Correio de Carajás

Em três meses, Águas do Pará mantém “padrão Cosanpa” de falta de água em Marabá

Concessionária Águas do Pará não garante regularidade em Marabá; moradores sofrem com torneiras secas e manutenções emergenciais.

Mãos enrugadas de um idoso abertas abaixo de uma torneira antiga e seca.
Em três meses, a Águas do Pará já fez mais de 10 anúncios de interrupção no fornecimento de água
Por: Kauã Fhillipe e Ulisses Pompeu
✏️ Atualizado em 24/03/2026 17h17

“Acelerar melhorias estruturais ainda no primeiro ano de operação, ampliando a capacidade dos sistemas existentes e garantir maior regularidade no abastecimento.” Foi com esse discurso que a Águas do Pará chegou, em dezembro de 2025, prometendo virar a chave do fornecimento de água e esgoto em Marabá.

Na teoria, bonito, mas na prática o roteiro parece familiar demais. Passados alguns meses, o que se vê é uma população ainda refém da torneira seca, dos mais de 10 avisos de “manutenção emergencial” e da velha incerteza de quando a água vai, de fato, voltar. A sensação é que mudou o nome da empresa, mas o problema continua quase um Ctrl+C, Ctrl+V dos tempos de Cosanpa.

No início deste mês, no dia 8, moradores do Núcleo Nova Marabá já enfrentaram mais um capítulo dessa novela. A concessionária informou que o abastecimento foi interrompido por conta de uma manutenção eletromecânica emergencial na Estação de Tratamento de Água (ETA). Resultado: o núcleo mais populoso da cidade ficou com as torneiras secas, sem qualquer previsão concreta de normalização.

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E não parou por aí, já que o efeito dominó logo acendeu o alerta no núcleo Cidade Nova, que depende do mesmo sistema e também entrou na zona de risco. A água até voltou “de forma gradativa” – como diz o manual das notas oficiais –, mas sem esclarecer quando o serviço estaria completamente regularizado

Agora, semanas depois, o problema reaparece de novo. O abastecimento voltou a ser impactado em núcleos da cidade, operando de forma reduzida desde domingo (22). Em nota divulgada nesta terça-feira (24), a Águas do Pará informou que a situação é consequência de uma manutenção emergencial em um transformador da ETA Nova Marabá. Segundo a empresa, uma das bombas já está funcionando, o que permite apenas uma retomada parcial do fornecimento.

Enquanto isso, equipes seguem trabalhando “de forma ininterrupta” com previsão de conclusão dos serviços ainda na terça. A promessa, mais uma vez, é de normalização “gradativa”. Gradativa pra quem? Porque, para quem abre a torneira e não vê cair nem uma gota, a sensação é imediata.

No fim das contas, o discurso segue cheio, mas a caixa d’água nem tanto.