma importante saída para formar profissionais qualificados em um momento em que essa importante área da educação sofre com cortes e contingenciamento de recursos a nível nacional. Por esse motivo, o Governo do Estado promete lançar ainda no mês de agosto deste ano o projeto Bolsa Escola Pará, que visa incentivar professores e alunos da rede estadual de ensino de educação básica a criarem projetos capazes de mudar o ambiente escolar e da própria comunidade onde vivem.

O Bolsa Escola Pará vai selecionar 20 projetos de educação e produção de conhecimento científico voltados para a área de ensino. Cada projeto terá a participação de até 20 estudantes e a coordenação de um professor que irá organizar o trabalho, atendendo inicialmente a 4.400 alunos e 20 professores.

Nessa primeira parte do programa, serão destinados cerca de R$ 1,1 milhão em bolsas. A expectativa da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisa do Pará (Fapespa) é de que após quatro anos de atividades, pelo menos dois mil alunos se envolvam no programa.

ESTÍMULO

O presidente da Fapespa, professor Carlos Maneschy, explica que muito mais que oferecer a bolsa e gerar renda entre os estudantes, o projeto busca despertar no jovem a importância que o campo da pesquisa tem em sua vida. “Claro que para o aluno o impacto da geração de uma renda familiar é importante, porém o que o programa quer mesmo é estimular o jovem a entender a importância da ciência e como ela impacta em sua vida. Queremos também que eles tenham capacidade de perceber a escola como instrumento de transformação social, envolvendo diversas disciplinas, estimulando a criatividade e liderança tanto de aluno quanto professor. Melhorando assim a qualidade e o nível de ensino no Estado do Pará”, diz.

Neste primeiro momento, as escolas e projetos selecionados serão prioritariamente de instituições de ensino que fazem parte de bairros atendidos pelas ações do programa estadual Territórios Pela Paz (TerPaz), localizados nos municípios de Belém, Ananindeua e Marituba. “Estamos atendendo primeiramente esses bairros devido aos elevados índices de violência que tinham. Em parceria com diversas instituições, o Governo do Estado leva ações de repressão, que é importante, mas também a de prevenção, como o incentivo ao campo de pesquisa, e a partir daí vamos levar o projeto a outros municípios do Pará. Essa é uma política pública que esperamos que se transforme em política de Estado e atenda, de forma duradoura, o maior número possível de estudantes”, completa o professor Carlos Maneschy.

OTIMISMO

O Bolsa Escola Pará integra uma ação ainda maior, denominada Bolsa Pará, que é um programa com o objetivo de promover o apoio na formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino, desde a educação básica, até o mais alto nível do ensino superior, estimulando o avanço dos indicadores de ciência no Estado em um momento em que as previsões são de cada vez mais contingenciamento de recursos de pesquisa no País. “Com a diminuição de bolsas concedidas pelo Governo Federal, temos menos mestres e doutores formados e isso é um impacto extremamente negativo. Você não faz ciência de ponta se o conhecimento não tiver envolvido. De um lado, você não permite a formação de uma massa pensante no país e ao mesmo tempo diminui os recursos destinados a pesquisas em desenvolvimento, diminuindo as ações de desenvolvimento”, segue Maneschy.

O presidente da Fapespa lembra que o Governo do Estado faz um movimento oposto. “Estamos tentando expandir o volume de recursos na área de pesquisas, destinando recursos para a concessão de mais bolsas, formando mais recursos humanos na área científica e elevando recursos na área de pesquisa do Estado. Vamos na contramão do movimento que se observa no país”, finaliza. (DOL)

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