Quase 100 postos de trabalho foram cortados no comércio de Marabá
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Acompanhando a tendência nacional, o município de Marabá teve 80 novos postos de trabalho criados durante o mês de junho. Ao todo, foram feitas 1.281 admissões contra 1.201 demissões, gerando saldo positivo, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. O órgão divulgou ontem, quinta-feira (25), que nacionalmente a criação de empregos com carteira assinada também teve saldo positivo, com 48.436 vagas ocupadas em junho.

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Em Marabá, apesar do aumento de empregos, a reclamação geral de pouco movimento no comércio varejista reflete também nos números. Mesmo que tenha sido o setor que mais contratou pessoas no município, com 574 admissões de vendedores, o comércio varejista também foi o que mais demitiu, tendo desligado 669 pessoas. Isso quer dizer que foram cortados 95 postos, único saldo negativo entre os cinco subsetores que mais contrataram no primeiro semestre.

O segundo setor que mais contratou foi o de motorista de caminhão, com 517 admissões contra 182 demissões, criando, assim, 335 postos de trabalho. Foi também a área que deu o maior salto em contratações no município. No setor de auxiliar de escritório foram realizadas 391 admissões contra 349 desligamentos, com criação de 42 nos postos. Apesar de ter contratado mais que desligado, este subsetor foi o segundo que mais demitiu, após o comércio varejista.

Giliad de Souza Silva, que é doutor em Economia pela UFRGS e professor do curso na Unifesspa, em Marabá, explica que o setor terciário, no qual está inserido o subsetor varejista e de serviços em geral, possui intensidade de trabalho elevada, ou seja, gasta-se proporcionalmente mais com pessoas que com máquinas, diferente de outros setores, sobretudo de transformação e agrícolas.

Dessa forma, é uma característica deste setor ser mais dinâmico no sentido de ter movimentação mais acelerada que outros, até mesmo por lidar com resultados a curto prazo. “O setor de vendas lida com a ponta da produção econômica, lida com a realização do produto, portando tende a demitir e contratar mais que setores intensivos em capital, onde é necessária menos dinâmica de mão de obra”, diz.

Além disso, afirma, esse setor tende a responder à dinâmica econômica da localidade na qual está inserido. “Se está mais aquecida o setor terciário tende a contratar mais que demitir, se está desaquecida tende a demitir mais, ficando com saldo negativo. Ele acaba, de algum modo, sendo um reflexo da dinâmica e atividade econômica da região, o que explica um pouco o que os dados oficiais acabam de mostrar”, afirma.

Ele analisa que se está havendo movimentação muito elevada de admissões ao passo que também há movimentação elevada de demissões, este é o reflexo de uma localidade que está passando por particularidades que normalmente envolvem crises econômicas.

“São realidades em que há muito fechamento de unidades produtivas, de empreendimentos produtivos, ao passo que tem que compensar esse fechamento com novas atividades. O quadro narrado é o quadro de uma região que está sofrendo ainda uma dinâmica própria de uma atividade forte, o setor terciário é significativo, mas essa localidade está passando por algum revés econômico”, finaliza. (Luciana Marschall)

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