Desmatamento em Apuí, no Amazonas, região em que fiscais do Ibama realizaram operação em 27 de junho. — Foto: Bruno Kelly/Reuters
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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, faz o monitoramento da Amazônia desde 1988. As imagens são obtidas via satélite e o nível de precisão é de 95%, segundo o próprio instituto.

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O objetivo, de acordo com o site do Ministério do Meio Ambiente, é “quantificar os desmates de áreas com vegetação nativa e, dessa forma, ter embasamento para as ações de fiscalização, controle e combate aos desmatamentos ilegais”.

O tema veio à tona após o presidente Jair Bolsonaro questionar na última sexta-feira (19) os dados divulgados pelo Inpe sobre o desmatamento da Amazônia. “Com toda a devastação que vocês nos acusam de estar fazendo e de ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido”, afirmou.

O Inpe afirma em seu site que desde 2004 adota a política de transparência de dados, que permite que qualquer pessoa acesse as informações do monitoramento por meio do site do instituto.

Para fazer a observação, são usados três tipos de sistemas:

  • o Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes);
  • o Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter);
  • e o TerraClass, que mapeia o uso da terra após o desmatamento, em parceria com a Embrapa.

A área observada é a da Amazônia Legal, que abrange o Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

Prodes

Reprodução de imagem do site do Inpe mostra como a imagem aparece no satélite (à esquerda) e como ela é na realidade.  — Foto: Reprodução/Inpe
Reprodução de imagem do site do Inpe mostra como a imagem aparece no satélite (à esquerda) e como ela é na realidade. — Foto: Reprodução/Inpe

No Prodes, o levantamento é feito sistematicamente desde 1988. Ele levanta as taxas anuais de desmatamento.

Os cálculos ocorrem durante os períodos de seca, quando há pouca formação de chuva na região, já que as nuvens atrapalham a visibilidade dos satélites.

São usadas aproximadamente 220 imagens do satélite americano Landsat-5/TM, que tem de 20 a 30 metros de resolução espacial (ou seja, cada ponto da imagem corresponde a uma área de 400 a 900m²). Os mesmos pontos do mapa são revistos a cada 16 dias, para minimizar o problema da cobertura de nuvens.

O Landsat-5/TM não é administrado pelo governo do Brasil. Ele é o quinto satélite lançado pela agência espacial americana (Nasa), o que ocorreu no ano de 1984. Nesta época, o Inpe não fazia o monitoramento da Amazônia.

O uso das imagens de satélite Landsat também não é exclusivo do Inpe. O Global Forest Watch, por exemplo, faz o monitoramento internacional com apoio de diferentes instituições. A organização utiliza os dados para saber como está o uso da terra em todo o planeta.

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