Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repetiu que deseja obter o controle da Groenlândia, uma ideia expressa pela primeira vez em 2019, durante seu primeiro mandato na Presidência dos EUA.
Ele argumenta que a ilha é fundamental para a estratégia militar americana e afirma que a Dinamarca não fez o suficiente para proteger o território.
A Casa Branca informou na terça-feira (6) que Trump estava discutindo opções para adquirir a Groenlândia, incluindo o uso potencial das Forças Armadas dos EUA, em um renascimento de sua ambição de controlar a ilha estratégica, apesar das objeções europeias.
Leia mais:Uma operação militar dos EUA no fim de semana que capturou o líder da Venezuela já havia reacendido as preocupações de que a Groenlândia poderia enfrentar um cenário semelhante.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e seu colega da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, solicitaram uma reunião urgente com Rubio para discutir a situação.
“Gostaríamos de acrescentar algumas nuances à conversa”, escreveu Rasmussen em uma publicação nas mídias sociais. “A briga de gritos deve ser substituída por um diálogo mais sensato. Agora.”
Sendo a maior ilha do mundo, mas com uma população de apenas 57 mil pessoas, a Groenlândia não é um membro independente da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas é coberta pela adesão da Dinamarca à aliança ocidental.
A ilha está estrategicamente localizada entre a Europa e a América do Norte, o que a tornou um local essencial para o sistema de defesa dos EUA contra mísseis balísticos durante décadas. Sua riqueza mineral também se alinha com a ambição de Washington de reduzir a dependência da China.
Por que Trump quer a Groenlândia?
A localização estratégica e os recursos da Groenlândia poderiam beneficiar os EUA.
A região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Os Estados Unidos expressaram interesse em expandir sua presença militar na ilha ártica, incluindo a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.
Em dezembro, Trump disse a repórteres: “Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional, não para minerais… Se você olhar para a Groenlândia, para cima e para baixo na costa, verá navios russos e chineses por toda parte.”
Dados de navegação mostram que a maior parte da navegação chinesa em águas árticas ocorre no Ártico do Pacífico e na Rota Marítima do Norte, perto da Rússia.
A maior parte da navegação russa no Ártico ocorre ao longo da costa da Rússia, embora analistas afirmem que submarinos russos frequentemente navegam pelas águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido.
De forma mais ampla, o Ártico está se tornando cada vez mais militarizado, com os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a China e a Rússia expandindo suas atividades na região.
A ilha, cuja capital, Nuuk, está mais próxima de Nova York do que a capital dinamarquesa, Copenhague, possui riquezas em minerais, petróleo e gás natural.
Mas, o desenvolvimento tem sido lento e a mineração recebeu investimentos americanos muito limitados.
Qual é a presença atual dos EUA na ilha?
As forças armadas americanas mantêm uma presença permanente na base aérea de Pituffik, no noroeste da Groenlândia.
Um acordo de 1951 entre os EUA e a Dinamarca concedeu a Washington o direito de circular livremente e construir bases militares na Groenlândia, desde que Copenhague e a Groenlândia sejam notificadas.
Historicamente, a Dinamarca tem acomodado os EUA porque Copenhague não tem capacidade para defender a Groenlândia e devido às garantias de segurança americanas à Dinamarca por meio da Otan, segundo Kristian Soeby Kristensen, pesquisador sênior do Centro de Estudos Militares da Universidade de Copenhague.
Quem pode defender o território das ameaças de Trump?
Líderes de grandes potências europeias e do Canadá se uniram em apoio à Groenlândia nesta semana, dizendo que a ilha do Ártico pertence ao seu povo.
A França está trabalhando com seus parceiros em um plano sobre como responder caso os Estados Unidos cumpram sua ameaça de tomar a Groenlândia, disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot nesta quarta-feira (7), enquanto a Europa procurava abordar as ambições do presidente dos EUA, Donald Trump, na região.
Uma tomada militar da Groenlândia de um aliado de longa data, a Dinamarca, enviaria ondas de choque pela Otan e aprofundaria a divisão entre Trump e os líderes europeus.
Barrot informou que o assunto será abordado em uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da Alemanha e da Polônia no decorrer do dia.
“Queremos agir, mas queremos fazê-lo junto com nossos parceiros europeus”, declarou ele à rádio France Inter.
Qual é o status da Groenlândia atualmente?
A ilha, antiga colônia da Dinamarca, tornou-se um território formal do reino nórdico em 1953 e está sujeita à Constituição dinamarquesa.
Em 2009, a ilha recebeu ampla autonomia de autogoverno, incluindo o direito de declarar independência da Dinamarca por meio de um referendo.
Segundo a lei de 2009, o Parlamento da Groenlândia, Inatsisartut, pode invocar uma disposição que permitiria à Copenhague e à Nuuk iniciar negociações para alcançar a independência total.
O povo da Groenlândia precisaria aprovar a independência em um referendo, e um acordo de independência entre a Dinamarca e a Groenlândia também exigiria o consentimento do Parlamento dinamarquês.
O que a Groenlândia deseja?
As relações entre a Groenlândia e a Dinamarca têm sido tensas após revelações de maus-tratos históricos aos groenlandeses sob o domínio colonial.
No entanto, o interesse de Donald Trump pela ilha levou Copenhague a se esforçar mais para melhorar os laços com Nuuk.
As pesquisas mostram que a maioria dos 57 mil habitantes da Groenlândia apoia a independência.
Mas, muitos groenlandeses alertam contra ações precipitadas, temendo que a situação da Groenlândia piore e que ela se exponha aos EUA se buscar a independência da Dinamarca muito rapidamente.
A economia da Groenlândia depende da pesca, que representa mais de 95% das exportações, e dos subsídios anuais da Dinamarca, que cobrem aproximadamente metade do orçamento público.
(Fonte:CNN Brasil)
