Correio de Carajás

Especialistas alertam sobre benefícios, riscos e cuidados no uso das tecnologias por idosos

Especialistas explicam como a tecnologia pode ser aliada da saúde mental e autonomia dos idosos, alertando para os riscos e a importância da proteção jurídica.

Homem idoso sorrindo e falando ao celular enquanto usa um laptop em uma mesa de madeira.
A geriatra explica que o uso consciente das tecnologias favorece a conexão social, o acesso à informação e o estímulo cognitivo
✏️ Atualizado em 01/04/2026 14h15

Há alguns anos, fim de tarde era sinônimo de uma roda de idosos conversando na porta de casa. Era baralho, dominó, um jornal nas mãos. As conversas eram postas em dia cara a cara. Hoje, a conversa é por mensagens. As notícias estão na palma da mão e os jogos são online. Agora é fácil conversar com quem está longe, checar o saldo da pensão, pagar contas e até fazer compras, tudo graças à tecnologia e à internet.

Essa tecnologia e esses equipamentos modernos, quando bem utilizados, podem ser aliados da saúde mental. Recielle Chaves, médica geriatra e professora da Afya Marabá, explica que o uso consciente favorece a conexão social, o acesso à informação e o estímulo cognitivo. “Muitos relatam melhora do humor ao manter contato frequente com familiares e amigos de longa data”, afirma.

Por outro lado, o uso excessivo ou sem orientação pode trazer desafios. Ansiedade, exposição à desinformação e até sensação de incapacidade diante das tecnologias são riscos que precisam ser considerados. “O equilíbrio é fundamental”, reforça a especialista. Um dos maiores benefícios observados é a manutenção de vínculos. Videochamadas, mensagens e grupos sociais ajudam a reduzir a solidão, fator de risco importante para depressão na terceira idade. “Para idosos que vivem sozinhos, a internet pode funcionar como recurso de proteção emocional, desde que não substitua completamente o convívio presencial”, explica a Dra. Recielle.

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Recielle Chaves, médica geriatra e professora da Afya Marabá

O aprendizado digital também estimula funções cognitivas como memória, atenção e raciocínio. “Aprender algo novo ativa circuitos neurais e contribui para a manutenção da autonomia”, diz. Além disso, ferramentas digitais permitem que o idoso agende consultas, pague contas e acesse serviços de saúde, fortalecendo sua independência.

Entre os riscos, a geriatra destaca o sedentarismo, alterações do sono pela exposição à luz das telas e ansiedade diante do excesso de informações. Há ainda maior vulnerabilidade a golpes virtuais e fake news, especialmente na área da saúde. “Já tive conhecimento de um idoso que comprou suplementos de alto valor acreditando que iria melhorar a imunidade”, relata.

A introdução da tecnologia deve ser gradual, com ensino prático e repetição. É importante estabelecer limites de tempo e incentivar atividades com propósito, como comunicação com familiares ou participação em grupos de interesse. “A tecnologia deve ser vista como ferramenta complementar, e não substituta das relações humanas”, orienta.

Direitos, proteção e cuidados jurídicos

Além dos aspectos de saúde e convivência, a inclusão digital dos idosos também envolve direitos garantidos por lei. A advogada Janaína Duarte Limeira Montelo, especialista em direito de família e advogada no Núcleo de Práticas Jurídicas da Afya Redenção, lembra que “os idosos têm direito ao acesso à internet e à inclusão digital, que envolve não apenas o acesso à tecnologia, mas também condições para utilizá-la com autonomia e segurança”.

O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) assegura o direito à educação, à informação e à participação social, o que, na prática, se traduz em iniciativas de capacitação digital, acesso a serviços públicos online e desenvolvimento de tecnologias acessíveis. Promover essa inclusão é essencial para evitar o isolamento social e garantir que os idosos exerçam plenamente seus direitos em uma sociedade cada vez mais digitalizada.

A legislação brasileira também prevê mecanismos de proteção contra golpes e fraudes online. O Código de Defesa do Consumidor protege os idosos em relações de consumo realizadas pela internet, enquanto o Código Penal, após a Lei nº 14.155/2021, passou a estabelecer penas mais severas para crimes de fraude eletrônica, especialmente quando a vítima é idosa.

Segundo Janaína, isso inclui golpes aplicados por meio de aplicativos de mensagem, redes sociais ou falsos atendimentos bancários e pode gerar responsabilidade civil, obrigando o autor ou até instituições que falharam na segurança a indenizar os prejuízos sofridos. Entre os crimes digitais mais comuns estão os golpes do falso atendente de banco, links fraudulentos enviados por mensagem, clonagem de WhatsApp e falsas ofertas de produtos ou investimentos.

Para preveni-los, a advogada reforça a importância da educação digital: “É fundamental orientar os idosos a não compartilhar senhas, desconfiar de mensagens urgentes que pedem dinheiro e sempre confirmar informações diretamente com bancos ou familiares antes de realizar transferências”. O apoio das famílias também é decisivo, acompanhando o uso de aplicativos financeiros e conversando abertamente sobre os riscos.

Quando ocorre abuso digital, Janaína orienta que idosos ou familiares ajam rapidamente: registrar boletim de ocorrência, reunir provas, como mensagens e comprovantes, comunicar bancos ou plataformas envolvidas e buscar orientação jurídica para avaliar eventual ação de reparação de danos.

Por fim, a especialista destaca a importância de equilibrar autonomia e proteção: “O idoso tem direito à autonomia e à participação plena na vida digital, e a proteção jurídica não deve significar controle excessivo ou retirada de sua liberdade”. A chave está em investir em educação digital, diálogo, apoio familiar e ferramentas de segurança, permitindo que o idoso utilize a tecnologia com confiança, preservando sua dignidade e independência.

Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e tecnologia em medicina no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.653 vagas de Medicina aprovadas e 3.543 vagas de medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz do ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br