Correio de Carajás

Dormir todo dia no mesmo horário pode frear envelhecimento, segundo estudo

Regularidade entre períodos de descanso e movimento foi associada a sinais fisiológicos mais jovens em análise com idosos acompanhados há décadas

Pessoa na cama com as mãos no rosto, um despertador branco é segurado em primeiro plano.
Adultos com padrões diários de repouso e atividade mais fortes e consistentes apresentaram sinais de envelhecimento mais lento no estudo — Foto: Magnific
✏️ Atualizado em 08/05/2026 15h06

Manter horários consistentes para dormir, acordar e fazer atividades ao longo do dia pode estar ligado a um envelhecimento biológico mais lento. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, publicado nesta quinta-feira (7) na revista JAMA Network Open.

Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram dados de 207 participantes do estudo Baltimore Epidemiologic Catchment Area (ECA), uma pesquisa populacional de longa duração realizada nos Estados Unidos. Os voluntários, com idade média de 68 anos, usaram dispositivos vestíveis no pulso durante cerca de sete dias consecutivos para registrar seus ritmos de repouso e atividade. Além disso, mantiveram diários com informações sobre horários de sono, cochilos e outros momentos de descanso.

Os cientistas compararam esses registros com exames de sangue capazes de estimar o chamado “envelhecimento fisiológico”. Nesse processo, foram empregados quatro relógios epigenéticos — Horvath, Hannum, PhenoAge e GrimAge — modelos que analisam alterações químicas no DNA que o corpo acumula em vida e estão associadas ao avanço da idade.

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Os resultados mostraram que participantes com rotinas mais regulares — ou seja, com maior distinção entre atividade durante o dia e repouso à noite, além de menos interrupções nos períodos de descanso e movimento — apresentavam indicadores biológicos compatíveis com uma idade fisiológica mais jovem, especialmente nos relógios GrimAge e PhenoAge. A associação permaneceu significativa mesmo após cientistas considerarem fatores como idade cronológica, sexo, escolaridade e condições de saúde.

Importância da consistência

 

Para Adam Spira, professor da Johns Hopkins e coautor sênior do estudo, os achados reforçam a importância dos ritmos circadianos para o envelhecimento saudável. “Nossos resultados sugerem que os ritmos de repouso-atividade podem ser marcadores úteis da taxa de envelhecimento fisiológico em adultos”, afirma, em comunicado. “Se confirmados por pesquisas futuras, esses ritmos podem se tornar alvos potenciais para intervenções que visem atrasar o processo de envelhecimento.”

A relação entre sono e envelhecimento já vinha sendo observada por estudos anteriores. Pesquisas haviam associado a privação de sono a maior risco de declínio cognitivo, demência, alterações metabólicas e menor capacidade de reparo celular. O novo trabalho, no entanto, acrescenta um elemento importante ao debate: mais do que dormir por muitas horas, manter uma rotina consistente pode ser decisivo para envelhecer de forma mais saudável.

De acordo com a revista Scientific American, a principal novidade do estudo está justamente na ideia de continuidade dos ciclos cotidianos. Obter a mesma quantidade de sono e atividade todos os dias, sem interrupção — ou seja, ter períodos mais longos e contínuos de sono e atividade — pode ser a chave para um envelhecimento mais saudável.

Próximos passos

 

Os autores ressaltam que o trabalho possui limitações importantes. O estudo é considerado exploratório e analisou dados de forma transversal, observando participantes em um mesmo período, sem acompanhar diretamente a evolução das mudanças biológicas ao longo do tempo. Além disso, o número de participantes foi relativamente pequeno.

Ainda assim, acredita-se que os resultados podem até subestimar o fenômeno observado na população em geral. “Estávamos analisando adultos que sobreviveram até idades mais avançadas e que eram saudáveis o suficiente para participar da pesquisa”, destaca Brion Maher, também professor da Johns Hopkins e coautor do estudo. “Isso significa que não estávamos analisando adultos que envelheceram mais rapidamente e já haviam morrido ou que eram muito doentes para participar.”

O principal autor do artigo, Chunyu Liu, defende que pesquisas futuras acompanhem os participantes ao longo dos anos para entender melhor a relação de causa e efeito: “Definitivamente precisamos realizar estudos longitudinais ao longo do tempo para verificar se o enfraquecimento dos ritmos de repouso-atividade precede a aceleração do envelhecimento fisiológico ou vice-versa”.

A equipe também espera que os avanços nessa área permitam, futuramente, o monitoramento contínuo de marcadores de envelhecimento por meio de dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes e actígrafos. Os especialistas também pretendem realizar, no futuro, ensaios clínicos para testar se intervenções capazes de tornar os ciclos diários mais consistentes poderiam desacelerar o envelhecimento fisiológico.

(Fonte: G1/Arthur Almeida- Revista Galileu)